Robinho bem que tentou, mas não conseguiu fazer um gol em impedimento. Teria sido a
cereja do bolo, mas os bandeirinhas não deixaram. Foi uma pena, porque tirou dos
adversários mais um motivo de queixa, além do “gol de mão” e da “encenação” de Neymar
no pênalti que originou o segundo gol santista. Dos impedimentos de Robinho no primeiro
tempo conferi os acertos da arbitragem com os próprios olhos. Ocorreram na minha frente.
Já os gols aconteceram no segundo tempo, do lado oposto ao que me encontrava. Tive de
recorrer aos “melhores momentos” da TV para concluir que nada houve de errado com eles.
No primeiro, Neymar é empurrado pelo zagueiro e só por isso está na direção da bola
cruzada por Marquinhos. A bola bate no garoto – no braço, no ombro, no coração dele ou no
escudo do Peixe, como esclarece um amigo – e não o contrário. Não havia como juiz e
bandeirinha verem irregularidade ali. No máximo, o juiz poderia ter anulado o gol e
assinalado o pênalti, para maior humilhação do goleiro tricolor.
No segundo, houve ou não o pênalti? Neymar foi ou não tocado pelo defensor rival? Mesmo
a TV, com todos os seus recursos, jamais dará um resposta definitiva. Olhando os mesmo
replays, metade das pessoas responderá “não foi”, e a outra metade terá a certeza contrária:
“foi!” Para mim, as imagens são claras: Miranda toca a perna de Neymar fora da área e, em
seguida, o desloca por trás, já dentro da área.
Simulação esperta, decretam comentaristas mais ou menos imparciais. Minutos antes,
entrando pela direita da área, Neymar foi agarrado e desequilibrado, e prosseguiu na jogada.
Se tivesse caído, a penalidade máxima seria indiscutível. Por que no lance seguinte, com a
marcação superada, a bola dominada e apenas o goleiro pela frente, ele trocaria o gol certo
pela encenação? Fim das minhas dúvidas. O pênalti existiu e foi muito bem marcado.
Passemos, pois, ao que interessa, que é festejar o nosso time. Ontem, ele esteve perto
da perfeição. Além do ataque arrasador, o melhor do mundo este ano, teve também uma
defesa muito segura, do goleiro Felipe aos volantes Arouca e Wesley, passando pelos dois
laterais e pelos dois zagueiros. Eles não deram chances ao adversário, que nada fez para
ganhar o jogo e agora se apega a decisões no máximo discutíveis da arbitragem para
desmerecer nossa vitória.
O time esteve a tal ponto equilibrado que, ao lado das “figurinhas carimbadas” (Arouca, PH,
Robinho e Neymar) é preciso incluir na lista de escolha do melhor da partida os laterais Léo
e Pará e também o zagueiro Durval. Ou seja: qualquer um desses sete pode ser apontado
como grande destaque da partida, sem injustiça aos demais. Injusto, na verdade, é excluir
Felipe, Edu Dracena e Wesley da lista. E isso considerando-se apenas os 11 que começaram
jogando, porque Madson também teve seus costumeiros “15 minutos de glória”.
Alguém poderia dizer, ainda, que o discreto Dorival Júnior foi o melhor em campo, sem o
risco de a escolha ser considerada absurda. Porque o dedo do treinador se fez presente em
cada disputa de bola, e foi decisivo. Eu, por exemplo, não mexeria nem no time nem no
esquema. Manteria Wesley na lateral e o “quinteto fantástico”. Teria tirado dE Pará a chance
de fazer sua mais espetacular partida pelo Peixe.
Se fosse mexer, eu tiraria o Marquinhos, não o André, colocando Robinho para jogar um
pouco mais atrás, como meia. Não é certo, porém, que o resultado fosse tão bom quanto o obtido.
E, para acrescentar mais um item ao repertório de ousadias do treinador, ele ainda substituiu
simultaneamente Robinho e Neymar. Com direito a aumentar o placar, na belíssima jogada de
Madson, e a manter acima de três a nossa média de gols por partida.
É ou não é um gênio, o nosso treinador?