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 Marcos Fonseca
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03/05/2010 
FINALÍSSIMA
BANDA JOVEM DO TIME SUPERA OS EQUÍVOCOS DO TREINADOR

Dentro de campo, não houve festa nem poesia. Foi um longo drama, que quase virou
tragédia. Os meninos superaram o mais duro teste com louvor. DJ deixou a desejar


Dorival Júnior não tinha o direito de fazer o que fez. Nos dois jogos decisivos, abriu
mão dos acertos e apostou nos erros. Colocou em risco não só o título, mas todo um
projeto de futebol e uma revolução na gestão do clube. Por medo ou, talvez, por não
acreditar no time que tão brilhantemente ajudou a montar.

Depois dos sustos de ontem, fico pensando se o treinador, ao contrário do que sempre
defendi aqui, não foi uma espécie de Leão em relação ao time de 2002. Um inocente útil,
que só por falta de alternativa colocou para jogar Robinho e Diego. Se DJ, agora, não agiu
movido pelas circunstâncias, menos do que por convicção.

O futebol envolvente e ofensivo que o Santos mostrou ao longo da competição, sucesso
de público e de crítica, baseou-se em dois movimentos: a escalação de três atacantes e
o afastamento dos chamados volantes de ofício. Até as vitórias sobre o São Paulo,
parecia caso pensado, opção que amadureceu ao longo do campeonato.

Após as duas finais, entretanto, a impressão é outra. A de que Dorival nunca morreu de
amores pela formação com Robinho, André e Neymar. Que foi apenas o baixo nível dos
volantes disponíveis que o levou a prestigiar os três atacantes.

Teria havido excesso de oferta de um lado, a partir da chegada de Robinho, e absoluta
escassez de outro, fracassadas todas as tentativas com Mancha, Brum, Germano e
Rodriguinho. Típico caso em que a quantidade está muito longe da qualidade.

No domingo anterior, o deslocamento de Wesley para compor o meio de campo, embora com
o sacrifício de André (que se mostraria equivocado), ainda fez algum sentido. Porque Wesley
é bom jogador, tem mobilidade e velocidade. Ontem, porém, a escalação de Rodrigo Mancha
foi um despropósito quase fatal.

Se a intenção do técnico era dar mais pegada ao time e proteção à zaga, a frustração ficou
evidente desde o primeiro minuto de jogo, quando o Santo André chegou com facilidade ao
nosso gol. E logo tornou-se nítido, também, que, com dois jogadores extremamente lentos no
meio, não teríamos como enfrentar o adversário bem armado.

Salvou-nos o futebol monstruoso de Neymar e Paulo Henrique, bem coadjuvados por
Robinho, Arouca e Pará. Porque o treinador, além de amedrontado, sofreu paralisia
mental a partir dos 37 minutos do primeiro tempo, quando Marquinhos foi expulso.

Dorival levou exatos 45 minutos depois desse lance crucial do jogo (contados os 10
minutos finais do primeiro tempo, incluídos os dois de prorrogação; os 20 do intervalo
estendido, e mais 15 de bola rolando no segundo tempo) para tomar a primeira atitude.

Tirou Robinho e colocou André. Nem corrigiu o erro da escalação inicial nem
resolveu o problema do Santos. Que continuou em campo, vestido de Rodrigo Mancha.

Mais adiante, trocou Neymar por Roberto Brum. Parecia seguir um plano perfeito de
entrega do título ao adversário. Juntos ou separados, há muito Mancha e Brum deveriam
estar afundando outros times e infelicitando outras torcidas. Não se sabe exatamente
porquê continuam na Vila.

Sabe-se apenas que o treinador gosta dos dois e que ambos colocam o resultado dos
jogos na conta de algo superior. Em causa própria, na verdade, não deixam de ter razão.
O que lhes resta é animar cenas ridículas, como a da oração final no centro do campo. Um
agradecimento que qualquer deus sério dispensaria, por indevido.

Se houve algo sobrenatural, ontem, no Pacaembu, foi o futebol de Paulo Henrique.
Quando tudo parecia perdido, o El Cid paraense conduziu a estropiada armada santista
na resistência heróica. Quase sozinho, já que àquela altura podia contar apenas com
pontuais contribuições do inacreditável Arouca.
 
Paulo Henrique, além de tudo o que jogou, ainda assumiu em campo as responsabilidades do
treinador. Na prática, destituiu o chefe, ao desautorizar publicamente a última tentativa de DJ
de destruir o Santos. Daqui ninguém me tira, respondeu para o banco, ao ver que seria
substituído nos instantes finais. E ficou, para a felicidade geral da nação santista.



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Escrito por Marcos Fonseca às 09h43.

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