Ontem ouvi o que é pra mim a melhor definição sobre essa parada do Brasileirão: "A Copa do Mundo foi o safety-car do Campeonato Brasileiro".De fato, isso foi verdade. A parada serviu, em tese para botar todo mundo no mesmo pelotão. Time embalado, time cansado, time mal das pernas. Todo mundo teve a chance de começar "do zero".
Para o Santos a parada era fundamental. Vínhamos de uma seqüência de jogos decisivos na Copa do Brasil, numa queda vertiginosa de rendimento, com problemas de relacionamento no grupo. Momento ótimo pra treinar, botar a cabeça da molecada (e do treinador) no lugar e voltar a jogar um bom futebol.
Se tomarmos por base o jogo de ontem, a Copa do Mundo não serviu pra muita coisa. Um baita jogo chato, com dois times que pareciam estar correndo de calça jeans molhada. Lances bizarros, chutões pro alto. Achei o jogo uma baita porcaria.
Perdemos, de novo, para um time que não é, nem tem nada demais. Perdemos porque, de novo, jogamos nada.
O sistema defensivo do Santos continua a mesma coisa. O jogador adversário entra a hora que quer e como quer. Tabelando, cruzando, a bomba sempre está estourando no goleiro que estiver lá – e o Rafael é estranho pra cacete no gol, sei lá – e em Edu Dracena e Durval. A Avenida Maranhão, inaugurada ontem no Pacaembu foi de matar.
Maranhão que, aliás, fez outra partida abaixo da crítica. O primeiro gol do Palmeiras pode e deve ser colocado na conta dele. O cara estava sozinho dentro da grande área e cabeceia uma bola pra frente da área. Qualquer um que jogou futebol na várzea, no campinho da rua, no society sabe que defensor, sempre que possível, deve tirar a bola para o lado da área, e não pra frente dela. O burro cara estava sozinho, cabeceou a bola no pé do Ewerton. E se a sorte é aliada da competência, o azar certamente é do incompetente, porque, se o Ewerton tentar mais 350 chutes daquele não acerta nenhum.
Wesley e Arouca correram. Wesley, pra mim, o melhor jogador em campo. Arouca, mesmo abaixo do normal, fez uma boa partida.
Faltou quem armasse o time. Allan Patrick sentiu o peso do clássico e não deveria nem ter voltado para o segundo tempo e Madson, corre, corre, corre, corre. Esse ano tem corrido menos, diga-se de passagem, mas continua sendo o mesmo jogador com (algum) esforço e de pouca produtividade.
Sem armação, ficou dose para que André e Neymar jogassem. Não que o segundo estivesse com alguma vontade, porque até tirar o pé de dividida o Neymar tirou. Alguém precisa avisar o garoto que, ele pode até querer ser vendido para a Inglaterra, pra Espanha, pra puta que o pariu, mas que ele bote o pé em dividida enquanto estiver aqui. E que se jogasse o que estava jogando no começo do ano, não precisaria fazer "beicinho" por ser substituído.
Falando em substituir, vai sobrar também pro "professor".
Só eu vi que o Allan Patrick estava todo borrado, por sentir a pressão de um clássico? Já que é pra colocar o Ganso, porque diabos tirar o Madson? Esperou o moleque perder uma bola bizarra no segundo tempo pra tirá-lo?
Só eu acho que o Zé Eduardo tem e vem jogando mais bola que o Madson e deveria ser o substituto imediato de qualquer jogador do ataque?
Só eu acho que Marcel e André não servem pra jogar juntos?
Só eu teria tirado o Maranhão com 15 minutos de jogo?
Só eu não tiraria o Neymar?
O Dorival vem, há algum tempo, sendo infeliz em escalação, substituição. Legal ter feito tudo isso com o Santos, mas não adianta tirar mil litros de leite da teta da vaca e depois chutar o balde. Ganhou a clara antipatia dos dois melhores jogadores do time, ontem pode ter queimado o Allan Patrick – pela hora que o substituiu -, tem feito escolhas estranhas, parece não ter mais o comando de toda a situação e por aí vai.
É bom o professor levar, para a prática, o discurso de que ele, de fato, não quer aparecer mais que os jogadores. E melhor ainda, seria ele rever algumas escolhas. Porque, por mais que o Marcel venha entrando e fazendo gol, é fato que o futebol castiga um treinador que tira o Neymar de campo pra colocar o Marcel. Pode notar em que momento sai o segundo gol do Palmeiras. Lembram da associação que fiz acima entre sorte/competência e azar/incompetência? Pois é, isso serve para o Dorival também, e explica o que eu achei não da entrada do Marcel, e sim da saída do Neymar.
Para domingo? Contra o time de um treinador que vive dando sorte aqui na Vila? A primeira sugestão é que o roupeiro do Santos dê calções para que os jogadores utilizem e não deixe o time entrar em campo de calça jeans molhada.