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 Marcos Fonseca
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05/07/2010 
ERA DUNGA II
QUANDO A COERÊNCIA PODE SE CHAMAR BURRICE

A colega de trabalho pergunta, depois da derrota: “Quem o Dunga poderia
colocar no lugar do Felipe Melo? Com Elano machucado e Ramires
suspenso, que opções ele tinha?” A moça defendia o treinador. Deu
vontade de responder com um antigo bordão do humorista Chico Anysio*:
“Ninguém, Pedro Bó. O Dunga não tinha ninguém!”.

De fato, o treinador ficou sem saída, no jogo de ontem, mas isso nada teve
a ver com a perda dos meias, um por contusão, outro por acúmulo de
cartões amarelos. Dunga enredou-se na própria teia muito antes de
embarcar para a Copa. Foi quando se decidiu por um esquema de jogo
excessivamente precavido, com dois volantes, e deu prioridade ao
“comprometimento”, em lugar do talento, na escolha dos jogadores.

Sua teimosa obstinação levou-o a imaginar que seria possível conquistar o
Mundial contando apenas com a força do sistema defensivo. Apegou-se a
uma única variável do jogo da bola: aquela em que o adversário ataca e o
seu time contra-ataca. Sempre que ocorreu o contrário, e precisou tomar a
iniciativa, a seleção de Dunga não foi bem. Mesmo contra equipes fracas,
como Bolívia e Peru, nas eliminatórias.

Na África do Sul, o fenômeno se repetiu contra a Coréia do Norte
Portugal, na fase classificatória, e ontem, após a virada da Holanda. Nas
ocasiões em que teve de atacar, quem assumiu a missão de conduzir o time
foi o voluntarioso, mas limitado, zagueiro Lúcio. Porque não havia em
campo um único armador de qualidade e inexistiam no banco reservas
com a necessária habilidade. Só novas doses de futebol-força, como o
sarado Júlio Batista.

Bem que o país inteiro desconfiou das possibilidades brasileiras na Copa,
ao sentir o cheiro da mediocridade na seleção convocada pelo capitão do
tetra, transformado em técnico por Ricardo Teixeira. Jogadores em ótima
fase, como os santistas Neymar e Paulo Henrique, não foram chamados
para o Mundial da África. Os lugares que poderiam ocupar no grupo
foram mantidos em poder de quem melhor preencheu os requisitos de
fidelidade e antiguidade estabelecidos por Dunga.

A isso, na época, deu-se o nome de coerência, inclusive por certos sábios
da crônica esportiva. Ontem, a parte da torcida que pôde se manifestar
diante do hotel de Port Elizabeth, após a eliminação, preferiu chamar o
treinador de burro. E a ofensa também faz sentido. Porque coerência,
muitas vezes, nada mais é do que manifestação da mais rematada burrice.


*No texto original, publicado sábado, dia 3 de julho, no jornal A Tribuna, por engano
atribuí o personagem, um sujeito muito tapado, ao humorista Jô Soares.



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Escrito por Marcos Fonseca às 12h02.
08/06/2010 
MOMENTO DECISIVO
COM OS APORTES DA TEÍSA, SANTOS GARANTE O PRESENTE E PROJETA O FUTURO

Uma engenhosa solução financeira dá sustentação ao combalido caixa do clube, devastado pela
irresponsabilidade da diretoria anterior, e abre ótimas perspectivas para a próxima temporada


Eu também quero um goleiro acima de qualquer suspeita (se existe, quem será?), pelo menos mais
um bom zagueiro, outro lateral e um volante eficiente na marcação e no passe. No ataque do
Peixe, quero ver aquele matador frio e calculista que é sonho de consumo de 10 em 10 clubes de
qualquer lugar do mundo. Pego-me imaginando um meio de campo com Zé Roberto e PH e dou de
barato que são certas a contratação definitiva do Arouca e a permanência do Robinho na Vila, para
todo o sempre, amém. Esse é o sonho, mas ele acaba assim que se confronta com a realidade.

Rigorosamente, não haveria dinheiro sequer para manter o time atual. Desde o início deste mês, só
entrarão nos cofres do Peixe, pelas vias normais, os trocados das rendas dos jogos com mando
nosso. Abstraído o preço da dívida colossal e criminosa perpetrada pela antiga diretoria, o custo
mensal do clube, por volta de R$ 5 milhões, poderia ser encarado com folga. Mas a gestão Marcelo
Teixeira fez serviço completo. Não satisfeita em endividar o Peixe da forma mais irresponsável,
antecipou em 2009 todas as demais receitas previstas para este ano.

A nossa sorte é que, se a grana acabou, nunca se esgotarão o amor pelo Santos e a
competência da atual diretoria e do grupo de empresários e executivos que lhe dão
sustentação. Da Teisa – Terceira Estrela Investimentos SA virão os recursos que irão
assegurar a manutenção do clube pelos próximos meses, sem que se tornem imperiosas
a venda dos principais craques e a antecipação predatória de receitas (a Globo não dá
dinheiro de graça; pelo contrário, cobra juros altíssimos).

Tudo isso posto, tem-se um quadro alarmante a curtíssimo prazo (mas com solução já
encaminhada) e uma perspectiva das mais animadoras para 2011. Dando tudo certo, o
clube iniciará o ano com suas receitas intocadas e com notável incremento nos
patrocínios, já que eles serão negociados no tempo certo. O cenário será ainda melhor
se o time confirmar a conquista da Copa do Brasil, no início de agosto, o que desde já
garantirá a presença do Peixe na próxima Libertadores, e a diretoria conseguir segurar
os principais jogadores, na próxima janela de transações internacionais.

Sabe-se que nem passa pela cabeça de Luis Alvaro e seus companheiros a hipótese de
se desfazer das jóias da nossa coroa, mas eles nada poderão fazer se algum interessado
aparecer com o dinheiro da multa contratual e o jogador quiser sair. Aí, a perda será
inevitável. Mas não irreparável, desde que seja mantida a política de investimento em
jovens promessas e a aposta nas revelações da base, política e aposta que
historicamente estão na origem dos melhores times do Santos.

O que mais deve animar o torcedor santista é perceber que o clube está em boas mãos.
Com elas, não há a menor dúvida de que as dificuldades financeiras do momento serão
superadas (sem prejuízo do time, magicamente tornado competitivo e brilhante, contra
todas as previsões para esta temporada), ao mesmo tempo em que se desenvolve um
projeto de recuperação e estabilização do clube inédito no futebol brasileiro.

Porque tanto a Teísa, quanto o Fundo de Investimento, que a sucederá, não foram
arquitetados como negócio para investidores (eles receberão apenas a remuneração
do capital investido), mas sim como soluções de emergência para fazer migrar, do
vermelho para o azul, a contabilidade do Peixe. Assim que o clube alcançar o esperado
equilíbrio econômico-financeiro, ainda durante a atual gestão, o remédio esgotará seu
prazo de validade. Com as próprias pernas, o Santos caminhará para ser dono e senhor
de seus principais ativos, que são o time de futebol e suas estrelas mais fulgurantes.



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Escrito por Marcos Fonseca às 19h35.
12/05/2010 
SELEÇÃO
UM TÉCNICO MENOR DO QUE O APELIDO QUE CARREGA

Espero que Neymar e PH estejam com muita ódio de Dunga e dos

gaúchos em geral. E que o Grêmio pague bem caro por eles

  

Com a convocação de ontem, ficou provado que o Dunga verdadeiro é o da Copa de 1990,
e não o da Copa de 1994. Ficou demonstrado que a escolha do encorpado volante
gaúcho para símbolizar uma seleção fracassada e uma era triste do futebol brasileiro foi mais
do que merecida. Dunga só não completou o serviço, em sua segunda presença num Mundial,
porque Romário e Baggio não deixaram e o Brasil, aos trancos e barrancos, ganhou o tetra.

O Dunga que hoje escolhe o mais monumental plantel de pernas de pau já chamado para
representar o país é o mesmo que nem a pontapés conseguiu brecar a Argentina, duas
décadas atrás, na Itália. O jogador de futebol tosco está na origem do técnico que agora se
encanta com Gilberto Silva e Felipe Mello. Dunga é uma versão de Zagallo, o medíocre ponta-
esquerda que detestava ver sua posição ocupada por ponteiros talentosos.

O atual treinador vinha dizendo, ultimamente, que a maior conquista do time dele foi devolver
a seleção ao povão. Afirma que os seus jogadores fizeram a torcida brasileira recuperar a
estima pelo escrete canarinho. Baboseiras desse tipo enchem o treinador de orgulho. Por isso,
ele não estava preparado para enfrentar contestações.

O problema é que o súbito brilho dos garotos santistas ofuscou sua "maravilhosa" seleção.
Aquela que conseguiu arrancar empates caseiros contra a fortíssima Bolívia e o temível Peru,
nas eliminatórias sul-americanas  Aquela mesma que conquistou a Copa das Confederações
vencendo de forma heróica verdadeiras potências do futebol, como a África do Sul e os
Estados Unidos. Foi o contraste entre a palidez dos seus eleitos em comparação com a
luminosidade dos meninos da Vila que deixou Dunga mordido.
 
Princpalmente com Neymar, a quem dedicou expressões raivosas, na coletiva de ontem.
Na pior escola luxemburguesa, o anão abusou da ironia e do sarcasmo e, ao atingir o garoto de
forma covarde e desonesta, pôs a nu sua baixa estatura moral. Escancarou, de modo a não
restar dúvidas, que o apelido não lhe vem da semelhança com o carrancudo baixinho da
história infantil, mas da pequenez do seu caráter.

Neymar não tem culpa de gostar de jogar e de fazer do futebol um espetáculo alegre, bonito e
apaixonante. Não pode ser condenado por receber justas homenagens pelo sorriso que
arranca dos amantes do futebol cada vez que pega na bola  Não merece o tratamento recebido
do troglodita de estimação de Ricardo Teixeira.
 
Excluído, porém, Neymar fica em melhor companhia. Não só a do amigo Paulo Henrique e
dos demais companheiros do maravilhoso time santista, mas de outros craques verdadeiros,
como Ronaldinho Gaúcho, Diego, Renato, os dois Alex (zagueiro e meia) e o bom goleiro Vitor,
igualmente ignorados. E pode ficar, ainda, com uma certeza: é melhor adiar o sonho por uns
tempos do que seguir no barco furado do sargento Dunga e seu destino trágico.



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Escrito por Marcos Fonseca às 01h02.
03/05/2010 
FINALÍSSIMA
BANDA JOVEM DO TIME SUPERA OS EQUÍVOCOS DO TREINADOR

Dentro de campo, não houve festa nem poesia. Foi um longo drama, que quase virou
tragédia. Os meninos superaram o mais duro teste com louvor. DJ deixou a desejar


Dorival Júnior não tinha o direito de fazer o que fez. Nos dois jogos decisivos, abriu
mão dos acertos e apostou nos erros. Colocou em risco não só o título, mas todo um
projeto de futebol e uma revolução na gestão do clube. Por medo ou, talvez, por não
acreditar no time que tão brilhantemente ajudou a montar.

Depois dos sustos de ontem, fico pensando se o treinador, ao contrário do que sempre
defendi aqui, não foi uma espécie de Leão em relação ao time de 2002. Um inocente útil,
que só por falta de alternativa colocou para jogar Robinho e Diego. Se DJ, agora, não agiu
movido pelas circunstâncias, menos do que por convicção.

O futebol envolvente e ofensivo que o Santos mostrou ao longo da competição, sucesso
de público e de crítica, baseou-se em dois movimentos: a escalação de três atacantes e
o afastamento dos chamados volantes de ofício. Até as vitórias sobre o São Paulo,
parecia caso pensado, opção que amadureceu ao longo do campeonato.

Após as duas finais, entretanto, a impressão é outra. A de que Dorival nunca morreu de
amores pela formação com Robinho, André e Neymar. Que foi apenas o baixo nível dos
volantes disponíveis que o levou a prestigiar os três atacantes.

Teria havido excesso de oferta de um lado, a partir da chegada de Robinho, e absoluta
escassez de outro, fracassadas todas as tentativas com Mancha, Brum, Germano e
Rodriguinho. Típico caso em que a quantidade está muito longe da qualidade.

No domingo anterior, o deslocamento de Wesley para compor o meio de campo, embora com
o sacrifício de André (que se mostraria equivocado), ainda fez algum sentido. Porque Wesley
é bom jogador, tem mobilidade e velocidade. Ontem, porém, a escalação de Rodrigo Mancha
foi um despropósito quase fatal.

Se a intenção do técnico era dar mais pegada ao time e proteção à zaga, a frustração ficou
evidente desde o primeiro minuto de jogo, quando o Santo André chegou com facilidade ao
nosso gol. E logo tornou-se nítido, também, que, com dois jogadores extremamente lentos no
meio, não teríamos como enfrentar o adversário bem armado.

Salvou-nos o futebol monstruoso de Neymar e Paulo Henrique, bem coadjuvados por
Robinho, Arouca e Pará. Porque o treinador, além de amedrontado, sofreu paralisia
mental a partir dos 37 minutos do primeiro tempo, quando Marquinhos foi expulso.

Dorival levou exatos 45 minutos depois desse lance crucial do jogo (contados os 10
minutos finais do primeiro tempo, incluídos os dois de prorrogação; os 20 do intervalo
estendido, e mais 15 de bola rolando no segundo tempo) para tomar a primeira atitude.

Tirou Robinho e colocou André. Nem corrigiu o erro da escalação inicial nem
resolveu o problema do Santos. Que continuou em campo, vestido de Rodrigo Mancha.

Mais adiante, trocou Neymar por Roberto Brum. Parecia seguir um plano perfeito de
entrega do título ao adversário. Juntos ou separados, há muito Mancha e Brum deveriam
estar afundando outros times e infelicitando outras torcidas. Não se sabe exatamente
porquê continuam na Vila.

Sabe-se apenas que o treinador gosta dos dois e que ambos colocam o resultado dos
jogos na conta de algo superior. Em causa própria, na verdade, não deixam de ter razão.
O que lhes resta é animar cenas ridículas, como a da oração final no centro do campo. Um
agradecimento que qualquer deus sério dispensaria, por indevido.

Se houve algo sobrenatural, ontem, no Pacaembu, foi o futebol de Paulo Henrique.
Quando tudo parecia perdido, o El Cid paraense conduziu a estropiada armada santista
na resistência heróica. Quase sozinho, já que àquela altura podia contar apenas com
pontuais contribuições do inacreditável Arouca.
 
Paulo Henrique, além de tudo o que jogou, ainda assumiu em campo as responsabilidades do
treinador. Na prática, destituiu o chefe, ao desautorizar publicamente a última tentativa de DJ
de destruir o Santos. Daqui ninguém me tira, respondeu para o banco, ao ver que seria
substituído nos instantes finais. E ficou, para a felicidade geral da nação santista.



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Escrito por Marcos Fonseca às 09h43.
30/04/2010 
FINAL DE SONHO
O GOL CENTENÁRIO E A FESTA DO G10

O Santo André merece todo respeito, mas o blogueiro tem o direito de se
imaginar participante de uma festa inesquecível, domingo, no Pacaembu


Robinho fará os dois primeiros gols do Santos, neste domingo. O segundo será o 100º
do time na temporada. Clima de festa, o Pacaembu lotado entoará a seguir a contagem
centenária: 10, 20, 30... 80, 90, 100. Mas isso logo será esquecido, porque a marca será
rápida e amplamente superada e dará lugar a outras emoções.

Metade do segundo tempo, novo alarido. Dorival Junior chama Giovanni e avisa
Robinho para liberar a braçadeira de capitão. A geração 2002 dará lugar à geração 1995,
que será recebida em campo por Neymar e PH, da geração 2010. Tudo como imaginou
Luis Álvaro, ao reunir no mesmo time nossos maiores ídolos recentes.

Os minutos finais serão puro encantamento. G10 jogará como sempre – o fino da bola –
e exorcizará de forma definitiva as desfeitas sofridas no clube que tanto ama e para o
qual tanto deu. Enterrará de vez seus poucos desafetos e ocupará, enfim, seu lugar
inamovível no coração de todos os santistas.

No mesmo sonho, perdido entre a massa alvinegra, chorarei como criança, misturando
os melhores sentimentos e a mais abjeta raiva. Pois a maior e mais forte lembrança não
virá do craque, mas do homem de caráter. O único que ousou afrontar os esquemas e as
bandalheiras do futebol, posto que deles e delas foi vítima em 1995 e 2005.

Lembrarei do chutão do Giovanni no jogo espúrio. Naquela noite, o príncipe que
sempre tratou a bola como amada, bateu sem dó nem piedade nela. Lançou-a para o alto
como um grito de revolta. A bola entendeu, e ficou ainda mais apaixonada.



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Escrito por Marcos Fonseca às 10h17.
29/04/2010 
ATLÉTICO MG 3 A 2 SANTOS
ESSE TIME SÓ ME DÁ ALEGRIA

Numa noite não totalmente feliz, com desfalques importantes, Peixe controla um adversário motivado
e mostra futebol e inteligência para superar as dificuldades e encaminhar a classificação na Copa


Desde que Dorival Junior montou o surpreendente Peixe 2010, poucos times ousaram encarar o
Santos de igual para igual, conseguindo dominar boa parte do jogo e defender-se de forma
consistente. Que eu lembre, apenas a Lusa, no 1 a 1 do campeonato paulista. O São Paulo também,
mas só durante 20 minutos, na primeira semifinal. No fim, perdeu inapelavelmente.

A noite passada, o Galo forçou o Peixe a jogar como não gosta e não sabe. Com a zaga quase
dentro da área e a intermediária defensiva totalmente exposta ao adversário. Os mineiros chegaram
à vitória porque tinham um goleador em noite inspirada, uma torcida ensandecida e um treinador
sedento de vingança.

Luxemburgo vive em busca de argumentos para sustar a própria decadência. Na falta de coisa
melhor, cria intrigas e mentiras no twitter. Ontem, teve a oportunidade de apresentar algo mais
concreto: vencer os meninos do Santos, cujo sucesso tanto o azucrina. Deve ter aterrorizado os
jogadores e comemorou cada gol como grande façanha.

O antídoto santista para a fúria era simplesmente manter o estilo. Jogar com a fluência costumeira,
com toques rápidos, velocidade e muita movimentação. Mas o Peixe sentiu demais as ausências de
Léo e Neymar, além da entrada de George Lucas, totalmente sem ritmo, na lateral direita. Foi por ali,
depois do gol prematuro, que se abriram os espaços para o futebol de Muriqui, da espécie Tiuí.

Mas o Santos também ajudou. Wesley esqueceu-se de que sua primeira missão era atuar ao lado de
Arouca e deixou o companheiro sozinho para cobrir os dois lados do campo. Além disso, nas
circunstâncias do jogo, tornou-se um luxo a presença do toque refinado de Marquinhos.

Parêntesis: Marquinhos é lento por natureza, mas dá velocidade à bola, que é o mais importante,
e se coloca muito bem. No vasto Mineirão, entretanto, chegava sempre atrasado ao ataque e não
conseguia voltar a tempo de ajudar na marcação.

Em decorrência, a vigilância sobre os meias e atacantes do Galo afrouxou e vieram os erros de
passe, na armação do contra-ataque. Mesmo assim, logo o jogou ficou bem parelho, até os mineiros
encontrarem o segundo gol, nas costas do nosso lateral direito.

Imaginem se fosse no tempo da dupla VL-MT! Depois do 2 a 0, viria um saco. Mas, ao invés da
goleada, o que aconteceu foi o gol de Robinho. Que apagou o fogo da torcida mineira e fez o
“professor” retirar-se de cabeça quente para o vestiário.

Quase empatamos no início do segundo tempo. André chutou bem, mas errou o gol por pouco. O
Galo volta a pressionar, Tardelli escapa do Pará, recebe o passe e, num toque, abre a avenida entre
Dracena e Durval. Fica livre para marcar o terceiro.

Dorival corrige o erro inicial e tira George Lucas, Maranhão entrou bem melhor. Também tirou
Marquinhos e fixou um poste (Mancha) entre o Arouca e o lateral direito. Foi o suficiente para acabar
com a festa que Muriqui Tiuí fazia por aquele lado.

Cansado de levar pontapés pelas costas do carrapato Zé Luís, PH busca o jogo na nossa
intermediária. Arouca avança e o Peixe assume o comando da partida. Sem forçar a barra, foi
fazendo a ocupação do campo mineiro.

Zé Edu entrou e ajudou a movimentação de Robinho e Wesley. Maranhão também incomodava pela
direita do nosso ataque. Luxemburgo sente o drama e vai recuando o seu time. O Galo encolhe e
começa a entregar.

Na jogada de PH com o Zé, Dracena faz o segundo e cala de vez o Mineirão. A empolgação que
durou até os 37 minutos do segundo tempo dá lugar à apreensão. O time da casa termina o jogo
tentando segurar a bola no meio do campo, com medo de levar o empate.
 
É por isso que eu gosto do nosso treinador e desse time maravilhoso. Em nenhum momento,
o receio de voltar com um placar inalcançável paralisou os santistas. DJ sabe o que faz.
Erra, como todo técnico, mas corrige a tempo. E os jogadores têm uma consciência impressionante
da própria capacidade. Não violentam seu jeito de jogar, quando as coisas não vão bem. Seguem na
mesma balada bonita, porque sabem que, inevitavelmente, dará certo.

A noite passada, deu certo de novo. Está assegurada a classificação para as semifinais. Com Leo e
Neymar de volta e Arouca numa noite melhor, Luxemburgo e seu time levarão uma sova na Vila.
Paulo Henrique e Robinho nem precisarão jogar a enormidade que jogaram no Mineirão.



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Escrito por Marcos Fonseca às 14h18.
26/04/2010 
SANTO ANDRÉ 2 A 3 SANTOS
O RESULTADO FRUSTROU, MAS PREPAROU UMA GRANDE FINAL

Sem o peso dos cartões amarelos e com uma escalação digna da grande campanha,
o título virá em alto estilo, com espetáculo de gols e virtuosismo dos meninos


No fim do primeiro jogo contra o São Paulo, nas semifinais, o técnico Ricardo Gomes
fez uma avaliação interessante. Disse que a situação do time dele era pior ao fim do
primeiro tempo, com um jogador a menos em campo, placar de 2 a 0 contra e viés
(como dizem os economistas, hoje) de goleada. Comemorou o 2 a 3 final como
vitória, na vã esperança de reverter a vantagem santista no segundo jogo, na Vila.

De fato, ficou até entre santistas a sensação de que o time havia perdido uma
grande chance de resolver a fatura ali e que correria riscos no segundo jogo.
Sentimento parecido acompanhou a saída da massa santista do Pacaembu, ontem.
O grande incômodo era o segundo gol marcado pelo adversário numericamente
inferiorizado, num momento em que o caminho da goleada parecia definitivamente
aberto. Frustrado, o previsível grito de campeão calou-se nas arquibancadas.

Muitos dedos voltam-se acusadoramente para o técnico Dorival Júnior. Ele teria
errado na escalação inicial (sem o centro-avante André) e, mais ainda, na
substituição de Pará por Madson, logo após a expulsão do zagueiro rival. Concordo
com as críticas, mas continuo dando o maior crédito ao treinador. Afinal, foi ele quem
criou esse time, inexistente há quatro meses, dos escombros do tsunami MT/WL.

Só espero que DJ tenha entendido algumas lições que ficaram dos confrontos
recentes. O jogo de ontem mostrou, em dois tempos, que existe grande diferença no
time com e sem André. O centro-avante cumpre à perfeição as funções de prender
os zagueiros na marcação pelo meio e de fazer a aproximação nas jogadas pelos
lados do campo. Sem ele, Robinho e Neymar ficam isolados nas pontas (primeiro
tempo de ontem) ou embolam pelo meio (segundo jogo contra o São Paulo, até a
abertura do placar). Nos dois casos, o jogo santista não tem a mesma fluência.
 
Não quero dizer com isso que André seja imprescindível. Há jogos e jogos, e essa é
outra lição que ficou para ser aprendida. Na volta contra o São Paulo, que tinha a
necessidade de ir para cima do Santos, fez bem o técnico em abrir mão do centro
avante e adotar uma escalação mais cautelosa. Ontem, porém, era evidente que
interessava ao Peixe aproveitar a possibilidade de decidir o campeonato na primeira
partida, enquanto o Santo André tinha como maior ambição manter o título aberto.

No mínimo, contava com importantes desfalques santistas em função do acúmulo
de cartões. Daí os exagerados pedidos de punição a Neymar, no lance do pênalti
não marcado. Parecia que tudo se resolveria ali. O time do ABC tinha a cabeça bem
feita para forçar a aplicação de cartões e ir para o segundo jogo com mais chances.
De forma que um empate era o projeto do Sérgio Soares*, pelo menos até o jogo
começar e o time dele dominar o Santos no primeiro tempo.

É possível que, contaminados pelo bom futebol dos 45 minutos iniciais e pela heróica
reação após a virada santista, o treinador e os jogadores do Santo André também
tenham festejado, como Ricardo Gomes, a derrota por diferença mínima. Devem
pelo menos cultivar no íntimo a esperança de ainda poder armar uma bela armadilha
para o Peixe, no segundo jogo.

O problema deles é que, agora, as circunstãncias se modificaram inteiramente. E
são ainda mais favoráveis ao Santos, se Dorival Júnior souber interpretar bem a
situação. Para o Santo André, será a última chance de mudar a história. Terá de se
atrever, mas não é um São Paulo e nem estará enfrentando um adversário com meio
time jogando sob o peso do terceiro cartão amarelo na cabeça.

Por isso, talvez fosse o caso de o treinador santista manter o esquema com dois
volantes e o sacrifício de um atacante. Mas está justamente nesse dilema a terceira
grande lição que ficou dos últimos jogos. Nossa defesa vai mal quando se deixa
pressionar e o time todo é muito mais eficiente encurtando os espaços e indo à
frente, sem respeito excessivo pelo adversário.

O Santos merece, e o futebol também, uma final em alto estilo, para coroar a mais
brilhante campanha de um campeão paulista das últimas décadas.

*Corrigido. Obrigado, Walter! 

 



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Escrito por Marcos Fonseca às 15h15.
23/04/2010 
SELESANTOS
PRIMEIRO OS TÍTULOS, DEPOIS A ÁFRICA

É bom não tirar o foco das próximas decisões, mas o atual momento
insiste em trazer doces recordações, como as feras do Saldanha


O sucesso do time dos meninos é tão impressionante que provoca
desvarios. Um radialista dos mais bocós, exatamente aquele que
nunca perdeu uma chance de espinafrar Robinho, defende agora não
apenas a convocação de Neymar para a Copa da África, mas de toda
a equipe santista. Pelé concordou e Robinho entrou nessa conversa
mole, hoje, na Folha.

Eu acho que o momento é o menos oportuno para desvios de foco.
Conhecendo um pouco a imprensa, como conheço, penso até que é
forçada de barra de jornalista. O momento é de concentração total
para as próximas decisões, no campeonato paulista e na Copa do
Brasil. Como diz o Raoni David (Peixe na Imprensa, aqui no Portal), a
badalação atual será logo esquecida se os títulos não vierem.

Entretanto, a especulação em torno da seleção é irresistível. Não
chego ao delírio, mas acho que, além de Robinho, Neymar e Paulo
Henrique (outro clamor nacional), Arouca caberia bem no time de
Dunga. Todos titulares. Porque, do meio de campo para a frente, não
existe hoje jogador brasileiro jogando mais do que esse quarteto,
aqui e em qualquer lugar do mundo.

Tais divagações me levam a recuar no tempo. Como Pelé, volto a
1969, quando o futebol brasileiro, ainda traumatizado pelo fracasso
na Copa da Inglaterra, estava cheio de dúvidas sobre a classificação
para o mundial do México, em 1970. A ponto de o conservador João
Havelange, em plena ditadura militar, chamar um comunista
histórico, o jornalista João Saldanha, para dirigir o time.

Saldanha era uma figura e tanto. Gaúcho com cidadania carioca,
botafoguense doente e, herdeiro de um cartório dado à família pelo
presidente Getúlio Vargas, dividia-se entre a política e o futebol. E
colecionava histórias, verdadeiras ou não, como supostas braçadas
fluviais ao lado do líder chinês Mão Tse Tung e confrontos armados
com o bicheiro Castor de Andrade e o goleiro Manga.

Pois o João, na primeira coletiva de imprensa, foi logo anunciando
não só os 22 convocados, como os 11 titulares e os 11 reservas.
Entre eles oito santistas: Carlos Alberto, Rildo, Pelé e Edu no time
titular, mais Cláudio, Joel Camargo, Clodoaldo e Toninho Guerreiro.
Da lista fazia parte, ainda, o zagueiro Djalma Dias, próximo de se
transferir do Atlético Mineiro para o Peixe.

Nas eliminatórias, enfrentando Colômbia, Venezuela e Paraguai em
jogos de ida e de volta, o Brasil ganhou as seis partidas, marcou 23
gols e sofreu apenas 2. Desde a estréia, 2 a 0 em Bogotá, Joel
Camargo ganhou a posição de Brito e formou dupla com Djalma Dias
na zaga. Cinco santistas participaram, assim, daquela campanha
irrepreensível, o início da caminhada brasileira para o tri no México.

Hoje, temos uma situação de certa forma oposta. Depois de um início
irregular, a seleção acertou-se durante a eliminatória e conquistou
sem sustos a vaga para a Copa. Mas, apesar de algumas excelentes
apresentações, o time não encanta. Com o declínio físico e técnico de
jogadores como Kaká e Adriano, surgem desconfianças a respeito das
possibilidades de sucesso na África do Sul.

Saldanha, o “João sem medo”, simplesmente pegou o melhor time
brasileiro para formar a sua “seleção de feras”, como dizia. Dunga, se
tivesse a mesma coragem, deveria fazer o mesmo, 41 anos depois.



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Escrito por Marcos Fonseca às 13h17.
19/04/2010 
SANTOS 3 A 0 SÃO PAULO
TIME EQUILIBRADO. ATUAÇÃO QUASE PERFEITA

A apresentação do Peixe foi tão maravilhosa que, entre tantos destaques individuais, até o
treinador Dorival Júnior pode ser apontado como o melhor em campo, ontem, na Vila


Robinho bem que tentou, mas não conseguiu fazer um gol em impedimento. Teria sido a
cereja do bolo, mas os bandeirinhas não deixaram. Foi uma pena, porque tirou dos
adversários mais um motivo de queixa, além do “gol de mão” e da “encenação” de Neymar
no pênalti que originou o segundo gol santista. Dos impedimentos de Robinho no primeiro
tempo conferi os acertos da arbitragem com os próprios olhos. Ocorreram na minha frente.

Já os gols aconteceram no segundo tempo, do lado oposto ao que me encontrava. Tive de
recorrer aos “melhores momentos” da TV para concluir que nada houve de errado com eles.
No primeiro, Neymar é empurrado pelo zagueiro e só por isso está na direção da bola
cruzada por Marquinhos. A bola bate no garoto – no braço, no ombro, no coração dele ou no
escudo do Peixe, como esclarece um amigo – e não o contrário. Não havia como juiz e
bandeirinha verem irregularidade ali. No máximo, o juiz poderia ter anulado o gol e
assinalado o pênalti, para maior humilhação do goleiro tricolor.

No segundo, houve ou não o pênalti? Neymar foi ou não tocado pelo defensor rival? Mesmo
a TV, com todos os seus recursos, jamais dará um resposta definitiva. Olhando os mesmo
replays, metade das pessoas responderá “não foi”, e a outra metade terá a certeza contrária:
“foi!” Para mim, as imagens são claras: Miranda toca a perna de Neymar fora da área e, em
seguida, o desloca por trás, já dentro da área.

Simulação esperta, decretam comentaristas mais ou menos imparciais. Minutos antes,
entrando pela direita da área, Neymar foi agarrado e desequilibrado, e prosseguiu na jogada.
Se tivesse caído, a penalidade máxima seria indiscutível. Por que no lance seguinte, com a
marcação superada, a bola dominada e apenas o goleiro pela frente, ele trocaria o gol certo
pela encenação? Fim das minhas dúvidas. O pênalti existiu e foi muito bem marcado.

Passemos, pois, ao que interessa, que é festejar o nosso time. Ontem, ele esteve perto
da perfeição. Além do ataque arrasador, o melhor do mundo este ano, teve também uma
defesa muito segura, do goleiro Felipe aos volantes Arouca e Wesley, passando pelos dois
laterais e pelos dois zagueiros. Eles não deram chances ao adversário, que nada fez para
ganhar o jogo e agora se apega a decisões no máximo discutíveis da arbitragem para
desmerecer nossa vitória.

O time esteve a tal ponto equilibrado que, ao lado das “figurinhas carimbadas” (Arouca, PH,
Robinho e Neymar) é preciso incluir na lista de escolha do melhor da partida os laterais Léo
e Pará e também o zagueiro Durval. Ou seja: qualquer um desses sete pode ser apontado
como grande destaque da partida, sem injustiça aos demais. Injusto, na verdade, é excluir
Felipe, Edu Dracena e Wesley da lista. E isso considerando-se apenas os 11 que começaram
jogando, porque Madson também teve seus costumeiros “15 minutos de glória”.

Alguém poderia dizer, ainda, que o discreto Dorival Júnior foi o melhor em campo, sem o
risco de a escolha ser considerada absurda. Porque o dedo do treinador se fez presente em
cada disputa de bola, e foi decisivo. Eu, por exemplo, não mexeria nem no time nem no
esquema. Manteria Wesley na lateral e o “quinteto fantástico”. Teria tirado dE Pará a chance
de fazer sua mais espetacular partida pelo Peixe.

Se fosse mexer, eu tiraria o Marquinhos, não o André, colocando Robinho para jogar um
pouco mais atrás, como meia. Não é certo, porém, que o resultado fosse tão bom quanto o obtido.
E, para acrescentar mais um item ao repertório de ousadias do treinador, ele ainda substituiu
simultaneamente Robinho e Neymar. Com direito a aumentar o placar, na belíssima jogada de
Madson, e a manter acima de três a nossa média de gols por partida.

É ou não é um gênio, o nosso treinador?



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Escrito por Marcos Fonseca às 16h24.
19/04/2010 
SEU FONSECA
UM HOMEM SIMPLES E BOM

 

O jovem Fonseca em São Paulo, em 1936. Na gravata. o distintivo comemora o primeiro título paulista 

 


Metade dos filhos do seu Fonseca esteve na Vila, ontem. Cinco vozes festejando as jogadas
mágicas de Neymar, PH, Robinho e companhia. Lá do alto, seu Fonseca nos acompanhou,
também vibrando com o futebol dos novos meninos do Peixe. Para mim, foi uma tarde de
fortes emoções, porque hoje o velho faria 99 anos, um a mais que o glorioso time pelo qual
sempre torceu. E porque cada canto do estádio traz uma lembrança dele.

O curioso é que não recordo uma única vez em que estivemos juntos no “campo do Santos”,
como então chamávamos o Estádio Urbano Caldeira. Mas são inúmeras as vezes que ele nos
acompanhou até lá, só pelo prazer de nos colocar para dentro. Missão cumprida, retornava
para o chalé do Marapé e, desconfio, para os braços da bela Dolores (91 anos em maio).

É muito provável que pelo menos um dos fonsequinhas mais novos tenha sido gerado na
tarde de um daqueles domingos, ao som de um gol de Pepe narrado por Ernani Franco. O
Santos daquela época, como hoje, não cansava de fazer gols e o casal não parava de ter
filhos: 10, descontados os dois que morreram ainda bebês.

Estivemos juntos em vários jogos, mas no Pacaembu e no Morumbi. E aí já era eu quem o
levava, subindo penosamente a Serra em meu primeiro fusquinha. O Peixe era a alegria dele,
ao lado da família, e era bonito ver sua felicidade nas arquibancadas, assistindo aos jogos e
repetindo seu adjetivo favorito: o Santos é formidável.

Hoje, vou tentar me concentrar nas lições de amor, honestidade e bondade que ele nos
deixou. Vai ser difícil, diante das sensações avassaladoras que o Peixe continua incutindo em
nossas mentes e corações. Mas, no fundo, nem há como separar umas das outras, se ambas –
lições e sensações – nos foram legadas pelo mesmo homem simples e bom.



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Escrito por Marcos Fonseca às 16h06.
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