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09/03/2010 |
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NOVO ESTÁDIO
PLANO B PREVÊ CONSTRUÇÃO DE ARENA PÚBLICA NA CAPITAL
Mais cedo ou mais tarde (e pode ser mais cedo, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo), a capital do Estado terá um grande estádio, construído pelos governos estadual e municipal. Não é desperdício de dinheiro público. É obra que se impõe, dada a importância social e econômica do futebol em nosso país. É inadmissível que a maior metrópole do hemisfério sul não possua uma arena em condições de bem receber seus torcedores e milhões de pessoas que a visitam todo ano. São Paulo é o maior destino turístico do país do futebol. Mas corre o risco de não poder sediar, por falta de estádio, a abertura da Copa do Mundo de 2014. Pois essa é a notícia que circulou no fim de semana. Segundo a Folha, o Estado e a Prefeitura paulistana vão esperar até 15 de abril para que sejam resolvidos os problemas do Morumbi junto à Fifa. Se o impasse persistir, Serra e Kassab lançarão o plano B, que é a construção do novo estádio, no bairro de Pirituba. Na verdade, já passou da hora de o governo estadual se mexer. Não precisaria o Morumbi ser glosado pela Fifa para isso acontecer. Por outro lado, não faz sentido, hoje, qualquer clube lançar-se à aventura de erguer uma arena própria. Essa é uma tarefa para os poderes públicos, Além de permitir múltiplas utilizações, o novo estádio de São Paulo servirá a todos os clubes paulistas. Inclusive ao Peixe, que nele poderá exibir-se com mais freqüência para seu grande público na Região Metropolitana da capital. Beleza! O Santos ganhará uma ótima alternativa à Vila, com a vantagem de não ficar preso a ela. Poderá também levar seus mandos para o interior paulista e outros estados. E terá, ainda, sua própria casa – a Vila reformada, ampliada e modernizada. Para mandar a maioria dos jogos e manter os vínculos com sua origem e sua história. (No post anterior sobre o assunto, 31 santistas se manifestaram. Empate técnico: 11 a favor e 13 contra minha defesa da reforma da Vila. Outros sete, se entendi bem as mensagens, ficaram neutros. O resultado, porém, é o que menos importa. Importante é a conscientização da torcida sobre a necessidade de o Santos investir no patrimônio, seja recuperando o estádio que já possui, seja construindo um outro, novinho em folha. Levarei todas as idéias à comissão do Conselho Deliberativo encarregada de discutir o problema.)
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Escrito por Marcos Fonseca às 09h39.
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08/03/2010 |
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MUDANÇA DE PARADIGMA
OS SUCESSOS DA NOVA DIRETORIA ASSOMBRAM A PARÓQUIA
As viúvas do provincianismo procuram pelo fantasma de Kia Joorabchian em contratações que reforçam o time, valorizam o clube e não espoliam o Santos Quando atuou no Brasil, e foi acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, Kia Joorabchian controlou o Corinthians, por intermédio da MSI, da qual era o principal executivo no país. O time paulistano, com o consentimento dos dirigentes da época (incluído seu atual presidente), foi o cavalo de Troia que o iraniano e seus financiadores usaram para penetrar no mercado brasileiro.
A parceria Corinthians-MSI virou caso de polícia e Kia responde a processo criminal em São Paulo, junto com o russo Boris Berezovsky, suspeito de ser o principal financiador da fundo. Mandados de prisão contra ambos foram sustados, o ano passado, mas isso não significa que possam entrar sem sobressaltos no Brasil. Berezovsky esteve no país há quatro anos, trazido pelo ex-ministro e deputado cassado do PT José Dirceu, que fazia lobby por ele junto às autoridades federais brasileiras. Interessado em comprar a Varig, veio escondido, mas foi descoberto, prestou depoimento na polícia e se mandou rapidinho. Kia, além de réu nesse processo, apresenta-se como vítima em ação que abriu contra um blogueiro de São Paulo. No fim do ano passado, faltou a uma audiência no Fórum da Barra Funda, alegando não ter dinheiro para custear a hospedagem e a passagem Londres-São Paulo. Por ora, quer distância da terra do seu ex-amigo Alberto Duailib. Na Inglaterra, onde vive, e em outros países, nos quais desenvolve intensa atividade, Kia não é incomodado. Por isso, é possível que esteja por trás dos milionários negócios feitos recentemente pelo Manchester City. É possível que pelo menos parte dos direitos de Robinho, hoje de posse do clube inglês, de fato lhe pertença. É possível até que tenha relações com o jogador. Tudo é possível, mas nada disso afeta o Santos e nem pode pautar seus negócios. Se qualquer das situações citadas for ilegal, cabe à liga inglesa, à Uefa, à Fifa e até à Interpol tomar providências. É vã, também, a tentativa de forçar paralelo entre as recentes contratações do Peixe e a parceria Corinthians-MSI, já que não existe o menor parentesco entre elas. Nos dois casos em que o fantasma Kia foi visto por jornalistas irresponsáveis ou de má-fé, os dirigentes santistas conversaram diretamente com o clube proprietário dos direitos de Robinho e com o agente autorizado pela Fifa a fazer negócios com a dupla Zezinho-Alex Sandro. A diretoria santista firmou contratos perfeitos para contar com os três reforços e não alienou nenhuma parte do seu patrimônio, como aconteceu na cessão parcial dos direitos federativos de 20 jogadores da base, incluídos Neymar e PH, ao empresário Delcyr Sonda, na gestão passada. Pelo contrário, o clube manteve total autonomia sobre o elenco e fez prevalecer seus interesses. O City não levou qualquer contrapartida pelo empréstimo de Robinho. Teve de se contentar com a possibilidade de cobrir a melhor oferta por Neymar e PH, quando e se o Santos desejar vendê-los. Nos empréstimos de Zezinho e Alex Sandro, Luis Alvaro foi além e mudou o paradigma desse tipo de negócio. Diferente do que acontecia no passado, quando funcionava como vitrina e nada ganhava na posterior venda, o Santos agora cobra participação na valorização dos jogadores. Terá um percentual sobre o valor de futuras transações e assegurou prioridade de compra, com preços fixados, caso queira adquiri-los em definitivo. No entanto, ao invés de comemorar essa mudança de postura e a inédita repatriação de um craque internacional, no auge do seu vigor físico e de suas qualidades técnicas, muitos santistas ficam discutindo e alimentando a boataria invejosa dos ressentidos com a fragorosa derrota de dezembro. Não percebem que é o insuportável sucesso da nova diretoria que alimenta os pesadelos e molha a cueca dos adeptos remunerados da inépcia e do obscurantismo.
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Escrito por Marcos Fonseca às 16h07.
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04/03/2010 |
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NOVO ESTÁDIO
O MAIS VIÁVEL E FACTÍVEL É REFORMAR E AMPLIAR A VILA
A discussão voltou, com força, porque todos concordam que o Santos precisa de um estádio maior e moderno. Com duas grandes correntes: os que não admitem a arena santista fora da cidade natal do clube e os que desejam vê-la construída na Região Metropolitana de São Paulo. De cada lado, os argumentos são simples e poderosos. “O Santos é de Santos”, dizem os defensores da permanência do estádio no mesmo local ou, no máximo, de sua construção em outra área da Baixada Santista. “O Santos deve aproximar-se de sua torcida mais numerosa, que está na Grande São Paulo”, respondem os adeptos da mudança. Santista de nascimento, mas morador há quase quatro décadas em São Paulo, sou defensor ferrenho da solução “reforma, ampliação e modernização da Vila Belmiro”. Por razões mais objetivas do que sentimentais, embora, no negócio do futebol, a paixão também conte. Tradição, história e vínculos afetivos, mesmo que muitos não consigam tangenciá-los, são valores concretos. Não podem ser desprezados na fórmula da equação. O que sustenta minha posição, porém, é a convicção de que o aproveitamento da Vila atual é factível, enquanto a construção de um novo estádio é, hoje, uma utopia. Deixemos de lado, pois, a mística e a magia que cercam o sítio adquirido em 1916 pelo avô do presidente Luis Alvaro, e passemos rápido para as premissas que permitiriam a reforma, modernização e ampliação de Urbano Caldeira, dotando-o de capacidade para, digamos, 40 mil pessoas. Primeira – A formulação de uma parceria efetiva com a Prefeitura de Santos, para desapropriação de alguns imóveis não só no entorno do estádio, mas também em duas vias de acesso às avenidas Pinheiro Machado (Canal1) e Bernardino de Campos (Canal 2), que seriam alargadas. Além disso, são necessários o remanejamento de ruas e a criação de bolsões de estacionamento, em áreas mais afastadas. Segunda – Estabelecimento de um fundo de reserva do clube para a aquisição dos imóveis, inicialmente apenas com recursos próprios, de forma a fortalecer o Santos quando chegar a fase de negociação de financiamentos e patrocínios. Imagino que isso possa ser feito, mesmo com a penúria financeira deixada pela administração anterior, mediante a destinação para esse fim de 5% a 10% do valor das vendas de jogadores. Terceira – Lançamento de um concurso internacional para a escolha do projeto arquitetônico da nova Vila e de um plano urbanístico e viário para a transformação da área em bairro temático. É interessante prever o envolvimento dos moradores, os quais seriam incentivados (com a isenção de impostos municipais, por exemplo) a usar suas residências como pontos comerciais, a exemplo do que já acontece em dias de jogos. A partir desses três passos, o clube teria condições de fixar um cronograma detalhado de obras, com execução por etapas que poderiam ser apressadas ou retardadas em função do fluxo de recursos próprios e do avanço das negociações com financiadores e patrocinadores. Com o início de nova fase de exportação de atletas e a previsão de forte investimento público e privado na região, em função do pré-sal, o momento volta a ser favorável ao lançamento das bases da reconstrução da Vila. Outros textos sobre o tema:
Nova Vila e arena em Diadema. Morram de inveja adversários! (19/02/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=344 O Pacaembu e a Vila: o melhor do futebol com a marca do Peixe (11/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=365 Uma discussão interminável (15/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=371 O Santos é um time do mundo, mas a Vila é o seu porto mais seguro (17/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=373 Em Santos e no mundo, o público quer time bom, espetáculo e conforto (18/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=375 O Papai Noel da bola chega com o saco vazio e sai de bolso cheio (19/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=376 Não é sonho, mas projeto viável. O melhor para o Santos (20/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=378 Parceiros e benfeitores são bem-vindos. Mas o projeto tem de ser do Santos (21/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=379 Time não é shopping, carro ou banco. É coisa do coração (24/03/2008) http://www.blogsantista.com.br/marcao/post.php?id=380
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Escrito por Marcos Fonseca às 07h37.
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03/03/2010 |
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AINDA O CLÁSSICO
O ESPETÁCULO QUE O COADJUVANTE NÃO CONSEGUIU ARRUINAR
O adversário buscou uma derrota honrosa, mas só mostrou um futebol vergonhoso. E sucumbiu ao brilho e à alegria dos moleques santistas Na semana passada, ouvi a entrevista de Mano Menezes depois da estréia do Corinthians na Libertadores. Ele disse que não iria criticar a postura do time uruguaio, porque retranca e marcação forte, às vezes violenta, são também estratégias de jogo. Pensei comigo: aí tem coisa! Domingo, entendi aonde ele queria chegar. O dissimulado técnico corintiano, que faz tipo sério, mas é outro espertinho, preparava a crítica e a opinião pública para o futebol vergonhoso, na verdade antifutebol, colocado em prática pelo time dele na Vila. Desde o início, na base da provocação, da pressão sobre a arbitragem, da intimidação contra os nossos jogadores e da mais abjeta covardia. O time de Mano morreu de medo dos nossos meninos e seu objetivo, claramente, foi “conquistar” uma derrota honrosa. Fez o que todo time pequeno faz contra o Peixe de PH e Neymar. Bateu sem dó nos garotos e ainda tentou colocar o juiz contra eles. Só não comemorou o revés escancaradamente, como fizeram os jogadores do Naviraiense, na mesma noite em que Mano louvou o jogo feio dos uruguaios. Os corintianos saíram reclamando das brincadeiras dos garotos santistas e da arbitragem. Queixaram-se das duas expulsões, sem lembrar que ficou barato. William deveria ter recebido o cartão vermelho ainda no primeiro tempo, ao agarrar e derrubar André. Para não dar o segundo cartão ao corintiano, o juiz ignorou a falta. Prejuízo duplo para o Peixe. No segundo tempo, além de Moacir e Roberto Carlos, também Dentinho (cotovelada em Pará e voadora no peito de Paulo Henrique) e Chicão (agressão a Neymar) deveriam ter sido colocados para fora. Em lugar de agradecer, posam de vítimas, esquecidos ainda de que seu gol teve origem irregular: o impedimento de Ronaldo, que a TV mostrou. A resposta do Neymar, o mais caçado pelos brucutus adversários, veio pelos pés – no hilariante e louvável chapéu dado no apalermado Chicão – e pela boca: "Eles tentam intimidar na pancada. Eu não ligo. Quanto mais batem, mais vou pra cima. Acho que fica melhor assim", disse o sábio da bola. Irrepreensível, irretocável, digno de aplausos. O que me espanta, na verdade, é o sentimento dividido dos nossos torcedores. Há os que ainda estão nas nuvens com o show de bola do Santástico. Como a Bea, embaixadora do Peixe em Itajaí, que domingo fez aniversário e foi presenteada com a vitória e com a exibição de seu ídolo Marquinhos. E há os indignados, porque o Peixe não goleou e deu chance ao adversário de empatar. Reclamam até do chapéu impagável. Ora façam-me o favor! Dane-se o cartão amarelo do Neymar. Danem-se o Gorducho, o Chicão e o Mano. Danem-se a Fiel e sua pobre faixinha lembrando um placar de cinco anos atrás. O baile valeu muito mais que isso. Foi tão bom que até Pará jogou o fino da bola.
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Escrito por Marcos Fonseca às 10h17.
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01/03/2010 |
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SANTOS 2 A 1 CORINTHIANS
O SHOW VALEU CADA CENTAVO
Até os “idiotas da objetividade” estão se rendendo ao talento da nova geração de craques santistas. Ver o Peixe jogar é um êxtase, pois o futebol vai às alturas da mais pura arte Vai ser difícil Dunga manter a “coerência” e a fidelidade aos seus eleitos. Logo, a convocação de Neymar vai virar verdadeiro clamor. Domingo, no Troca de Passes (programa que encerra a rodada do futebol no canal pago SporTV), os comentaristas Renato Maurício Prado, veterano flamenguista, e André Rizek, jovem corintiano, renderam-se ao talento do atacante santista. Até então, ambos chamavam o garoto de “firuleiro”.
Subi a Serra ainda maravilhado com o que acabara de ver na Vila, saboreando pelo rádio a derrota do Palmeiras, do execrável Zago. Ouvia o jogo e imaginava o que encontraria na TV: o choro incontrolável dos analistas (certamente teriam "visto" erros da arbitragem) e a sua ira contra o show de bola dos meninos, uns "irresponsáveis" que mereciam ter tomado o gol de empate do adversário numericamente inferiorizado. Surpresa! Apesar do placar magro, realmente ameaçado na cabeçada de Tcheco que roçou o travessão, Prado e Rizek só tinham palavras para o passeio que o Santos deu no Corinthians. Com menções, ainda, ao imenso futebol de Paulo Henrique, outro que está a ponto de criar dor de cabeça para o treinador da seleção. Porque é exatamente o jogador que Dunga, em mais de três anos de experiências, ainda não encontrou. Diante da TV, lembrei do comentário do meu sobrinho Pedro, 14 anos, na volta para São Paulo. "O Paulo Henrique comanda o time, não é, tio?". Respondi que sim, mas que é um pouco mais. "O Paulo Henrique comanda o jogo. Faz o jogo ficar do jeito que ele quer." Revejo agora, na telinha, o primeiro gol. Quase do meio de campo, o afilhado do G10 faz o passe de primeira, rasteiro, vertical, para Marquinhos. Outro passe preciso, agora na horizontal, na direção de Neymar, na entrada da área, pelo meio. O garoto controla a bola, já ajeitando o giro sobre o zagueiro e o chute. Que sai colocado, na potência certa, em direção ao canto direito do goleiro. Na jogada, Neymar redime-se do pênalti perdido minutos antes e começa a surgir um outro destaque da partida. A partir dali, Marquinhos divide a armação com PH e terá participação decisiva também no segundo gol. É dele o passe por cobertura, que encontra Neymar atrás da zaga adversária. Bola amaciada no peito e depois na grama, o mundo inteiro, principalmente a defesa corintiana, espera o chute cruzado. Neymar, porém, prefere a simplicidade do toque rasteiro, para trás, que encontra André chegando e batendo. Seco, sem chance. Talvez esteja aí o segredo. Quando se espera a "molecagem", ele opta pela jogada objetiva e simples. Quando se tem certeza de que seguirá o manual, ele usa a própria cartilha. Aquela que diz que, no jogo da bola, o drible, a finta desconcertante, é a menor distância entre dois pontos. Há três semanas, Rogério Ceni provou desse veneno, na prosaica cobrança de uma penalidade máxima. Foi iludido da forma mais irreverente pelo garoto, e viu sentado a bola entrar mansinha no seu gol. Ontem, aos 14 minutos do segundo tempo, o Felipe corintiano se preparou para fazer mais uma boa defesa, quando se deu conta da mudança de roteiro – o passe para André, em lugar da finalização. Ficou sem ação e também caiu sentado no chão.
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Escrito por Marcos Fonseca às 17h40.
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09/02/2010 |
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SANTOS 2010
UM TRABALHO ADMIRÁVEL
Em um mês, uma diretoria brilhante, um treinador competente e um elenco motivado e talentoso levam o time que “iria lutar para não cair” ao topo do futebol brasileiro Após sete partidas, o time de Dorival Junior tem padrão de jogo, com eficientes variações táticas, e muita personalidade. Joga um futebol bonito, como há muito não se via no país. É também eficiente. Lidera o campeonato e as principais estatísticas. Domingo, em Barueri, o orgulhoso São Paulo jogou o tempo todo com medo de levar a goleada, porque Robinho no banco era uma ameaça e tanto. Se apenas com os garotos em campo o Santos já era tão superior... O primeiro tempo foi todo do Peixe. Só faltou um placar mais justo, que poderia vir naquela bola que André bateu de esquerda, livre no meio da área, mas errou o canto, com o gol vazio. Ou no pênalti sobre Paulo Henrique, não marcado pelo juiz. No segundo tempo, o São Paulo tentou arriscar-se um pouco mais. Avançou o time, mas não criou chances claras de gol e o Santos foi mais perigoso nos contra-ataques. Quando Robinho entrou em campo, nossas oportunidades ficaram ainda mais agudas. Antes, a meia pressão desordenada do adversário deu resultado da única forma que poderia dar. Pelo erro. Marcelinho Paraíba bateu mal o escanteio, mas ficou com o rebote e encontrou Roger, mal marcado por PH. Nossa zaga saía, ficava, e a desordem geral resultou no empate. Acontece. Em outros tempos, o Santos (de Luxemburgo, por exemplo) se acovardaria e tentaria segurar o empate sem sucesso. A virada viria, inevitável. Mas não contra este Santos de Edu Dracena, Durval, Arouca, Leo, Marquinhos e dos nossos incríveis meninos. O time manteve o ritmo, consciente da sua superioridade, e a vitória foi só questão de tempo. Na tabela com Neymar, o lance mais bonito do jogo, apareceu pela primeira vez o calcanhar de Robinho. O goleiro salvou essa, mas foi impotente para deter o segundo toque de calcanhar, decisivo. Ficou mais uma vez ajoelhado diante do Santos. Dorival continua irrepreensível. Inclusive na decisão de segurar Robinho para o segundo tempo. Escalou bem o time, efetivando Arouca como segundo volante e deslocando Wesley para a lateral direita, e montou bem o banco de reservas. Sem colocar em risco o desempenho do Peixe na competição, tem sido justo com o elenco, dando chances a todos os jogadores. Após o jogo, incluiu Madson nuna fieira de elogios ao grupo. O baixinho nem tem jogado, mas o treinador sabe que pode vir a precisar dele, mais pra frente, e trata de manter o moral do jogador. É um trabalho admirável. No início do ano, dizia-se que o Santos não tinha elenco nem time, e que a aposta nos meninos era temerária. Após as primeiras boas exibições, e ainda sem alguns jogadores, mantidos em regime exclusivo de preparação física, os “especialistas” garantiam que o Peixe não teria como encarar rivais mais qualificados. Um mês depois, a torcida está encantada e a imprensa reformula suas avaliações. Invertem-se os questionamentos. Quantos curingas Dorival ainda tem na mão, além do polivalente Wesley e do surpreendente Zé Eduardo? Que força terá esse time quando os laterais direitos titulares estiverem à disposição e Giovanni ficar em forma? Quem pode enfrentar, hoje, o time de Paulo Henrique, Neymar e Robinho?
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Escrito por Marcos Fonseca às 09h29.
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05/02/2010 |
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SANTO ANDRÉ 1 X 2 SANTOS
A NOITE DE NEYMAR, 18 ANOS HOJE
Robinho voltou para garantir sua vaga na seleção e encontrou entre os companheiros do Peixe um perigoso rival. Mas, se a dupla funcionar, eles irão juntos para a Copa Após o jogo, Neymar explicou a razão desse início fulminante de temporada, em contraste com as incertezas em torno do seu lançamento do time principal do Peixe, o ano passado. Disse que agora tem a confiança do treinador e, por isso, vai sem medo para cima dos beques. Ainda bem que saiu Luxemburgo e entrou Dorival. O resultado é que, hoje, se o futebol é momento, como se diz nos meios da bola, o garoto já merece uma convocação para a seleção brasileira. Ninguém, no Brasil e no exterior, está jogando tanto quanto ele. Afirma-se que Dunga tem um grupo fechado para a Copa da África. Sabe-se que o treinador é turrão, inamovível em suas convicções Mas quem não gostaria de passar para a história como lançador de Neymar no escrete? Glória semelhante à que nunca será roubada de Feola, com sua coragem de levar um menino de 17 anos à Suécia. Ironicamente, o mais ameaçado pelo crescimento de Neymar é Robinho, que voltou ao Santos justamente para garantir seu lugar na Copa. Mas também nesse sentido foi sábia a decisão do Rei das Pedaladas. Se a dupla funcionar no Peixe, como se espera, o facão de Dunga terá de se dirigir para outro pescoço. Neymar faz 18 anos nesta sexta-feira. Parabéns, garoto! E obrigado pelo presentão que, numa inversão das práticas estabelecidas, você nos deu a noite passada em Santo André. O mesmo lugar, aliás, onde, há 54 anos, o Santos apresentou para o mundo um outro menino. Aquele do Mundial da Suécia. ***** Neymar vai pra cima, dribla, toma a paulada. Na maioria das vezes, nem aí, segue em frente, para mais um drible ou um passe certeiro, daqueles que são meio gol. Quando o troglodita é eficiente e o derruba, o juiz ignora a falta. Se reclama, pode receber cartão amarelo. Se não reclama, pode ser punido por simulação. Virou moda, entre os times adversários, o rodízio na marcação do capetinha. É o anti- jogo com status de estratégia tática. Todos batem no garoto, e ninguém fica marcado pela arbitragem conivente. Até quando? ***** Paulo Henrique também merece destaque especial. Foram dele dois momentos antológicos do jogo da noite passada. Primeiro, o salto acrobático e a virada de perna esquerda, que deixou Wesley na cara do goleiro. Em seguida, o toque sutil, que deu a vitória ao Peixe. Neste segundo momento, ensinou ao companheiro menos dotado o que fazer quando o goleiro cresce na frente do atacante. Se aprendeu a lição, na próxima Wesley não perde o gol.
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Escrito por Marcos Fonseca às 11h06.
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01/02/2010 |
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SANTOS ETERNO
UM ORGULHO QUE NEM TODOS PODEM TER
Que nos perdoem os esforçados co-irmãos brasileiros e os ilustres rivais de todo o mundo. Alguns têm mais torcida; outros são mais ricos. Mas nenhum tem a nossa grandeza Como é bom ver Robinho de volta!
Como é bom ter Pelé sempre do nosso lado! Como é bom viver um dia de festa na Vila! Como é bom torcer por esse time sem igual! Como é bom aplaudir uma diretoria apaixonada e competente! Como é bom ser santista!
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Escrito por Marcos Fonseca às 14h34.
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30/01/2010 |
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ROBINHO
QUEM É SANTISTA SORRI. OS DESCORNADOS QUE SE MORDAM
Até o corintiano presidente Lula teria ficado doente com a notícia que atiçou os despeitados e invejosos da nossa eterna felicidade. Pedala, Peixe! O língua de aluguel do ex-presidente vociferou no dia seguinte, na contramão da torcida santista: “Se fosse por um ano, eu aplaudiria. Mas por seis meses...” Se fosse por um ano, sabe-se, o infeliz pediria dois. Se fosse por dois, exigiria no mínimo três. Porque só assim o pau mandado mantém o emprego na TV do patrão.
Um radialista paulistano, com blog no principal portal noticioso do país, afirma que Robinho usa o Santos para se recuperar e se garantir na seleção de Dunga. Melhor ler o que diz o jornalista de cultura Luiz Zanin, do Estadão, repetindo o poeta e reproduzindo o sentimento da nação santista: que seja infinito enquanto dure! Zanin entende de arte e de bola. No canal SporTV, um jornalista carioca que também tem coluna no jornal O Globo critica a contratação de Robinho, desanca o jogador e aproveita para dizer que Neymar é apenas outro garoto mascarado. Renato Maurício Prado, esse é o nome do insensato, tem sempre um deboche para jogadores e times que não sejam Toró e o rubronegro do seu coração. O flamenguista, nota-se, está com os cornos e os cotovelos em brasa. ***** Surpreendente foi a aprovação quase unânime que o movimento ousado da nova diretoria santista recebeu na imprensa em geral e nos meios ligados ao futebol. As reações de despeito já eram esperadas e não devem toldar o sorriso que desde a quinta-feira à tarde passou a nos acompanhar. Para quem ama o Santos, a contratação de Robinho foi um golaço de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, e ponto. Mas há manifestações que não podem ficar sem resposta. Outro blogueiro de São Paulo, torcedor do alvinegro errado, mas em geral bem intencionado, viu na operação de repatriamento o dedo da máfia. Para ele, quem articulou e vai ganhar com tudo isso é nada mais nada menos que Kia Joorabchian. Contra a afirmação sem fundamentos, conspiram os fatos. Inicialmente, o Santos mandou para a Inglaterra o diretor e o gerente de marketing. Posteriormente, foram para lá, também, o vice-presidente e o diretor jurídico. Tudo às claras, informado para e pela imprensa. Nada por baixo dos panos. Outro detalhe, anterior ao início das conversas pessoais. Ao tomar conhecimento, por intermédio de um político de São Vicente ligado ao jogador, do desejo de Robinho de voltar, o Santos se comunicou diretamente com o clube, por e-mail, para saber das possibilidades de haver negócio. Na Inglaterra, os representantes legais do Santos conversaram com dirigentes do City. Tanto que o comunicado oficial do acordo entre os clubes foi veiculado em primeira mão pelo site do time de Manchester. Ou seja: não ocorreram conversas paralelas, às escondidas, com personagens misteriosos. Se por trás das cortinas quem move os negócios do City é o Kia ou outro mafioso qualquer, o problema não é do Santos. O Santos conversou com pessoas credenciadas e reconhecidas pela federação inglesa e pela Fifa. E o fez com seus representantes oficiais. Não por intermédio de agentes, como acontecia até dezembro passado. ***** Finalmente, a principal questão que está sendo colocada. Quem ganha com a vinda do Robinho? Certamente, todos os lados, como em todo bom negócio. O City, que receberá de volta um jogador recuperado da má fase e revalorizado. O próprio Robinho, que terá melhores condições de garantir sua presença na Copa do Mundo e de posteriormente empinar novamente sua carreira na Europa. E o Santos, que se reforça com um ídolo, empolga o time e entusiasma a torcida, tudo isso sem colocar em risco a atual política de austeridade financeira e o teto salarial do elenco. Ao contrário da irresponsabilidade vigente até dezembro passado, o Peixe vai gastar muito menos do que gastou, por exemplo, com Fabão, e ganha de presente a valorização de sua marca e a revelação de mais uma notável geração de garotos bons de bola. Mais ainda: a engenharia financeira que viabilizou a vinda do ídolo fica como modelo para futuras operações de impacto semelhante, confirmando que, bem dirigido, o Santos de fato pode mais. Querer comparar ganhos, para diminuir o tamanho da incrível façanha de Luis Alvaro e companheiros, é analisar os fatos com cabeça pequena e visão estreita. Ou com insuportável dor em parte sensível da própria anatomia. Mas, se insistem na comparação, vamos lá! Para Manchester City e Robinho, os ganhos só virão no futuro, se o jogador der realmente a volta do cima e sair consagrado da Copa da África do Sul. O clube, é verdade, vai economizar seis meses de salário, mas isso é merreca para os padrões dele. Robinho, por enquanto, está apenas perdendo quase metade dos rendimentos. Para o Santos, não. Os ganhos são imediatos e parte deles (a valorização da marca, a presença na mídia e a empolgação que tomou conta dos santistas) já pode ser contabilizada, porque não dependem do futuro desempenho técnico do jogador. Se acontecer o que se espera e o Rei das Pedaladas ressurgir, ganham Robinho e o City. E ganha ainda mais o Peixe. ***** Frase da semana “O sonho é cor-de-rosa, mas a realidade é alvinegra.” Pedro Luiz Nunes Conceição, diretor de futebol do Santos FC
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Escrito por Marcos Fonseca às 14h42.
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28/01/2010 |
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ROBINHO
COM COMPETÊNCIA E VONTADE DE TRABALHAR, TUDO É POSSÍVEL
Se alguém ainda tinha alguma dúvida, o Santos, realmente, pode mais. Pode repatriar um astro de primeira grandeza do futebol mundial em ano de Copa do Mundo. Pode em uma semana reunir condições de concretizar um negócio jamais sonhado por qualquer outro clube brasileiro. Pode, como num passe de mágica, sair da mais absoluta depressão, causada pelos irresponsáveis que o dirigiram nos anos recentes, e reocupar o espaço a que tem direito, na mídia nacional e internacional e no coração de sua privilegiada torcida. Pode, porque um Deus santista está sempre atento para corrigir os erros dos homens e a nos abençoar com os maiores craques, desde os tempos de Araken, Antoninho e Pelé. Só que, desta vez, o Cara lá de cima se superou. Além de Neymar e PH, para nos alegrar em campo, colocou na Vila um comando sério e comprometido com a reconstrução do Peixe. Não, a volta de Robinho não é ilusionismo. É trabalho competente da nova diretoria.
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Escrito por Marcos Fonseca às 16h30.
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