Márcio Roberto Barbosa
 Diadema - SP
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13/07/2010 
O MAL EM SER BOM
Se inveja matasse...

 Enfim, a Copa com pior índice técnico que já vi, chegou ao fim. Com ela a esperança de assistir novamente partidas disputadas, embaladas por gritos da torcida, e torcendo para que as vuvuzelas não virem moda por aqui. Porém, desejo discorrer sobre o que acontecia antes da Copa (torcendo para que não mude muito). Falar sobre a inveja que o Santos Futebol Clube causou em boa parte dos torcedores (cegos) de outras equipes.

 O que presenciei no primeiro semestre de 2010 foi sem duvida o melhor Santos que já vi na vida. Um time que joga fácil, buscando sempre o gol, sem abrir mão de jogar bonito. Esse time parece ter mudado a maneira de muitos treinadores de verem futebol (antes que digam “Menos o Dunga” quero frisar que ele nunca foi treinador).

 Muitos torcedores de outros times vinham sempre comentar comigo que esse e aquele eram craque, que esse e aquele gol marcaram época. Mas, quem consegue elogiar por muito tempo? Os mesmos que diziam que Ganso colocava a bola onde queria, começaram a achá-lo maldoso. Os indivíduos que babavam com cada drible de Neymar, começaram a destacar a marra com que o Camisa 11 se apresenta. Aqueles que exaltavam o futebol moleque do time peixeiro, começaram a criticar por suas “dancinhas debochadas”. Como pode um time que encanta, que deveria ser tendência, começar a se execrado por alguns. A resposta é simples: POR INVEJA!

 Isso, inveja! É complicado afirmar, mas quem a sente, não admite. Procuram justificar suas frustrações, caçando pelo em ovo. “Neymar é bom, mas é marrento Ganso é bonzinho, mas violento!” E assim caminham. Mas, o mais engraçado é ver os mesmos torcedores sisudos, os defendendo na Seleção antes, durante e depois da Copa. Essa incoerência até dá um certo charme ao futebol, mas que, paralelamente, dá raiva, dá sim.

 Lembro perfeitamente dos clássicos que perdemos. Pela primeira vez viu-se gambá comemorando vitória de porco e vice-versa. E não é inveja? CLARO QUE É! Inveja por não jogarem um futebol ousado e vencedor como o nosso. Inveja porque, para montar times competitivos, tiveram que vender a camisa, e mesmo assim, chuparam o dedo ao final dos contratos. Inveja mata? Não sei. Mas eu morro de rir.

 Um dia após a derrota para o SCCP, chego na padaria para tomar meu café e ouço: “Aê Santista, colocaram a molecada pra dançar, hein!? Quero ver tirar sarro agora.” Normal. Muito normal um torcedor dos gambás ficar com sorriso de orelha a orelha. Mas, peraí! O balconista é palmeirense! Inclusive ostentava por baixo do guarda-pó, uma camisa da SEP. Ainda tentei argumentar, mas, falar o que? O time já fez questão de humilhá-lo e eu não seria tão sádico a ponto de completar o serviço.

 Só espero uma coisa: que o Santos do segundo semestre, continue causando essa inveja ferrenha nos adversários. Espero que o futebol moleque não morra, mesmo que os adversários insistam nisso. Espero que Robinho, Ganso, Neymar, e agora Keirrison, deixem o torcedor santista cada vez mais alegre, e os amantes do futebol-botina, cada vez mais carrancudos.

 Vai, meu Santos! 2010 é o ano em que somente os amantes do bom futebol, terão motivos de sobra para falarem do velho esporte bretão.

 Mas, fiquem tranquilos, invejosos. Um dia também já senti inveja de não ter um cobrador de faltas como o Neto no meu time. Senti inveja por não ter um goleiro tão vencedor como Zetti na Vila Belmiro. E também senti uma frustração por não ter um goleador como Evair na área a favor do Santos. UM DIA SENTI. Complicado é quando esse dia começa a não ter fim. Ao menos, o meu teve.

 

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Escrito por Márcio Roberto Barbosa às 15h02.

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