Assim como o Barcelona, o Santos trocou a figura do folclórico "cartola" por um comitê de gestão formado por pessoas de talento com capacidade de aprendizado rápido sobre a indústria do futebol.
O nome do livro é "A bola não entra por acaso". O autor, Ferran Soriano Compte, vice-presidente econômico do Barcelona de 2003 a 2008, período em que o clube venceu por duas vezes a Champions League e por três vezes o Campeonato Espanhol, além de ter consolidado novos mercados.
Diz assim, em certo ponto:
"No caso da equipe de gestão do Barcelona, todos os executivos contratados desde o verão de 2003 foram recrutados fora da indústria do futebol ou do esporte, mesmo não dispondo de muito tempo para curvas de aprendizagem. Apesar disso, constituíram uma equipe espetacularmente bem-sucedida, que levou o clube a mais que dobrar as receitas em apenas três anos e gerar benefícios de forma contínua.
Eram pessoas de grande talento, que tinham crescido profissionalmente em excelentes empresas nas indústrias de telecomunicações, bancária ou produtos de consumo. É certo que no verão de 2003 não tínhamos tempo, mas estávamos convencidos de que pessoas de talento podiam aprender rapidamente sobre uma indústria, o futebol, da qual tampouco havia muitas pessoas com experiência. Buscávamos executivos que fossem capazes de entender o clube e o negócio com rapidez, mas, acima de tudo, de aplicar a lógica e o bom-senso gerais."
O Barcelona sofreu um choque de gestão no verão de 2003, que surte efeito até hoje. Sem dúvida, uma iniciativa que influencia o momento vivido pelo Santos Futebol Clube, no biênio 2010/2011.
Para implantar um projeto vencedor em Vila Belmiro, a nova diretoria, eleita em dezembro de 2009, buscou atuar em duas frentes: a criação de um novo organograma administrativo e a busca de novos perfis de liderança.
Apaga-se a figura do folclórico “cartola”, centralizador, que decide desde o dia da faxina até qual será o esquema tático do time, para se estabelecer à governança corporativa, termo administrativo moderno, definido da seguinte forma: “Um sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os acionistas e os cotistas, Conselho de Administração, Diretoria, Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade”.
Na prática de um clube de futebol, os acionistas e cotistas são os associados, e o valor dessa sociedade é o retorno que a Instituição dá ao seu associado. O futebol se torna diferente e mais apaixonante justamente porque, subjetivamente, o retorno não se resume ao lucro e à saúde financeira, mas envolve também as conquistas. Sem um, o outro não caminha. E vice-versa.
Para executar a primeira frente de mudança – o organograma – foi aprovado um Novo Estatuto Social, moderno, inovador e que desfez alguns pontos da reforma promovida pela gestão anterior, principalmente em relação às condições de elegibilidade (agora mais flexíveis) e reeleições (antes ilimitadas, agora com o limite de uma reeleição somente).
Mas o Novo Estatuto será decisivo principalmente ao prever a criação de um Comitê de Gestão, composto pelo Presidente, pelo Vice-Presidente e por sete outros membros, com a necessidade de aprovação por maioria dos membros das matérias de mais relevância, como venda e contratação de atletas e a contratação de endividamentos.
Essa formatação permitirá maior fiscalização dos atos da administração do Santos, que não poderão ser mais tomados de maneira impulsiva pelo seu presidente, seja ele quem for. Mas é fato, também, que o presidente do Comitê de Gestão permanece sendo o representante legal do Santos perante terceiros, não tendo, em qualquer hipótese, reduzida a sua importância na vida do clube.
O sistema administrativo é inteligente e funcional. Só resta o capital humano para executá-lo. Difícil? Muito pelo contrário. Estamos no país do futebol. Diferente do que muitos imaginam, o Brasil possui profissionais capacitados e experientes em todas as áreas.
Acreditando nisso, antes de aprovar o novo estatuto – ciente do longo período até que sua aprovação se concretizasse e do cuidado necessário para que o documento atendesse a todas as expectativas - o Santos buscou uma alternativa para se antecipar. E vem recorrendo ao Grupo GUIA – Gestão Unificada de Inteligência e Apoio ao Santos FC, criado para apoiar a candidatura do atual presidente, Luís Alvaro de Oliveira Ribeiro, que conta com pessoas que cultivam a emoção como um “cartola” comum, mas decidem com a razão de um executivo do alto escalão, dedicando parte de seu tempo para uma causa nobre: o time do coração.
O resultado, após 16 meses, é uma administração profissional, marketing atuante, com força nos bastidores e um time permanentemente competitivo, cada vez menos dependente da ação de empresários. Para os “acionistas”, o retorno também foi satisfatório: até agora dois Campeonatos Paulistas e uma Copa do Brasil inédita. E o time está na final da Taça Libertadores da América 2011.
Algumas estratégias emblemáticas foram as que envolveram a negociação de jogadores. O primeiro passo é identificar o que chamamos de TCI² - talento, carisma e identificação. Ao quadrado. A equação do atleta de sucesso dentro e fora de campo. Casos da repatriação do atacante Robinho e do meia Elano, além do plano de carreira formatado pelo clube, que possibilitou a permanência da joia Neymar.
A principal ação de marketing no biênio 2010/2011 é, sem dúvida, a “Multiplicação dos Peixes”. Mais do que a ação em si, o projeto se torna grandioso por ser contínuo. O associado, hoje, ganha 50% de desconto em ingressos e pode reservar seu lugar no estádio através do site www.multiplicacaodospeixes.com.br, sem precisar sair de casa, e o pagamento é feito apenas junto com a fatura da mensalidade.
Além da associação em massa, o Santos reinventou seu departamento de comunicação. O clube investe na relação com o torcedor em diversas frentes: redes sociais, site oficial, canal de TV online e revista. Essa aproximação é o segredo para o torcedor sentir que faz parte da vida do time que ama, independentemente do lugar onde mora. A missão não é apenas angariar novos associados, mas sim mantê-los adimplentes.
Para encerrar, recorro novamente ao que prega o livro do ex-vice-presidente do Barcelona. Segundo ele, o modelo do clube espanhol parte do princípio de profissionalização total e descentralização de poder, que não é simplesmente delegar decisões a mais duas ou três pessoas, mas sim a profissionais talentosos e associados presentes.
Hoje, felizmente, o Santos possui os dois. E uma marca que retoma seu espaço no cenário mundial a passos largos. Isso sem falar na tradição e na magia das camisas alvinegras, para não ‘melindrar’ os fanáticos pelo clube catalão. Graças à competência administrativa dos dois times, existem boas chances de vermos um encontro de gigantes em Yokohama, no Mundial da Fifa em dezembro.
Bruno Fernandes - Diretor de Marketing do Movimento Resgate Santista
Fala, pessoal. Tudo bem?
Tudo que cresce em quantidade, precisa seguir o mesmo ritmo em qualidade. Precisamos nos reinventar.
Foi isso que o Movimento Resgate Santista fez. Nova diretoria, novo regimento interno e, acima de tudo, a mesma paixão pelo Santos.
E se a Resgate muda, a sua maior criação midiática também muda. O Santista Roxo tem mais gente competente, tecnologia e conteúdo.
O Portal tem dois novos editores: Marcos Fonseca, o Marcão, é o editor de opinião e blogs; Lúcio Nunes é o editor de noticiário. O maior feito da dupla, até então, foi, assim como a Resgate, reinventar o site. Temos um novo organograma jornalístico, mais colaboradores e uma competente repórter seguindo o Santos no CT, na Vila e onde mais precisar.
Um dos tradicionais carros-chefes do site - os blogs - não ficaram de fora. Eram mais de 50, muitas vezes pouco atualizados. Se não bastasse articular a limpeza de 40% dos mais defasados, a nova equipe editorial ainda organizou os melhores blogs por tema, definindo um dia da semana para cada titular expor a sua opinião.
A discussão do Santos, dentro e fora de campo, é feita com profissionalismo e bom senso no Santista Roxo, entre o articulista mais atarefado e o visitante mais comum do site.
Nossa missão primordial é liderar o debate e lutar pela democracia no Santos.
E 2011 é o ano certo para fazer isso. A estimativa é que o clube tenha a maior eleição de sua história, e toda a mídia santista precisa trabalhar unida - cada um defendendo as suas ideias - a favor do exemplo que vamos dar ao futebol brasileiro, do clube mais enxuto, transparente e democrático do país.
Bruno Fernandes - Diretor de Marketing do Movimento Resgate Santista.
Alô amigos, caros Santistas Roxos.
Quem escreve é o Lúcio Nunes.
A partir de agora, eu e Marcos Fonseca (do Blog do Filho do Sêo Fonseca) estamos de mangas arregaçadas para contribuir com o Portal. Passamos a integrar a equipe, ao lado do Raoni David, do Bruno Fernandes e dos integrantes da rádio mais ouvida entre a nação alvinegra, Manoel Camilo, Silvio Ewald, Caio Ruscillo e Kako Ferreira.
Blogueiros de longa data e desde 2001 vinculados à Associação Resgate Santista, pretendemos contribuir para que o Portal prime pelo dinamismo na informação, ofereça sempre espaços para que santistas possam compartilhar seus pontos de vista e inove para tornar seu conteúdo ainda mais referencial para comunidade alvinegra, reforçando a posição que consolidou ao longo dos últimos anos.
Aliás, uma das primeiras novidades é a nossa nova repórter, Helena Passarelli, que passa a ser setorista no CT Rei Pelé e vai nos trazer, em primeira mão, as principais notícias do dia-a-dia do Santos FC. Ela estreou ontem, com a cobertura do coletivo da última sexta-feira.
Além disso, é claro, os comentários deste blog estarão sempre abertos para receber as opiniões, críticas e sugestões dos leitores.
Por fim, gostaria de registrar minha saudação ao meu amigo de longa data, idealizador e editor-chefe "sênior" do Santista Roxo, Arnaldo Hase, hoje coordenador de comunicação do Santos Futebol Clube. Mais do que uma honra, dar sequencia a este trabalho é um chamado que nem eu, nem o Marcão poderíamos deixar de atender.
E um agradecimento também a toda diretoria da Associação Resgate Santista, principalmente ao presidente Luiz Roberto Serrano e ao vice-presidente Celso Pires, pela confiança e apoio.
Vamos em frente. E dá-lhe Santos!
Por Bruno Fernandes.
Fala, pessoal.
Faz tempo, né? O blog ficou abandonado. Admito.
Mas agora a promessa é de atualizações sempre por aqui. Se não cumprirmos, podem xingar.
Mas vamos cumprir, afinal, agora a cara do Blog Santista é outra, muito mais acessível e, além disso, o time aqui aumentou.
Sabe aquelas vozes, da Rádio Santista, que você está acostumado a ouvir sempre nos jogos do Santos? Pois é. O Manoel, o Silvio, o Caio e o Kako - esse o mais afeminado, tomem cuidado - vão atualizar o Blog da Redação conosco. Não quero nem ver o que vai sair aqui... Fiquem ligados!
E sejam bem-vindos!
Por onde começar? Bom, pelos outros.
O Corinthians, ah, o Corinthians... Dessa vez foi gostoso, os caras abriram dois gols, o Pacaembu veio a baixo, aquela confiança na virada, no quase impossível. A esperança de um segundo tempo inteiro de tensão, eles sofrem tanto quanto a gente! A diferença é sempre no resultado final.
O Palmeirinhas? Não sei se tenho raiva ou pena, é a menor força do Estado há algum tempo já, seu treinador racista não fez o milagre que esperavam e o primeiro semestre deles foi pro saco.
E o Diego Souza, Armero, Robert, aspirantes a dançarinos de axé, que deram um show ridículo na Vila. Quase se mijaram de alegria de nos vencer, mas e agora? Palmeirinhas, e agora?
Vamos guardar espaço para mais alegrias, senão esgota com os rivais.
O Santos venceu. Não venceu apenas o Atlético Mineiro - que, se fosse bom, não seria Atlético Mineiro, seria apenas Atlético - o Santos venceu mais uma guerra com a mídia, que esperava ver o Peixe sucumbir pelo menos nessa decisão. Mas, mais uma vez, se frustraram, e agora engolem o melhor time do Brasil.
A torcida deu um show na Vila, ontem, e o Luxa sentiu a pressão, pobrezinho.
Saiu feito um bebê chorão, que grita "não brinco mais!". O que ele esperava? Aplausos de pé e um cafezinho no banco? Nos poupe.
Diz ele que não trabalha mais aqui, além de não ser mais associado. Poxa vida, como vamos viver assim?
Agora, uma reflexão lógica: Luxemburgo é terceirizador do Depto. de Futebol das equipes por onde passa.
A "gestão" anterior só tem aspirações de sucesso caso jogue o futebol nas mãos de alguém.
Luxemburgo não trabalha mais no Santos, logo, a "gestão" anterior...
Vai pra cima deles, SANTOS!
Por Raoni David
Pois é, aparentemente não existe muito motivo para alegrias na capital paulista. Não tem virada cultural, nem esportiva, por exemplo. As chuvas que atrapalharam os primeiros 40, 50 dias acabaram, mas o calor é tão chato quanto. A Fórmula Indy não foi um grande espetáculo pelas falhas e até onde sei, o tal show de rock no Palestra Itália nem foi tão falado assim.
Então porque a cidade da garoa, que nem tem garoa mais, está em festa? Por causa do futebol, claro! Mas ninguém foi campeão ainda. Aliás, nem houveram chances ainda para comemorar títulos, pois os campeonatos estão na metade das primeiras fases. Em momentos insossos.
Mas então, catso, porque os paulistanos estão em festa? Acredite, santista, em função da vitória palmeirense na Vila Belmiro por 4 a 3, sobre o Santos. O santista que assim como eu, mora na capital, pode testemunhar. Os torcedores dos outros times, também rivais, são-paulinos e corintianos, estão festejando a vitória alviverde.
Em especial, os corintianos. Alguns me receberam e cumprimentaram com gargalhadas. Como se eu não soubesse que isso é apenas despeito do que aconteceu na Vila Belmiro. Os são-paulinos não estavam tão agudos nas gozações com a vitória do co-irmão, mas teimam em negar que o time de Dorival Júnior tenha o melhor futebol do Brasil.
Os vitoriosos então, parecem ter ganho um título. Desde a derrocada na reta final do Campeonato Brasileiro, não via tantas camisas e tantos sorrisos palmeirenses nas ruas da cidade.
Mas é claro. Como é que pode, este time da Baixada Santista que tanto atrapalhou a vida do trio de ferro ao longo da história, e que estava se acostumando nos últimos dois anos a ser mero coadjuvante, tirar o foco, o brilho dos times da capital.
Tudo culpa de Neymar, que por seu talento, tem beirado a marginalidade na boca de alguns irresponsáveis da imprensa e do próprio futebol. Primeiro, o garoto humilhou o ícone da história são-paulina Rogério Ceni com uma cobrança de pênalti fantástica. Com uma paradinha que o experiente e arrogante goleiro chamou de paradona, um recurso que ele mesmo já utilizou.
Para piorar, o menino mexeu com o xodó da cidade. O xodó da mídia, quem lhes paga o salário pela audiência. O erro no chapéu em Chicão, com a bola parada, revoltou este pessoal. Ainda mais acompanhado de vitória, com dribles e dancinhas após os gols. Ah! Essas dancinhas...
Desrespeitosos estes meninos! Não ganharam nada ainda! Só sabem fazer graça! São alguns dos argumentos que têm utilizado os patrulheiros do talento dos meninos da Vila.
Enfim, festeja paulistano torcedor do decantado trio de ferro. Enfim, em 2010, vocês nos venceram!
Por Raoni David
Nascido em 1984, cresci lendo sobre um futebol gostoso de se ver, ofensivo, abusado. Sempre mais preocupado com os gols, e não com os desarmes. Neste futebol, todas as equipes jogavam do mesmo jeito: o clássico 4-3-3. Ao mesmo tempo, jogadores daquela época se identificavam muito mais com as equipes, o que facilitava aos torcedores, memorizar as escalações.
Era simples. A linha de quatro na defesa, três no meio de campo. Dois homens abertos nas pontas e um atacante dentro da área. Do meio pra frente, o único volante em campo, vestiria a camisa 5; o meia-direita a 8 e o meia-esquerda, sempre o craque do time, tinha a 10. O ponta-direita jogava com a 7; o do lado esquerdo tinha a 11 e o atacante de área, ostentava a camisa 9.
Estes times, porém, estavam só nas linhas dos livros, ou seja, somente na história. Enquanto lia sobre os grandes times, imaginava-os, mas assistia ao Grêmio do técnico Felipão, com Dinho, Luis Carlos Goiano, Luciano, João Antônio, Adílson, Roger, todos ao mesmo tempo em campo, preocupados quase e tão somente, em destruir jogadas para depois Arce, Paulo Nunes ou Carlos Miguel cruzar para o Jardel e comemorar os títulos.
Sem falar no tetracampeonato que comemorei demais. Chorei. O Santos estava na fila e me sobrava desfrutar das alegrias da seleção brasileira. Mesmo que com Aldair, Marcio Santos, Dunga, Mauro Silva e Mazinho em campo. Sem falar no time do São Paulo, tricampeão mundial. Lugano virou ídolo. Também, um time que tinha dois volantes, mais outros dois zagueiros, o da sobra tem mais é que pegar moleza mesmo.
Mas era isso. O futebol estava fadado a não me deixar ver um time jogar da maneira que sempre sonhei ver. Sempre imaginei como fosse.
Eis que contra o Naviraiense, só de ver a escalação, nem queria acreditar. Arouca estava lá, com a camisa 5, a de volante. O Marquinhos com a 8 ao lado do craque Ganso com a 10. Robinho vestiu a 7 e logo no primeiro gol fez jogada de ponta-direita. Neymar vestiu a 11 e foi lá por aquele lado que fez o gol mais bonito do jogo. André, vestiu a 9 e jogou como manda o figurino, ou como fez Vavá na Copa de 62, por exemplo, aproveitando as oportunidades que apareciam vindas das pontas, ou especialmente de Garrincha.
E o time em campo, superou as expectativas e além de jogar bonito, conseguiu converter as possibilidades em gols. E sem forçar a barra. O ritmo de treino que o Santos empregou à partida, também era coisa daquele futebol de antigamente, quando equipes venciam na base da qualidade técnica, e não na força física ou velocidade. Naquele tempo, existiam jogadores e não atletas. Pelé talvez tenha sido o primeiro atleta, mas de tão gênio, conseguia ser as duas coisas.
Em partes, este time santista tem conseguido também unir as duas coisas. Dorival tem dito que para desarmar jogadas, basta se aplicar, ser determinado. E isso os meninos da Vila têm sido, e mostraram na partida contra a Portuguesa. Por isso, o treinador tem confiado na escalação do time de forma clássica e ofensiva, pois armar jogadas, este time já mostrou que sabe, e demais.
E vai repetir isso no clássico contra o Palmeiras, que promete ser um jogo maravilhoso, já que Antônio Carlos tem dito que seu time também precisa ser corajoso. Garante o técnico palmeirense que não deve entrar com três volantes ou três zagueiros. Os dois times vão buscar o gol, a essência do futebol!
Não é comparação. Não quero aqui, colocar frente à frente Arouca e Zito; ou Pelé e Ganso; ou Mengálvio e Marquinhos. Não tem cabimento. Mas este time santista, tem feito coisas daquele memorável time da década de 60, seguramente o melhor time que o futebol já viu em todos estes anos.
E isso não acontece somente dentro de campo. Mas na mídia também. Diz a história radiofônica nacional que o famoso canto que quase todas as torcidas entoam no estádio:
- caiu na rede é peixe, lelea...
Nasceu por causa do Santos, mas não pejorativamente, e sim pela vocação santista de marcar gols.
Ocorre que mesmo na década de ouro do nosso futebol, as atenções das grandes rádios, principal veículo de comunicação da época, estavam voltadas para os times com as maiores torcidas. Mas, o Santos, melhor time do mundo, não poderia ser esquecido.
Nem mesmo no Rio de Janeiro, cidade que sempre adorou e acolheu o time santista, lotando o Maracanã diversas vezes. Uma rádio da cidade maravilhosa, que sempre transmitia os jogos do Flamengo, colocava um repórter na Vila Belmiro, para acompanhar o jogo do Santos. E quando saía um gol – quase sempre santista -, o tal repórter interrompia a narração com um sonoro "tem Peixe na rede".
Isso, porém, ocorria com tanta frequência, que chegava a atrapalhar a transmissão, e mais tarde virou bordão, e depois, pela criatividade do povo brasileiro, canto de torcida.
Pois bem. Ao mesmo tempo que o Santos massacrava o Naviraiense, o Corinthians, time de maior torcida em São Paulo jogava pela Libertadores, grande obsessão da sua torcida, com transmissão da Globo, principal meio de comunicação do País, especialmente com seu monopólio no futebol.
No canto da tela da Globo, quando um outro time faz gol, aparece uma bolinha. Mas como a concorrente Bandeirantes passava o jogo do Santos, a tal bolinha não aparecia. Mas como ignorar este time santista e o espetáculo que ele estava promovendo, mesmo que num outro canal? Impossível!
Assim, contam os amigos corintianos que a todo instante a transmissão do jogo contra o Independiente Medellín era interrompida com:
- e o Santos faz mais dois.
Ou:
- e o Santos fez mais três.
Santástico!
Por Raoni David
Quando me preocupava mais em torcer que informar, preferia um milhão de vezes estar na arquibancada. Certamente, o confronto que me fez ir mais vezes ao estádio foi com o Corinthians. Também pudera, com a família toda alvinegra, dividida, este é o grande jogo em casa. Isso embora entenda que a rivalidade do Santos seja com o São Paulo, que é quem de fato nos afronta com relação aos títulos.
De todo modo, nas arquibancadas, vi muitos Santos e Corinthians. O primeiro jogo da minha vida num estádio, o Morumbi, 1 a 1 pela Copa Bandeirantes em 1994; as pedaladas em 2002; Fabiano matando o gavião na Vila em 2003; Tapia pegando pênalti no Pacaembu em 2004; Zé Roberto triturando no Pacaembu em 2006, com direito a gol de Leandro Diferenciado; e até gol antológico e dolorido de Ronaldo na Vila Belmiro no ano passado, eu vi!
Mesmo assim, no meu Santos e Corinthians inesquecível, estava em casa, rodeado por cerca de 20 torcedores rivais. Não faz tempo, e nem foi uma partida decisiva. Era a primeira fase do Campeonato Paulista de 2006. Mas se aparentemente não era um jogo que valeria taça, mais tarde soubemos reconhecer que aquele houvera sido a partida da arrancada para um título que não vinha há 22 anos.
A soberba rival era imensa, já que na última vez que as equipes se encontraram, na temporada passada, sofremos uma goleada estrondosa atípica. O time deles, campeão brasileiro da forma que sabemos como foi, não sofria muitas mudanças e seguia forte. Já o Santos oscilava muito na competição. Fato que acabaria após aquela partida, com uma sequência de seis vitórias e a liderança do campeonato alcançada.
Para começar o espetáculo, Luxemburgo entrou em campo com 12 jogadores em campo, confundindo de maneira patética o técnico Antônio Lopes, que coçando a cabeça, tentava entender o que estava acontecendo e instruir sua equipe. Fato é que Reinaldo iniciaria o jogo e Geílson – mal sabia ele o que estava por vir -, iria para o banco de reservas.
Iniciada a partida, tudo pronto para mais um massacre, certo? Errado! Cauteloso, o Santos tinha três zagueiros e um atacante, contra um time que tinha Ricardinho, Carlos Alberto, Tevez e Nilmar. Com isso era óbvio que seríamos acuados, mas era difícil passar por Maldonado, Fabinho, Domingos, Manzur e Luiz Alberto. Fábio Costa, de volta à Vila, pegava tudo!
Neto, pela ala-direita jogara como nunca e Kleber ainda vivia boa fase com a camisa santista. Tabata e Cleber Santana eram os homens de criação e Reinaldo a grande esperança. Mas, logo na primeira etapa, ele sentiu a contusão que lhe atrapalhou treinar a semana toda e Geílson – o iluminado entrou em campo. Odiado por uns, adorados por outros. Ruim de bola, mas com estrela. Este era Geílson com a camisa santista. Mal sabia ele, que aquela era a sua noite. Aliás, está aí algo que ninguém esperava.
Até porque o Corinthians atacava muito, e o ótimo Nilmar caído dentro da pequena área, quase debaixo do travessão, perdera ótima oportunidade no começo do jogo. Em outra oportunidade foi o próprio travessão quem ajudou o Santos. Ou seja, o gol corintiano era questão de tempo. Estava na cara isso. Só não via quem não queria. Ou só não via quem conhece o Santos. Quem é santista e não desiste nunca. Quem ficou desiludido com a maneira com que o rival conquistara o brasileiro da temporada de 2005, e lembrava de como seu time ganhou o de 2004. Contra tudo e contra todos!
Essa sensação de soberania corintiana aumentou quando o árbitro José Henrique de Carvalho deixou de marcar pênalti sobre Luís Alberto e ainda expulsou o zagueiro santista por reclamação. Eles eram superiores e ainda estavam com um a mais...
O desespero parecia tomar conta do time santista quando aos 33 minutos e oito segundos o zagueiro Domingos dominou pela direita e dois segundos depois deu um bicão. Ninguém poderia imaginar porém, que esta bola rifada viraria um ótimo lançamento para o esbaforido Geílson dominar com perícia aos 33 minutos e 12 segundos. O domínio do atacante santista, com a bola que havia acabado de tocar o solo e ganho velocidade, contra dois adversários, não foi dos mais fáceis. Com a perna direita, na ponta direita, Geílson deu um tapa na bola, tirando-a da direção do zagueiro Betão que estava à sua frente e escorregou pateticamente com o drible.
Com a bola passando entre os dois zagueiros corintianos, o atacante tomou o mesmo rumo e a seguiu. Marinho também seguiu os dois, mas não alcançara o atacante santista que deu o segundo toque na bola apenas quatro segundos após o primeiro e já à frente da meia-lua. O terceiro toque, dois segundos mais tarde, ou seja aos 33 minutos e 18 segundos já foi fatal. Bola tocada meio que de tornozelo, no canto esquerdo, sem defesa para o goleiro Marcelo.
Foram dez segundos, e não mais que cinco toques na bola que não só decidiram o clássico, mas também devolveu a dignidade ao torcedor santista. Tanto que Geílson, ao comemorar, corajoso, foi à frente da torcida rival imitar um mosqueteiro.
Eu? Bom... Devo ter feito muito mais coisas. Mas que me lembre, gritei tanto, chutei tanta coisa, dei tanto tapa em outras, inclusive no peito, no símbolo santista, que no outro dia não sabia explicar de onde vinha tanta dor. Garganta, dedão, peito e o dedinho cortado. Em casa, a mesa de plástico partida na tampa, de onde conseguira o corte no dedo.
Antes do fim do jogo Cleber Santana ainda cobrara uma falta forte, no canto do goleiro Marcelo que pegou a bola, mas só depois dessa ultrapassar inteira a linha do gol. A arbitragem, porém, prejudicara outra vez o time santista, ao não marcar o gol. Mas, desta vez, os erros e os acertos sempre com os mesmos, não conseguiram influenciar o resultado.
Ficha técnica: Corinthians 0 x 1 Santos
Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo, Morumbi.
Data: 12 de fevereiro de 2006
Competição: Campeonato Paulista
Público: 33.450
Renda: R$ 444.090,00
Gol: Geílson, aos 33 minutos do segundo tempo
Corinthians: Marcelo; Coelho, Marinho, Betão e Gustavo Nery; Bruno Octávio (Élton), Marcelo Mattos, Ricardinho e Carlos Alberto (Roger); Tevez e Nilmar (Rafael Moura).
Téc.: Antônio Lopes.
Santos: Fábio Costa; Domingos, Manzur e Luís Alberto; Neto (Wendell), Fabinho, Maldonado, Cléber Santana, Rodrigo Tabata (Léo Lima) e Kléber; Reinaldo (Geílson).
Téc.: Vanderlei Luxemburgo.