18/12/2011 10h51
O POST ESTÁ EM www.serranoecia.blogspot.com
(Só consigo postar aqui via tablet e é muito trabalhoso escrever textos longos nesse equipamento. Já pedi socorro mas ninguém resolve o problema)
15/12/2011 17h34
É assim, como zebra, que o nosso time está sendo colocado.
Em 11 das 10 análises sobre a partida deste próximo domingo o Barcelona é apontado como favorito.
E é mesmo. Afinal, trata-se do time reconhecido como o melhor do mundo, que joga por música, tem um conjunto afinado com jogadores de grande técnica e Messi, o melhor do globo, como cereja do bolo.
Nas suas duas últimas jornadas, o Barcelona superou o arqui-rival e também todo poderoso Real Madrid, viajou para o Japão, e esmagou com facilidade o adversário das semi-finais, por 4x0, num jogo com cara de treino de ataque contra defesa.
Ou seja, estamos escalados para perder, abrilhantar a festa do Barcelona, inclusive pela imprensa brasileira, especialmente o jornal O Estado de S. Paulo.
Nos dias que antecederam nosso jogo contra o Kashiwa Reysol investigou-se com afinco a venda de 10% do passe do Ganso para a DIS e inventou-se um desentendimento entre Muricy e Léo, por conta da reserva de nosso querido lateral esquerdo.
Um grande esforço para desestabilizar o Santos.
Aí veio o jogo, vencido por 3x1, contra um time organizado, agressivo, mas sem talentos individuais.
A imprensa rendeu-se aos talentos de Neymar, Borges, Danilo e Ganso, mas destrui a nossa defesa, especialmente a lateral esquerda, onde o guerreiro Durval teria comprometido nossa segurança.
Em outras palavras, no domingo estamos condenados a sucumbir à fuzilaria do Barcelona e assistir a algum brilhareco inútil dos nossos talentos.
Perder para o Barcelona, dizem, não é desonra.
Pois bem, eu acredito que podemos ser a zebra do Mundial.
A partida do Santos contra o Kashiwa foi a primeira do time que entrou em campo depois de muito tempo - as duas partidas no Brasileirão não foram muito à sério.
Faltava entrosamento e havia receio do fantasma do Mazembe.
Na verdade, foi um treino à sério, num jogo de semi-final, contra um adversário aguerrido.
Apareceram as nossas falhas - a tempo de serem corrigidas. E as nossas virtudes - a tempo de serem potencializadas.
Lembram-se da motivação de Neymar no Santos 4x5 Flamengo, o melhor jogo do campeonato brasileiro, só porque do outro lado estava Ronaldinho?
Vamos apostar na motivação de Neymar, Ganso, Borges e Danilo porque do outro lado estarão Barcelona, Messi e o título mundial - e que nossa defesa jogará bem fechada.
Pronto, a zebra ganhará o Mundial!
Vai prá cima deles, Saaaaannnntttoooosssss!!!!!!!!!!!!!!!
14/12/2011 19h04
ATÉ!
11/12/2011 07h50
Jogando contra o Kashiwa Reysol, nosso caminho fica mais fácil ou mais difícil?
Pra cima deles, Saaaaantooooosss!!!!!!
04/12/2011 14h54
87%, uma vitória realmente consagradora!
Mais: com quase 3900 votantes, um número de eleitores que nenhum clube jamais atingiu em eleições.
A torcida santista agradeceu tudo o que Laor e Odílio fizeram nestes últimos dois anos.
E lhes deu apoio integral para continuarem a ser ousados na administração do clube.
E há muito que fazer.
Independentemente do que ocorrer no Japão, o Santos precisa melhorar a qualidade de seu elenco para 2012, para ter um conjunto mais equilibrado e à altura da dupla Neymar e Ganso.
Com um conjunto mais forte, o futebol dessa dupla subirá incrivelmente de nível. Pelé jogou o que jogou no Santos porque tinha um time de craques ao seu redor.
Conseguir isso é um desafio, porque exige recursos, apoio de patrocinadores e revelação de novos jogadores da base. O que já vem sendo obtido, mas precisará ser dinamizado.
Esse é o desafio principal, pois um time bem sucedido é a base para qualquer administração conseguir bons resultados em todas as áreas da vida de um clube de futebol.
E há muitos desafios em inúmeras áreas, estádio, multiplicação da torcida, níveis de arrecadação nos jogos, maior exposição na TV inclusive internacional, pré-temporadas no exterior e assim por diante.
Boa parte desses desafios será facilitado com a conquista do TRI no Japão, o que será a consagração final, no campo, das conquistas destes últimos dois anos.
Mas tudo isso é preocupação para 2012.
Agora, o que temos de fazer é torcer com todas as nossas forças para o Santos conquistar o TRI!!!!!!!
Nosso Santos embarca nesta segunda-feira para o Japão e que os deuses do futebol o acompanhem.
Vamos ser TRI SANTOS!!!!!!!!!!!!!!!
26/11/2011 19h04
A revista Veja desta semana traz a informação de que nesta quarta-feira Pelé assina contrato com o Santos para ser um dos animadores do Centenário do Santos e, entre outras coisas, participar de um fundo para atrair investimentos para o alvi-negro da Vila Belmiro. A primeira missão do maior jogador de todos os tempos será acompanhar a nossa delegação a Tóquio.
Luís Álvaro já havia me adiantado essa notícia quando telefonei a ele para cumprimentá-lo pelo contrato que manterá Neymar em nosso time até 2014.
O glorioso passado e o presente promissor do alvi-negro se unem às vésperas do Centenário do maior time de todos os tempos, no momento em que o Santos decola para disputar o seu terceiro título mundial.
Poderia haver um símbolo mais forte do resgate do destino histórico do Santos no futebol mundial?
Nestes dois últimos anos, a gestão capitaneada por Luís Álvaro extrapolou as previsões mais otimistas que se pudesse fazer sobr seu desempenho. Não vou me estender sobre suas realizações para não repetir o que já é amplamente conhecido.
O sucesso, contudo, não deve nos iludir. O que ocorreu até agora foi só o começo de um trabalho difícil que precisa se perenizar. E quanto maior o sucesso mais difícil fica a tarefa. Chegar no topo é um grande desafio, manter-se no topo é um desafio maior ainda.
Uma das condições básicas para que um time se mantenha no topo é ter uma direção politicamente forte, que amplie continuamente a sua capacidade de administrar com eficiência e, no caso do Santos, ousadia, muita ousadia, como ocorre atualmente com nosso clube.
No próximo fim de semana, no dia 3 de dezembro, nós sócios eleitores do Santos teremos a oportunidade de mostrar nas urnas toda a nossa satisfação e reconhecimento pelo sucesso da administração capitaneada por Laor - e de dizer-lhes que queremos mais !!!!!!!!
E a melhor maneira de dizermos é comparecendo em massa às urnas para reelegermos Laor e Odílio com uma votação consagradora.
Viva o Santos FC!!!!!!!!!!
17/11/2011 19h29
O empate contra o Atlético Goianense foi um bom teste.
Mostrou que nosso time titular não está afinado, ainda.
Falta um conjunto mais organizado.
O toque de bola precisa ser refinado, hoje houve muitos passes errados.
É preciso jogar mais pelas pontas, o que só aconteceu depois da entrada do Kardek.
O Atlético marcou bem, sempre havia mais de um em cima de nossos craques, especialmente Neymar e Ganso e não conseguíamos furar esse bloqueio na entrada da área. Insistimos muito em fazer tabelas por ali, sem sucesso.
Neymar estava muito individualista.
Quanto ao gol deles, lamentável, a defesa e o Rafael bobearam.
Acho que só mais um jogo com o time titular, será pouco para afiná-lo, mas cansá-lo com viagens também é ruim.
Enfim, é o que temos e vamos pras cabeças no Japão.
12/11/2011 12h42
Estive ausente do blog, de algum tempo para cá, por duas razões: por dolorosas questões pessoais e por problemas técnicos de acesso ao blog.
Nesse período coloquei alguns textos no facebook e no meu blog pessoal www.serranoecia.blogspot.com, neste, inclusive, saudando o contrato que garante a permanência de Neymar no Santos até 2014 e criticando os jornalistas que insistiram que nosso gênio já estava vendido para o Real Madrid.
Bom, na quinta-feira passada, foi lançada em Santos a candidatura de Luís Álvaro e Odilio Rodrigues para presidente e vice do Santos no período de 2012-2015 e no próximo dia 16 vai ocorrer outra festa de lançamento aqui em São Paulo.
Depois da garantia da permanência do Neymar, não é preciso dizer mais nada sobre porque Luís Álvaro e Odílio devem ser reconduzidos.
Esse fato foi a cereja do bolo de um mandato que recolocou o Santos no seu verdadeiro patamar de grandeza,cujo ápice foi representado pelo time liderado por Pelé nos anos 60.
Em dois anos, foram conquistados dois campeonatos paulistas, uma inédita Copa do Brasil eo tri-campeonato da Libertadores, que nos levará, em dezembro, a disputar o Mindial Interclubes, depois de 48 anos.
O que torna essa conquista mais significativa é que ela se deu superando as enormes dificuldades, "bombas de efeito retardado", herdadas da gestão anterior.
Cito duas: dívidas e as parcerias com o grupo DIS nos contratos de Neymar e Ganso. Não fosse a atual administração, o destino de Neymar e Ganso teria sido fatalmente o exterior - e muita gente se locupletando com os milhões auferidos na venda. Foi assim que ocorreu com Robinho, Diego, etc...
O sucesso da administração Luís Álvaro/Odílio se deve ao talento deles, ao trabalho de toda a diretoria e ao suporte garantido pelo GUIA - o grupo de empresários e executivos que dedicam seu tempo e competência ao Santos.
É obrigatório contudo, fazer menção ao carisma de nosso presidente Luís Alvaro.
Conheço-o há quase 30 anos, desde a gloriosa Campanha das Diretas. Conhecia sua competência, entusiasmo e amor pelo Santos, mesmo assim me surpreendi pelo carisma com que exerceu a presidência do clube.
Luís Álvaro deu ao cargo de presidente o mesmo brilho e destaque que o nosso time exibe nos gramados.
Viva o Santos!!!!!!!!
19/10/2011 20h48
É Isso.
14/10/2011 15h55
Neymar e nós
Atlético-MG e Santos jogaram na Arena do Jacaré, na noite de ontem, pelo Campeonato Brasileiro da Série A. O Galo venceu por 2 a 1, e o atacante Neymar, do Santos, foi expulso, já no final do jogo, por reclamar e ironizar o árbitro da partida. Foi repreendido no vestiário pelo técnico Muricy Ramalho, de forma tão veemente, que deixou o estádio chorando muito.
Eu estava na cobertura do jogo. Depois da partida, me posicionei perto da saída dos jogadores do Atlético, fazendo meu trabalho rotineiro, de entrevistar os atletas e tirar fotos. Cumpri meu trabalho normalmente, como em todas as partidas. Foi quando Neymar saiu do vestiário do Santos, cercado por seis seguranças gigantescos. Truculentos, como boa parte dos seguranças, não todos, claro.
Os guarda-costas foram abrindo caminho com empurrões para escoltar o jogador até o ônibus do Santos. Vendo a desnecessária cena, já que não havia tumulto na porta da Arena do Jacaré, alguns jornalistas - eu, inclusive - fizeram comentários sobre o que viam e sobre Neymar. Coisas do tipo:
- Que cara mala!
- Mas que bosta, pra que isso tudo?
Concordo plenamente que não é nosso papel comentar saída de atletas do estádio, muito menos em voz alta. Não estamos ali pra isso. Mas, de forma alguma, o que fizemos foi provocativo. Prova disso é que não há nenhum registro de tumulto ou queixa contra o pessoal que estava naquela roda. O clima na saída do estádio era o mais tranquilo possível, ainda mais porque o Atlético tinha vencido a partida. O que os fãs de Sete Lagoas queriam era tirar fotos com o jovem craque. Não digo nem por nós, jornalistas. Já estamos acostumados a Ronaldinhos Gaúchos, Romários e Edmundos da vida. Um jogador sair sem falar conosco é coisa rotineira, tanto que ninguém da imprensa mineira portava microfone ou câmera para abordar Neymar.
O que aconteceu a partir daí é que foi surpreendente.
Neymar, ao ouvir nossos comentários, parou e voltou até nossa roda. Digo mais uma vez. Ninguém o provocou, conversávamos entre nós, e ele ouviu porque passou a meio metro da roda. Os seguranças tentaram contê-lo, mas ele insistiu e disse que queria falar comigo. Eu assenti com a cabeça, ele se aproximou. Estendeu a mão pra mim e disse:
- Te peço perdão, cara. Não sou o que você disse. Estou chateado, não quis fazer nada para desagradar você e sua cidade. Me perdoe, por favor.
Espantado, como todos ao meu redor, só tive tempo de balbuciar, antes que ele saísse.
- Tudo bem, cara. Tá desculpado. Esquece.
***
O espanto foi ficando cada vez maior, enquanto Neymar se afastava. Ainda mais porque todos nós sentimos total sinceridade no que o menino disse. Com o rosto inchado de chorar e ainda com lágrimas escorrendo pela face, vimos ali um ser humano, falível e arrependido por erros que cometeu e que cometeram por ele. Claro que a maior parte deles, com sua anuência.
Não deve ser fácil ser Neymar. Não vou aqui cair no lugar-comum de fazer contas sobre seus rendimentos, sua fama, seu trânsito livre em qualquer lugar do Brasil. Se os tem é porque merece, tem talento e trabalhou para isso.
A pressão sobre o moleque é monstruosa. Dirigentes, torcida, patrocinadores, empresários, agentes. É gente demais cobrando, dando palpites e querendo guiar a cabeça dele pra alguma direção diferente. Pra se ter uma ideia, este jogo contra o Galo foi o 59o disputado por Neymar este ano. E ainda tem o restante do Brasileirão e o tão sonhado Mundial de Clubes, em dezembro.
É claro que ele recebe pra isso. E muito bem, por sinal. Mas, a fama e a idolatria de boa parte da juventude brasileira não dão a Neymar o direito de passar por cima de todos nem de se julgar melhor que ninguém. Problemas comuns para nós mortais como contas, prestações e dívidas não fazem parte da vida de Neymar. É exatamente o que eu já disse aqui. Ele fez por merecer tudo o que tem, mas precisa ter prudência para administrar tudo o que é intrínseco a esta fama absurda e sem limites.
***
O episódio de ontem foi minúsculo, presenciado por, no máximo 10 pessoas, se tanto. Mas foi marcante. Não me arrependo hora nenhuma do comentário que fiz ao ver Neymar cercado por um paredão de brutamontes, como se alguém ali quisesse morder sua orelha ou lhe roubar as correntes de ouro. Foi exagero mesmo, foi uma bosta mesmo, com a desculpa pelo termo chulo.
Mas o perdão que ele me pediu, com os olhos cheios d´água, pareceu verdadeiro. E eu espero que tenha sido mesmo. Espero que ele tenha, nem que por um mísero segundinho, percebido que não é, na essência, aquilo que demonstrava ser, ao deixar um ambiente totalmente amistoso, como se fosse para a guerra.
Neymar errou, ao aceitar fazer parte daquele circo ridículo. Nós erramos também, ao não perceber a fragilidade do menino naquele momento. Espero que todos tenham aprendido a lição. Pra mim, foi uma experiência e tanto.
Obrigado Neymar, por ter sido humilde ao me pedir desculpas. Mas, principalmente, muito obrigado aos meus companheiros Igor Assunção, Fábio Pinel, Victor Martins, Felipe Ribeiro e Gustavo Faria, por não deixar morrer em mim o espírito crítico que move o exercício do bom jornalismo, que tento fazer todos os dias.
Neymar e nós
Atlético-MG e Santos jogaram na Arena do Jacaré, na noite de ontem, pelo Campeonato Brasileiro da Série A. O Galo venceu por 2 a 1, e o atacante Neymar, do Santos, foi expulso, já no final do jogo, por reclamar e ironizar o árbitro da partida. Foi repreendido no vestiário pelo técnico Muricy Ramalho, de forma tão veemente, que deixou o estádio chorando muito.
Eu estava na cobertura do jogo. Depois da partida, me posicionei perto da saída dos jogadores do Atlético, fazendo meu trabalho rotineiro, de entrevistar os atletas e tirar fotos. Cumpri meu trabalho normalmente, como em todas as partidas. Foi quando Neymar saiu do vestiário do Santos, cercado por seis seguranças gigantescos. Truculentos, como boa parte dos seguranças, não todos, claro.
Os guarda-costas foram abrindo caminho com empurrões para escoltar o jogador até o ônibus do Santos. Vendo a desnecessária cena, já que não havia tumulto na porta da Arena do Jacaré, alguns jornalistas - eu, inclusive - fizeram comentários sobre o que viam e sobre Neymar. Coisas do tipo:
- Que cara mala!
- Mas que bosta, pra que isso tudo?
Concordo plenamente que não é nosso papel comentar saída de atletas do estádio, muito menos em voz alta. Não estamos ali pra isso. Mas, de forma alguma, o que fizemos foi provocativo. Prova disso é que não há nenhum registro de tumulto ou queixa contra o pessoal que estava naquela roda. O clima na saída do estádio era o mais tranquilo possível, ainda mais porque o Atlético tinha vencido a partida. O que os fãs de Sete Lagoas queriam era tirar fotos com o jovem craque. Não digo nem por nós, jornalistas. Já estamos acostumados a Ronaldinhos Gaúchos, Romários e Edmundos da vida. Um jogador sair sem falar conosco é coisa rotineira, tanto que ninguém da imprensa mineira portava microfone ou câmera para abordar Neymar.
O que aconteceu a partir daí é que foi surpreendente.
Neymar, ao ouvir nossos comentários, parou e voltou até nossa roda. Digo mais uma vez. Ninguém o provocou, conversávamos entre nós, e ele ouviu porque passou a meio metro da roda. Os seguranças tentaram contê-lo, mas ele insistiu e disse que queria falar comigo. Eu assenti com a cabeça, ele se aproximou. Estendeu a mão pra mim e disse:
- Te peço perdão, cara. Não sou o que você disse. Estou chateado, não quis fazer nada para desagradar você e sua cidade. Me perdoe, por favor.
Espantado, como todos ao meu redor, só tive tempo de balbuciar, antes que ele saísse.
- Tudo bem, cara. Tá desculpado. Esquece.
***
O espanto foi ficando cada vez maior, enquanto Neymar se afastava. Ainda mais porque todos nós sentimos total sinceridade no que o menino disse. Com o rosto inchado de chorar e ainda com lágrimas escorrendo pela face, vimos ali um ser humano, falível e arrependido por erros que cometeu e que cometeram por ele. Claro que a maior parte deles, com sua anuência.
Não deve ser fácil ser Neymar. Não vou aqui cair no lugar-comum de fazer contas sobre seus rendimentos, sua fama, seu trânsito livre em qualquer lugar do Brasil. Se os tem é porque merece, tem talento e trabalhou para isso.
A pressão sobre o moleque é monstruosa. Dirigentes, torcida, patrocinadores, empresários, agentes. É gente demais cobrando, dando palpites e querendo guiar a cabeça dele pra alguma direção diferente. Pra se ter uma ideia, este jogo contra o Galo foi o 59o disputado por Neymar este ano. E ainda tem o restante do Brasileirão e o tão sonhado Mundial de Clubes, em dezembro.
É claro que ele recebe pra isso. E muito bem, por sinal. Mas, a fama e a idolatria de boa parte da juventude brasileira não dão a Neymar o direito de passar por cima de todos nem de se julgar melhor que ninguém. Problemas comuns para nós mortais como contas, prestações e dívidas não fazem parte da vida de Neymar. É exatamente o que eu já disse aqui. Ele fez por merecer tudo o que tem, mas precisa ter prudência para administrar tudo o que é intrínseco a esta fama absurda e sem limites.
***
O episódio de ontem foi minúsculo, presenciado por, no máximo 10 pessoas, se tanto. Mas foi marcante. Não me arrependo hora nenhuma do comentário que fiz ao ver Neymar cercado por um paredão de brutamontes, como se alguém ali quisesse morder sua orelha ou lhe roubar as correntes de ouro. Foi exagero mesmo, foi uma bosta mesmo, com a desculpa pelo termo chulo.
Mas o perdão que ele me pediu, com os olhos cheios d´água, pareceu verdadeiro. E eu espero que tenha sido mesmo. Espero que ele tenha, nem que por um mísero segundinho, percebido que não é, na essência, aquilo que demonstrava ser, ao deixar um ambiente totalmente amistoso, como se fosse para a guerra.
Neymar errou, ao aceitar fazer parte daquele circo ridículo. Nós erramos também, ao não perceber a fragilidade do menino naquele momento. Espero que todos tenham aprendido a lição. Pra mim, foi uma experiência e tanto.
Obrigado Neymar, por ter sido humilde ao me pedir desculpas. Mas, principalmente, muito obrigado aos meus companheiros Igor Assunção, Fábio Pinel, Victor Martins, Felipe Ribeiro e Gustavo Faria, por não deixar morrer em mim o espírito crítico que move o exercício do bom jornalismo, que tento fazer todos os dias.
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