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23/06/2008 |
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CRÔNICAS DO DESCALABRO
Cuca, MT e uma saudade inesperada do Betão
Cuca repete Leão. Suas críticas vão todas para os mais novos e poupam os medalhões. O que fez Kleber Pereira, ontem? Quantos cruzamentos e cobranças de falta o outro Kleber acertou? Marcelo foi mal? Então, o que dizer de Fabão? Espero que seja apenas jogo de cena do novo treinador, que evitaria o atrito direto com os donos do time, até começar a resolver as coisas. Com Marcinho Guerreiro, a paciência dele foi curta. O que é um bom sinal. Esperam-se outras providências drásticas daqui para a frente, com um olhar especial para o fraquíssimo Rodrigo Souto deste ano. ***** Suspeitíssima essa copa internacional de juniores, que começa hoje em Porto Seguro, na Bahia, com Santos versus Ibiza da Espanha transmitido pela TV paga. Às vésperas da abertura do mercado internacional de jogadores, parece coisa sob medida para empresários ou feita por eles. Talvez explique a devolução de Paulo Henrique para os juniores. ***** Marcelo Teixeira vangloria-se, diante do triste Conselho Deliberativo do clube, de ter reduzido a inexplicável dívida do Peixe. Mentiu, como comprovou o jornal da cidade, e também não explicou, nem foi perguntado, que fórmula mágica utilizou para transformar os 60 milhões de lucro do balanço de 2005 em papagaio bancário de 40 milhões, ao final de 2007. Enquanto os nobres conselheiros fazem cara de paisagem, a torcida vaia Tabata. ***** Molina declarou, no fim da semana passada, que seria outro jogador, depois dos dez dias de intensa preparação física e técnica a que foi submetido o elenco santista. Terminado o jogo contra o Goiás, fiquei com a sensação de que o Molina anterior era melhor. Aquele ainda acertava uma ou outra jogada, ao contrário do inútil ponta-esquerda que esteve em campo no primeiro tempo de ontem. ***** Confesso que senti saudade do Betão, após a segunda goleada de 4 a 0 sofrida pelo Peixe no brasileirão, ainda mais vergonhosa do que a primeira. Nas entrevistas do SporTV, faltou a palavra tranqüilizadora do grande zagueiro, acalmando a torcida e garantindo que o time não foi tão mal e está no caminho certo. Achei meio pesada a sessão de auto-flagelação dos jogadores e desanimadora a cara humilhada do técnico. Que que é isso, minha gente! Vamos tratar de levantar o astral, porque a nossa administração oropéia está louquinha para cometer o suicídio e fechar a “parceria” com a Traffic.
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Escrito por Marcos Fonseca às 12h32.
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23/06/2008 |
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DEPOIS DO VEXAME
O que é pior: correr riscos com os garotos ou torcer por mercenários sem alma e sem futebol
Para que Fabão, Kleber, Rodrigo Souto, Rodrigo Tabata e Kleber Pereira, com seus altíssimos salários? Para perder de 4 dos barnabés do Goiás não precisamos de nenhum deles, como não precisamos de Marcinho Guerreiro, recordista mundial de cartões amarelos, nem de Betão, que já foi tarde. De Molina e Wesley, depois de resistir muito, eu também desisti. Ou seja: não sobrou nada dos cacos deixados pelo tsunami Vanderlei Luxemburgo, porcamente reunidos por Leão na primeira metade da atual temporada, sob a inércia bovina de Marcelo Teixeira. Aliás, o que é melhor: o presidente do nosso clube parado, sem fazer nada, ou fazendo? A herança é tão maldita que perturba, como já se nota, o equilibrado e competente Cuca. Vejam suas primeiras atitudes e declarações. Rebaixou quatro dos garotos promovidos este ano por Leão e, no entanto, contra o Goiás foi obrigado a lançar mão de outros dois juniores. Acertou ao dispensar Trípodi e Evaldo, mas errou feio no diagnóstico de que bastariam dez dias de treinos sob seu comando para o Peixe afinal dar o ar de sua graça no campeonato brasileiro. Acreditou que havia uma base aproveitável naquela turma citada no parágrafo anterior. Disse, também, que o pessoal da Traffic é gente boa. Ainda assim, Cuca é a esperança deste Santos sem jogadores, sem direção e com as finanças criminosamente detonadas. Dizem que ele sabe tirar leite de pedra, que consegue fazer jogar bola os piores pernas de pau e que foi assim em algumas equipes que treinou nos últimos anos. Na Vila, porém, o desafio será muito maior. Exigirá do treinador, além de capacidade técnica, muita coragem para afastar os improdutivos e desmotivados medalhões e para recusar a contratação das porcarias que o presidente do clube venha a lhe oferecer, só para limpar a própria barra diante da torcida. O Santos já perdeu todo o primeiro semestre deste ano e, temo, as melhores promessas produzidas pelas divisões de base, só porque Leão preferiu trabalhar com o rebotalho deixado por Luxemburgo e ainda contribuiu com indicações preciosas para a construção de um dos mais horripilantes grupos de jogadores que o Peixe já teve na história. MT também ajudou, é claro, quando, com a faca no pescoço, aumentou os salários de Souto e Pereira e, movido pelo mais profundo desespero, aceitou a caridade oportunista de um empresário e enfiou goela abaixo do ex-treinador santista os quatro estrangeiros. Naquela noite em que o negócio foi fechado, em seguida à derrota para o Barueri, o camarote presidencial da Vila assistiu ao fuzilamento da única solução para o Santos: aquela que, à custa de muito trabalho técnico e tático, faria da mescla dos garotos com os até então ainda aproveitáveis Fábio Costa, Kleber, Souto e Kleber Pereira um projeto de time. Mas os estrangeiros se juntaram aos trastes trazidos por Leão e a meninada foi colocada à margem, dividida entre os que conseguiram uma boquinha no grupo da Libertadores e os desprezados. Nos dias que se seguiram, os meninos que poderiam revitalizar o elenco profissional santista aprenderam rapidamente a lição número um do futebol atual: cada um por si e o empresário por todos. Renatinho, que não é pior do que Lima, Tripodi e Pinto, praticamente não mais jogou. Alemão, muito melhor do que todos eles, passou a contar os dias de se mudar para a Itália. O meia Alex foi vergonhosamente queimado na lateral-esquerda, antes de ser simplesmente dispensado. Paulo Henrique, seguramente a maior de todas as nossas promessas em idade de jogar no time principal, foi solenemente ignorado por Leão, enquanto Thiago Luís nunca mereceu uma seqüência de jogos para se firmar. Digo isso não por acreditar que das mãos de Márcio Fernandes tenham surgido novos Diego e Robinho, mas por me render à realidade. O Santos tem hoje uma dívida impagável e não pode competir nem mesmo com Náutico, Goiás, Coritiba e Lusa na disputa por jogadores medianos. Craques? Esqueçam! E mais: desconfiem dos que chegam à Vila, porque são os sem mercado, os baleados, os acabados, cujos agentes não conseguem emprego melhor para eles. Claramente, o caminho que sobra é fazer o que o Peixe sempre fez de melhor: investir na revelação de seus próprios jogadores. Cuca, entretanto, dá sinais de que não é o técnico certo para isso. Ontem, depois do vexame, ele inflacionou seu pedido de contratações. Eram duas ou três, passaram para quatro ou cinco e, ameaçou, logo poderá ser um time inteiro. Os abutres estão esfregando as mãos, não de frio, mas de felicidade. As condições estão dadas e, se algo de milagroso não voltar a acontecer na Vila, o grande Santos de Araquém, Antoninho Fernandes e Pelé se transformará em mais um time de aluguel da Traffic.
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Escrito por Marcos Fonseca às 09h34.
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10/06/2008 |
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SONHO MAGNÍFICO
O FUTURO SORRI PARA O PEIXE
"Magnífica é a escola de bola de um homem chamado Pelé" Haroldo Barbosa, na canção Tudo é magnífico, interpretada por Elizeth Cardoso
A Petrobrás perfurou a Bacia de Santos e encontrou petróleo em águas profundas. Chegou mais perto da praia e viu que também ali há petróleo, abundante e mais fácil de tirar. Se avançar continente adentro, nem precisará da tecnologia para descobrir que em terra firme, num lugar conhecido como Vila Belmiro, existe outro tipo de riqueza, igualmente cobiçada mundialmente, mas despercebida pela visão provinciana dos que deveriam explorá-la. A escola de bola ignora seu Rei e perde a magnificência. Pérolas aos poucos, como parafraseou o santista Wisnik, há esperança, porém. Agora que Pelé desistiu de levar para longe o seu museu, talvez o dinheiro que virá nas ondas do mar sacudam o Santos e os dois ícones voltem a se juntar. (Maravilhas da tecnologia. O texto acima foi postado no dia 31 de maio e perdeu-se, como outros, no período em que o Santista Roxo ficou fora do ar. Como não guardei cópia, resolvi reescrevê-lo. Entro no Google para confirmar a referência a Haroldo Barbosa e Elizeth Cardoso e -- surpresa! -- lá estava o bichinho. Salvo pelo gongo, digo, pelo Google.)
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Escrito por Marcos Fonseca às 21h44.
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09/06/2008 |
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ANTIMARKETING
Pelé e Robinho na Vila. Grande coisa!
Levei minha mulher ao jogo contra o América do México. Daysi é de família palmeirense e odeia futebol. Mas gostou da experiência de conhecer a Vila (“Eu não iria a qualquer estádio, mas esse tem história e tradição”, justificou, dias depois, a amigos) e do espetáculo proporcionado pela torcida. No fim, envolvida no clima, xingou o juiz e reclamou da dificuldade do time de colocar a bola para dentro do gol. Um dos argumentos que usei para convencê-la a me acompanhar foi a possível presença de Pelé no camarote real. Voltamos para São Paulo ainda sem saber que o Eterno 10 de fato tinha ido ao jogo e que, além dele, também o príncipe Robinho dera as caras na Vila. É que o serviço de som do estádio, como sempre, achou desnecessário informar a platéia sobre as augustas presenças. No caso do Rei, já disse aqui, deveria haver uma celebração especial cada vez que ele comparece. Tapete vermelho, recepção pelo presidente do clube, sinal sonoro avisando o público que Pelé está presente e o telão mostrando tudo. Nos jogos noturnos, valeria ainda uma luz especial voltada para o camarote mais famoso da Vila, para iluminar ainda mais a chegada de Nossa Alteza.
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Escrito por Marcos Fonseca às 19h10.
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09/06/2008 |
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VITÓRIA 1 A 0 SANTOS
Contra os falsos craques, prevaleceram os renegados
O Vitória, se não me engano, foi campeão baiano. Para disputar o campeonato nacional, porém, resolveu se reforçar. Contratou os atacantes Dinei e Rodrigão, velhos ciganos do futebol brasileiro, com mais quilometragem do que gols na bagagem. O nível dos “reforços” mostra a força do time que nos derrotou ontem. ***** Em compensação, Kleber, Rodrigo Souto, Molina e Kleber Pereira são os nossos “craques”. Pereira de vez em quando se salva com os gols que marca. Quando passa em branco, o que acontece com freqüência maior, iguala-se aos três companheiros. O lateral esquerdo há meses sonha com a volta ao futebol europeu. Só não encontra interessados. Está claro que não quer mais nada com a Vila e o mesmo acontece com o volante, arrependidíssimo de ter renovado contrato no início do ano. A bola desapareceu de seus pés e o que ele mais demonstra, ultimamente, é uma impressionante debilidade física e técnica. Perde a maioria das disputas e nem passes curtos acerta mais. O quarto craque, Molina, foi visto pela última vez há quase um mês, em Cúcuta. Quem souber de seu paradeiro deve enviar informações para a Rua Princesa Isabel, 77, Vila Belmiro – Santos (SP). ***** Se essas são as nossas estrelas, o que dizer do resto? No gol do Vitória, Marcelo marcou Domingos e Domingos não marcou ninguém. Como era lance de bola parada, havia ainda um terceiro zagueiro, Betão, e pelo menos dois volantes fazendo a marcação dentro da nossa área. Mesmo assim, o atacante do time baiano apareceu sozinho na frente de Fábio Costa. O goleiro é o único que pode ser poupado das críticas à atuação santista em Salvador. Quando o time entrou em campo, já sabíamos que não teria lateral direito, o que vem acontecendo desde o início do ano. Com poucos minutos de jogo, vimos que também não teria defesa, meio de campo e ataque. ***** "Melhores" momentos: Tabata deixando o campo ainda no primeiro tempo / Kleber Pereira recuando uma bola para a nossa defesa, desde a intermediária baiana, e armando o contra-ataque do Vitória / Wesley recebendo o cartão vermelho / Kleber completando seu décimo cruzamento errado / Marcelo pedindo aumento de salário / Thiago Luís aquecendo-se para entrar aos 42 minutos do segundo tempo / Betão, a voz do Apocalipse, dando entrevista no fim do jogo / Cuca dizendo que não haverá tempo de fazer mudanças e ameaçando repetir o time de Leão, quinta, contra o Fluminense.
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Escrito por Marcos Fonseca às 17h25.
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09/06/2008 |
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HORA DA FAXINA
Muito jogador, muito diretor e nenhum resultado
Na semana passada, o presidente do São Paulo foi ao CT tricolor e conversou com os jogadores. Em seguida, acompanhou o treino, ao lado do campo. A situação não era tão crítica, mas o presidente fez questão de manifestar pessoalmente aos atletas sua preocupação com o desempenho do time. Dias depois, o São Paulo goleou o Atlético Mineiro por 5 a 1, marcando três gols em menos de 15 minutos de jogo. No Santos sem time e sem dinheiro, o presidente deveria tomar atitude mais drástica, se não fosse tão omisso. Por exemplo, reunir o elenco com o técnico Cuca e anunciar as seguintes providências: – Total apoio ao treinador para reformular a equipe profissional imediatamente. Cuca tem de começar a montar um novo time já nos treinamentos da semana e no jogo de quinta-feira contra o Fluminense. – Quem não estiver disposto a submeter-se às decisões do técnico ou não se sentir motivado a continuar defendendo o Santos que procure o departamento jurídico e negocie a saída. – Jogadores com contrato a vencer até o fim do ano, aprovados pelo treinador, terão de antecipar a renovação do contrato por no mínimo dois anos. Quem não chegar a acordo será afastado. O técnico tem uma semana para dizer quem interessa e quem não interessa. – Não haverá negociação com empresários e prepostos, mas pessoalmente com os jogadores. Os mais jovens poderão ser acompanhados dos pais. Empresários, agenciadores e advogados estão proibidos de freqüentar o CT. Se tiverem algo a resolver, devem ir à sede administrativa da Vila. – Independentemente da avaliação do treinador, os maiores salários serão rebaixados de pelo menos 30%. São eles Fábio Costa, Betão, Evaldo, Adaílton, Fabão, Kleber, Marcinho Guerreiro, Rodrigo Souto, Rodrigo Tabata, Molina, Trípodi, Quiñonez e Kleber Pereira. – Fica estabelecido um teto salarial de 80 mil reais por mês. Os que não concordarem terão sua transferência facilitada. – Cuca indicará duas ou três contratações para fortalecer o elenco. Para completar o grupo, serão procurados jogadores jovens com vínculo prestes a vencer em outras agremiações. Os liberados ou interessados em sair serão usados como moeda de troca. – A meta é terminar o atual campeonato brasileiro na metade de cima da tabela de classificação, assegurando-se, no mínimo, uma vaga na Sul-Americana. (Na verdade, deveria haver antes uma reunião de Marcelo Teixeira com a diretoria. Nela, todos entregariam seus cargos e seriam mantidos apenas os que de fato trabalham pelo clube. É outra faxina necessária. O Santos tem hoje 48 diretores, incluindo cinco assessores da presidência, um subdiretor de sinuca e bilhar e um subdiretor da sub-sede de São Paulo. Estranhamente, não consta da lista o nome do autodenominado presidente da sede paulistana, José Carlos Perez. Também estão ausentes assessores remunerados, como Zito e Mário Mello. Quem quiser pode conferir no site do Peixe: http://santos.globo.com/clube_administracao_diretoria.php. Leia a relação de nomes e cargos com bom humor. Se a irritação deixar, sorria.)
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Escrito por Marcos Fonseca às 15h27.
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28/05/2008 |
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PEIXE 2008
Acabou Leão, acabou o time. Que venha uma nova mentalidade
O técnico saiu. Agora, falta o time sair. Explico, antes que achem que enlouqueci. O prazo de validade da equipe que representou o Peixe nos primeiros cinco meses do ano expirou na noite de 22 de maio, tão logo o juiz encerrou o jogo contra o América do México. Seu fantasma foi visto três dias depois no Mineirão e periga continuar vagando e dando vexame em mais algumas rodadas do Brasileirão. Mas virará fumaça na virada do semestre e não deixará saudade.
Se tanto, será lembrado pelo empenho em campo e por ter selado a terceira e, espero, última passagem de Leão pelo Santos. Foi até onde pôde, muito mal no Paulistão e além do esperado na Libertadores, neste caso graças aos atalhos que a boa sorte colocou à sua frente. Adversários fracos e motivação gerada pela exposição internacional deram forças e alguma unidade ao grupo santista. Nada mais do que isso.
Sem motivação extra, esse fiapo de equipe não existe. Pode endurecer um jogo ou outro, como fez em alguns instantes contra o Cruzeiro, mas estará sempre a ponto de desandar. Pode até superar-se e vencer o São Paulo, domingo, mas apenas prolongará uma agonia que começou quando Leão aceitou os remanescentes da era Luxemburgo, indicou a contratação de reforços mais do que discutíveis, engoliu os estrangeiros que lhe foram impostos e desprezou a garotada da base. Se agisse de outra forma, é improvável que tivéssemos um desempenho muito melhor, mas agora haveria um projeto de time. O treinador começou a trabalhar com um elenco inchado, que não foi capaz de depurar, e seguiu aceitando toda gordura que lhe ofereceram. Muita quantidade e quase nenhuma qualidade reconhecida. Como não tem auxiliares técnicos – seu custo é, assim, menor do que o de Luxemburgo, mas o benefício também –, tornou-se impossível avaliar tantos jogadores, experimentar todas as alternativas de escalação, definir e treinar um time. Custou caro demais e deixou saldo abaixo de zero, contabilizados os prejuízos da não-valorização das promessas da base e da perda de imagem, arrecadação e prêmios, conseqüente da saída prematura das duas competições disputadas.
Leão, porém, é passado, como acho que logo também serão Kleber, Souto e Kleber Pereira, jogadores que poderiam contar na remontagem do elenco. Como eles, dez entre dez integrantes do grupo atual sonham com uma transferência, se possível para o exterior. De forma que, para mim, a primeira missão do próximo treinador é conhecer os planos de cada atleta. Quem estiver com a cabeça irremediavelmente fora da Vila deve ser afastado já. Como Luxemburgo fez com Alex e Diego em 2004, atitude que na época reprovei, mas que hoje entendo acertada.
Outros devem ser demitidos por deficiência técnica. Até quando Marcinho Guerreiro continuará impedindo a efetivação de Adriano? Até quando Tabata será obstáculo para que Paulo Henrique tenha oportunidades? A lista de dispensáveis é enorme, como mostrou a enquete do Santista Roxo: Douglas, Evaldo, Carlinhos, Vitor Júnior, Fabiano, Tripodi e Renatinho, além dos dois citados. Se for necessário enxugar ainda mais, alguns garotos devem ser emprestados, casos de Anderson Sales, Dionísio, Filipe e Moraes, por exemplo.
Eu também me livraria de Fabão e Betão. O primeiro porque, aparentemente, é um ex-jogador em atividade. Deve ter algum problema físico muito grave, porque não despertou o interesse de um único clube. Ficou no Peixe por inércia, já que vinha se tratando no CT santista. Outro detalhe que me chamou a atenção. No Goiás e no São Paulo, Fabão marcou muitos gols em faltas de média e longa distância. Por que, no Santos, nunca se apresentou para cobrar uma única falta?
Quanto ao Betão, creiam, não é implicância minha. Trata-se de um jogador inútil, que nada acrescenta ao time, mas que se segura e ganha simpatias porque deve ser um bom sujeito, fala bem e tem vontade de acertar. Mas é muito ruim e dá um azar danado. Que vá colocar seus pés congelados em outro lugar. E, se precisássemos de gente apenas esforçada, que tal trazermos Baiano e Geílson de volta?
Fala-se em Autuori e vários outros nomes ditos de ponta para substituir Leão. Não acreditem. É mais um jogo de cena dessa diretoria que adora lançar balões de ensaio para encobrir a trágica situação financeira do clube e iludir o torcedor. A solução deverá ser caseira (Márcio Fernandes) ou mais em conta (Roth, Geninho). Entre os melhores do mercado, entre os quais não incluo Autuori, Parreira e assemelhados, gosto de Muricy, Cuca e Abel Braga. Apostaria, entretanto, no novo.
Penso em alguém que visse no Santos a oportunidade da sua vida, disposto a trabalhar e a incutir nos jogadores o mesmo espírito: um orgulho imenso de participar da história mais bonita do futebol mundial e o maior respeito pelo clube e sua torcida. Nessa linha, os nomes que me vêm à mente são os de Dorival Júnior e Sérgio Guedes, com preferência pelo ex-goleiro, em face de sua identificação com o time cujo gol defendeu com brilho e dignidade. Márcio Fernandes não me agrada: tem ligações com empresários e há muito convive com o estilo e os métodos dessa diretoria.
Qualquer que seja o escolhido, ele terá de começar praticamente do zero. Importante é que pense a médio e longo prazo, esqueça o pessoal que está de saída e comece desde já a preparar um time. Fábio Costa, Molina e Adriano (que já é uma realidade), além de Marcelo, Domingos, Carleto, Paulo Henrique, Lima e Thiago Luís, todos com potencial para evoluir, representam um ponto de partida.
No mais, é testar direito outros garotos e, para posições como a lateral direita, ir atrás de jovens promessas de outros clubes, já que não há dinheiro para contratações de impacto. Se houver critério – e de meias-bocas já nos bastam aquelas que passaram pela Vila nos últimos anos –, dá para fazer um bom caldo. Mesmo que não consiga a classificação para a Libertadores 2009, o novo técnico já terá feito muito mais do que Leão se pelo menos montar um time.
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Escrito por Marcos Fonseca às 20h39.
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23/05/2008 |
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LIBERTADORES, ADEUS
Triste é o que vem por aí
Quando a torcida aplaude o time derrotado, é como se ela dissesse: “OK, perdemos, mas foi injusto. Vocês são melhores e vão mostrar isso nos próximos jogos. Obrigado pela luta”. A noite passada, houve aplausos após o último apito do uruguaio, mas foram tímidos e poucos. Falsa frustração, porque só por apego de torcedor acreditávamos que passaríamos pelo América e sonhávamos em viajar para a glória no Japão. Por isso, quando o juiz apitou o centro do campo, encerrando nossos desordenados e inúteis ataques, o silêncio foi mais ruidoso do que as palmas e estas, desta vez, diziam apenas: “Legal. Vocês são esforçados e foram longe demais. Podemos suportar mais essa decepção”. No íntimo, sabemos que não temos time. Apatia, conformismo e nenhuma luz no fim do túnel. Nas sociais, alguns dirigiam impropérios ao camarote presidencial. Poucos aderiram ou contestaram. Nenhum ânimo para protestar. Nas mentes, estava a grande interrogação: que futuro temos? Daí a não-reação. Algo mais terrível aponta no horizonte do que eventuais erros de arbitragem e inevitáveis derrotas. A dívida bancária de 40 milhões em 31 de dezembro de 2007, com vencimento a curto prazo e, segundo alguns cálculos, já com o dobro do tamanho, levará o clube a desfazer-se, até agosto, de seus poucos talentos. Mesmo que não encontre compradores, o Santos terá de repassá-los de graça a outros tipos de interessados, porque não pode continuar bancando a folha de pagamentos, absurdamente ainda uma das maiores do país. Até lá, enfrentando provisoriamente o campeonato brasileiro, seguirá esse grupo dividido entre remanescentes de Luxemburgo, os contratados do ano (os três estrangeiros à parte) e os garotos da base, estes também separados por Leão entre inscritos e não-inscritos na Libertadores. Pois foi com esse improvável e efêmero exercito, comandado por um Brancaleone autêntico, que encaramos as primeiras competições da temporada. Entre elas a principal, à qual, ontem, demos adeus. Na saída da Vila, sem nem precisar falar de causas, as pessoas se perguntavam sobre conseqüências: quando teremos a chance de disputar outra Libertadores? Leão disse na coletiva que é possível a classificação para 2009. Será que ele acredita nisso? Como nem é certo que continuará no comando do barco, a opinião dele não importa. Interessa é saber o que pensa Marcelo Teixeira. Se falar – e a noite passada ele mais uma vez se escondeu, deixando para o técnico e os jogadores a dureza de se explicar e atacar juízes –, o presidente dirá que fará o possível para reforçar o elenco. Certamente, voltará a afirmar que tudo corre dentro do planejamento do clube, palavra incorporada ao seu vocabulário por inspiração do professor Luxemburgo e que vem praticando ao contrário. Vejam o que se passa com o Santos na Libertadores. Em 2003, o magnífico elenco campeão brasileiro de 2002 chegou enfraquecido pela perda de Alberto e Maurinho. Justamente os dois jogadores menos elogiados do time, o Santos não conseguiu segurar, e eles fizeram muita falta. Jogamos sem lateral direito e no ataque tínhamos Ricardo Oliveira e Nenê, que faziam curta escala na Vila, antes de seguir para a Europa. Em 2004, perdemos Diego e Alex durante a competição. Começava o desmonte da geração 2002 e o perdido Leão dava lugar a Luxemburgo, que chegou precedido de Ricardinho e Deivid, para ao menos salvar o Brasileirão. Em 2005, sem um técnico para tomar conta do boteco, Marcelo Teixeira reassumiu o comando do futebol. Deu no que deu: a temporada mais trágica da história recente do Peixe. Na Libertadores, perdemos o prazo de inscrição de Giovanni e, na partida decisiva contra o Atlético Paranaense, Gallo não tinha zagueiros para compor o time nem reservas suficientes para formar o banco. O atacante Douglas jogou improvisado na lateral-direita. Em 2006, fora da Libertadores, disputamos desinteressados a Sul-Americana, que Luxemburgo não considerava importante. Voltamos, o ano passado, com um bom time, ao qual faltava um mísero centro-avante. Kleber Pereira chegou dias depois da desclassificação, parecida com a de ontem, contra o Grêmio. Deste ano, nem é preciso listar as mazelas. Basta lembrar que Leão reservou até o fim uma vaga na lista de inscritos, confiando na palavra do presidente, de que contrataria um lateral direito. Puro jogo de cena, já que o treinador acredita tanto em Marcelo Teixeira quanto em Betão como talismã. O fenômeno Robinho-Diego foi tão extraordinário que nos deu a felicidade de até aqui nos mantermos, bem ou mal, na elite do futebol brasileiro. A partir de agora, porém, concluída a última etapa da nossa administração oropéia, não temos nem os ovos da galinha, que está bem morta e enterrada. Que a terra nos seja leve, pelo menos, até que venha o próximo renascimento.
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Escrito por Marcos Fonseca às 13h38.
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23/05/2008 |
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A VOZ DO MANO
A hora de sair
Albano Fonseca
Mais uma vez, o afogamento à beira da praia. Não se pode negar que o náufrago esperneou, bateu braços, foi valente. Mas não foi o suficiente. Se têm razão os que reclamam de equívocos e falhas arbitrais reiteradas e unilaterais – e há, ao menos, coincidências repetitivas que, de alguma forma, corroboram uma "teoria conspirativa" extra-campo – então fica óbvio que falta alguma coisa ao clube, para pretender mais que figurar, para poder disputar e decidir dentro das quatro linhas. Fica muito claro também, à vista de repetidas frustrações quando já próximos os objetivos, que o treinador e o time fazem sua parte quanto às partidas que disputam. Eles têm que estar preparados e jogar cada jogo. Mas a disputa e a conquista dos títulos é feita pelo "clube", entendido como a conjugação das diversas forças que o compõem, o elenco, seus preparadores, seus associados e torcedores... e a diretoria e o conselho. O time joga, a torcida comparece e apóia... mas a diretoria e o conselho não fazem sua parte. Parte que é exatamente a extra-campo, dar o apoio administrativo e moral que impeçam tentativas de fraudar os esforços desenvolvidos no gramado. Para isso, uma diretoria e seu conselho têm que ser respeitados, têm que ter força e presença nos foros decisórios de cada uma das competições que o clube participa. Desde há muito que o Santos F.C. é o (aparente) filho doente, desprezado, das entidades futebolísticas, nacionais e estrangeiras. Não tem força nenhum, não se impõe, parece estar sempre a dever ou a pedir favores. Desde que se encerrou a era Athié, Roma, Moran, Faé, que as diretorias vêm cumprindo papel melancólico, salvo em alguns momentos de brilharecos e fugidias esperanças, como em 1995 de Giovane e nos poucos anos de Robinho, Diego, Renato, Léo e outros. Essas diretorias não transmitem as necessárias segurança e certeza de suporte a jogadores e treinadores, muitas vezes relegados a representarem o clube perante os meios de comunicação e a opinião pública, quando das derrotas e desclassificações. A atual chegou até a abdicar da direção do clube e de seu destino ao, praticamente, "terceirizar" o futebol alvinegro para o inefável e boquirroto W. Luxemburgo - que promete sempre muito e entrega muito pouco... e drenou o clube em centenas de milhões de reais por mês – em sua última, espero que última mesmo, passagem pelo Peixe. Essas diretorias vêm permitindo a diminuição e a desmoralização de um admirável rol de feitos, com derrotas absurdas e comprometedoras para pequenas equipes secundárias nacionais e de outros países. Nos tempos de Athié, Roma, Moran, Faé... e Pelé... o Santos F.C. disputava mais de um campeonatos ou torneios ao mesmo tempo, não "poupava" jogadores nem deixava de encarar cada partida com o ânimo de vitória, fosse qual fosse o adversário e ganhava do Boca em Buenos Aires... mesmo sem Pelé! Não se perdia, salvo em poucas e extrordinárias circunstâncias, e nem sequer se permitia cogitar em perder para Ciencianos, LDUs, Universidades, do Chile, da Colômbia, do Equador... da Bolívia! Salvo raras exceções, nos clubes brasileiros - e o Santos não se exclui - a diretoria e o conselho são, apenas, a Presidência, o presidente. Quem sabe os nomes dos demais diretores e da presidência do conselho? Quem é o promovido, quando de algum sucesso... e nunca pode ser execrado, nas muitas horas de fracasso, e está sempre "blindado" às críticas? Sim, se conhece o presidente, que é, ao mesmo tempo, diretoria e conselho. E já é notória a incompetência. Que não se o crucifique, porém, mas que se peça que abra caminho para outros com mais apetite e aptidão. Claramente: o time disputa as partidas, mas é o clube que alcança os títulos. Com a diretoria que tem, não há perspectivas de curto prazo para on Santos F.C., infelizmente. Ontem havia um time em campo, jogando uma partida da Libertadores de América. Mas não havia um clube fora dele, disputando a Taça Libertadores de América. Albano Fonseca é, na ordem cronológica, o segundo dos dez filhos vivos do Seu Fonseca com Dona Dolores.
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Escrito por Marcos Fonseca às 10h23.
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19/05/2008 |
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SANTOS 4 A 0 IPATINGA
Valeu para o Brasileirão, não para a Libertadores
Está certo que quinta é outro jogo e que a cabeça dos jogadores estava toda voltada para ele. Mas o time não precisava jogar tão mal. Por conta do péssimo desempenho do Peixe até os 15 minutos do segundo tempo, o limitado Ipatinga tomou um castigo, ontem, na Vila, como há tempos eu não via. Quando Kleber (?) fez aquele gol, a rebaixada equipe mineira dominava a partida, merecia abrir o marcador e a nossa vaca caminhava gloriosamente para o brejo. Em seguida, deu a louca no Pereira e o técnico Giba está até agora tentando entender e explicar o que aconteceu. Problema dele. O nosso é avaliar as chances que temos de passar pelo América do México, a partir do que se viu em campo neste domingo. Eu, por exemplo, acho preocupante que o time só tenha melhorado após a entrada de Tabata e Trípodi, dois indiscutíveis reservas, se tanto. Ou foi o gol incidental – e não a quase simultânea mexida de Leão – que mudou o jogo? Poderíamos ficar horas discutindo essa questão, mas nenhuma resposta ajuda a resolver nossas dificuldades para quinta-feira. O fato concreto é que a ótima chance de treinar o time para o compromisso que interessa foi perdida. Em parte pelo aparente desinteresse dos jogadores pelo jogo, já que a maioria nem queria estar em campo. E em parte porque o próprio treinador, quando fez as mudanças, estava muito mais preocupado com os três pontos do Brasileirão (e eles eram, mesmo, muito necessários) do que em encontrar opções para a formação que considera titular. Ou alguém acredita que Tabata e Trípodi têm alguma chance de sair jogando contra o América?
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Escrito por Marcos Fonseca às 11h28.
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