Luiz R. Serrano
 São Paulo/SP
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18/07/2010 
PÉSSIMO RECOMEÇO DE BRASILEIRÃO
O time está desestabilizado e a diretoria precisa agir para recolocar as coisas no lugar

 

Recomeçamos pessimamente o Campeonato Brasileiro com as derrotas para o Palmeiras e para o Fluminense.Em função disso, caímos para o nono lugar no campeonato, posição incompatível com o time que foi o melhor do país no primeiro semestre, o revelador da nova safra dos Meninos da Vila.

 

O Palmeiras achou dois gols, o primeiro num chute muito feliz e o segundo um infeliz desvio de nossa zaga. O time jogou com vontade, talvez com os jogadores querendo mostrar serviço para Felipão. Mas não é lá essas coisas, pois tomou uma tunda do Avaí neste domingo, o que torna a nossa derrota para eles mais grave. É totalmente inaceitável a desculpa de que o time do Santos estava sem ritmo por ser o primeiro jogo depois das férias. Também foi o primeiro jogo para o Palmeiras. Nosso ataque não conseguia penetrar na defesa palmeirense em nenhum momento e sem o Robinho ficou muito fragilizado. Neymar não existiu em campo e Ganso quando entrou deu outra dinâmica no segundo tempo, mas tarde demais.

 

Neste domingo, contra o Fluminense, o Santos jogou melhor e dominou o jogo, mas o gol não saia. Faltava a finalização ali dentro da área. Robinho se mexeu bem, Ganso também, o time em geral mostrou serviço, menos Neymar que esteve abaixo de sua capacidade. Marcel carimbou a trave em um belíssimo chute de fora da área e Zé Love errou por milímetros. O nervosismo foi aumentando, fomos para cima, abrimos a defesa e tomamos um gol no contra-ataque.

 

O fato é que no Campeonato Brasileiro estamos e estaremos enfrentando times de melhor nível do que no primeiro semestre. No Paulista, até os nossos grandes adversários de São Paulo estavam com outras preocupações e do único que não estava, o Palmeiras, perdemos. Na Copa do Brasil os adversários eram fracos até uma certa fase. Quando, nas semi-finais e finais,  passamos a enfrentar times com interesse forte nas disputas – Santo André e Grêmio – nossas dificuldades aumentaram bastante. Passamos por eles, mas sem o futebol livre, leve e solto das primeiras fases. Tivemos enormes dificuldades, mas, graças as vantagens acumuladas ao longo das competições fomos Campeões Paulistas e chegamos à final da Copa do Brasil.

 

De agora em diante, tudo será mais difícil, à técnica de nossos Meninos será preciso somar raça, disposição e vontade de ganhar. Saudamos a parada durante a Copa do Mundo como um período que serviria para o elenco relaxar do estresse das disputas do Paulista e da Copa do Brasil. Esperávamos que o time voltasse a toda, energizado, usando os atuais jogos do Brasileirão para  se afiar para a disputa do título da Copa do Brasil.

 

O que vimos foi exatamente o contrário, preocupante.

 

Precisamos estar nos trinques para garantir uma goleada na Vila contra o Vitoria no dia 28 próximo, para irmos para Salvador com meio caminho andado. O Vitória tem mostrado força neste Brasileirão, empatando com o Grêmio lá no Olímpico e derrotando o São Paulo em casa. Virão para a Vila com a faca nos dentes, como “guerreiros” como se autodenominam. Com o futebol que está jogando, o Santos conseguirá construir o placar que precisa?

 

Na verdade, a parada para a Copa coincidiu com a abertura da janela de transferências. E essa abertura criou uma enorme pressão sobre jogadores chaves do time e sobre seus dirigentes. André não resistiu a um aceno da longínqua Ucrânia para fazer o seu pé de meia. Wesley está às voltas com oferta do futebol alemão e parece estar tentado a aproveitá-la, mas o Santos acha pouco o dinheiro. Ganso, aparentemente, está passando incólume, apesar de alguns movimentos de um time francês, que nem lembro qual é. O futuro imediato de Robinho ainda está indefinido.

 

Quem está no epicentro do jogo de puxa-puxa é Neymar, sendo que Wagner Ribeiro é o autor do samba enredo da transferência. Diz que o desconhecido West Ham da Inglaterra teria um projeto para comprar Neymar e depois repassá-lo para um grande clube. Como o Santos fechou a porta, inventou um sistema de DVDs para fazer as performances de Neymar repercutirem na Europa para ele se qualificar como candidato a melhor jogador do mundo. Parece que esse Wagner Ribeiro não aprendeu nada com o que aconteceu com Robinho em sua apressada ida para a Europa, gerenciada por ele. Como pode achar que alguém ainda acredita em suas maluquices? Espero que o pai de Neymar não caia nessa esparrela.

 

Todo esse agito e pressão influencia no ânimo e no equilíbrio do time. E, provavelmente, o ambiente de entusiasmo, descoberta, companheirismo talvez não seja o mesmo, o que afeta o rendimento dentro de campo. Rádios divulgaram uma suposta briga entre Wesley e Robinho e já se especula se o volante não está forçando a sua saída. Keirrisson chegou para substituir André, o que foi uma bela tacada da diretoria, mas certamente isso incomodará Marcel, que está tendo chance de mostrar o seu futebol, tendo entrado bem contra o Palmeiras e o Fluminense.

 

Enfim, é preciso que a diretoria, incluído o presidente Luís Álvaro, aja para superar este momento preocupante, injetando equilíbrio, harmonia, ânimo e eficiência ao time, conscientizando os jogadores que daqui para a frente tudo será mais difícil e duramente disputado. É normal que um time vitorioso passe por momentos como esse, faz parte do futebol, principalmente se reúne tantos craques, egos, sujeitos a pressões e interesses de todo o tipo.

 

Mãos à obra, diretoria.



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Escrito por Luiz R. Serrano às 23h06.

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