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Uma história reescrita diante de nossos olhos

20/06/2011 19h26

Gilmar, Lima, Mauro, Calvet, Dalmo, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Eu vi esse time jogar.

Eu vi Gilmar, sóbrio e imponente sob as traves, operando inacreditáveis milagres. Boquiaberto, tive a sensação de que em algumas noites, fossem 180 ou 360 minutos de jogo, o placar de nosso oponente permaneceria apontando o zero.

Eu vi Lima deixar o meio para se desdobrar na lateral direita. Prá falar a verdade, dava pra imaginar o Santos com 11 Limas, tamanha era a sua obstinação.

Eu vi nossa dupla de zaga em atos e mais atos de superação. Afinal, ser zagueiro naquele time era uma missão ingrata. Com aquela linha ofensiva tão decantada em verso e prosa, era óbvio que os olhares mais exigentes da torcida e da crônica sempre se voltariam lá prá trás.

Mas Mauro e Calvet não se deixavam abalar. Trombadores, talentosos ou catimbeiros, os avantes sulamericanos foram fracassando diante deles. Um a um.

Na esquerda, eu vi Dalmo. Um daqueles que se acostumou a ganhar títulos pelo Santos, desde outras épocas. Sua presença em campo significava confiança para os mais jovens. Mas ele não se contentava só em oferecer a experiência. E se entregava, como poucos. Eu vi.

Eu vi Zito. Um monstro, no melhor sentido da expressão. Marcador implacável, adorado pela torcida. Ele nasceu prá jogar naquele time. Assim como aquele time parecia ter nascido para brilhar sob sua proteção. Vez ou outra, ainda fazia o seu, lá na frente. Como se fosse preciso...

Ah, eu vi Mengálvio desarmar um adversário, girar o corpo e abrir pra Dorval. E antes mesmo do cruzamento preciso sair, “ouvi” o silêncio da torcida adversária. Aquele adorável silêncio, de quem já previa o pior. Os hinchas sabiam: aquela trama, aquela sincronia de movimentos, tinha destino certo. E assim foi. Tantas e tantas vezes.

Eu vi um centroavante brilhar no momento da decisão. Era Coutinho. Não era alto, mas no momento mais difícil, em meio à truculência dos zagueiros adversários, ele subiu mais alto e marcou. Há quem tenha visto um par de asas levando-o pro alto naquele lance. Isso, eu não vi. Mas que aquele gol nos levou aos céus, mais perto da sonhada estrela, ah, isso levou.

Eu vi uma bomba de pé esquerdo partir, do meio da rua, rente à grama, até estufar as redes de um desolado goleiro adversário. Coisa de cinema, de camisa 10 mesmo. Mas era Pepe. E a Vila Belmiro, solo sagrado de tantas vitórias, foi ao êxtase. Mais uma vez.

Sim, amigos, eu vi Pelé. E a cada vez que ele colocava a bola no chão, o estádio inteiro se levantava. Sairia dali um drible desconcertante? Um passe perfeito? Ou mais um arremate indefensável? Certeza, apenas uma: o destino daquela partida, cedo ou tarde, estaria literalmente a seus pés. E felizes aqueles que poderiam testemunhar, então, mais um momento de genialidade.

Gilmar, Lima, Mauro, Calvet, Dalmo, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Sim, eu nasci em 1976. Mas eu vi esse time jogar. Em 2011.

Pois quando a história está sendo reescrita diante dos nossos olhos, ela pode nos levar a qualquer época ou lugar. E aí é só se deixar levar. E torcer, torcer, torcer...

Nesta quarta-feira, 22 de junho de 2011, a história nos leva ao Pacaembu.

E lá veremos Rafael, Danilo, Edu Dracena, Durval, Léo, Adriano, Arouca, Elano, Paulo Henrique, Neymar e Zé Eduardo.

Outros onze que serão vistos com as lendárias camisas brancas por gerações e gerações, durante décadas, daqui por diante.

Tenho certeza.

É hora do dirigente decidir, do treinador comandar e do time jogar.

17/03/2011 01h05

Vamos lá, curto e grosso.

Marcelo Martelotte não pode ser técnico do Santos. Não serviu, não serve e não servirá.

Ouvi dizer que tudo dependeria do que acontecesse no Chile. Já achava arriscado. Mas, se era isso mesmo, então, agora não há nem o que pensar. O tempo acabou.

Prá começar, Martelotte errou na formação do banco. Quem tem um lateral-esquerdo titular de 35 anos não pode abrir mão de contar com seu reserva imediato (e bom jogador, diga-se de passagem) entre os suplentes. Principalmente em se tratando de uma partida de Libertadores, fora de casa, onde geralmente o ritmo é muito mais corrido.

Mas Martelotte cortou Alex Sandro (que até onde sei, tinha plenas condições de jogo) e pagou o preço.

Léo se contundiu logo de cara e aí o que poderia ser uma alteração simples se transformou numa verdadeira bagunça. Pará foi prá esquerda, Danilo prá direita e Possebon entrou como segundo volante. Ou seja: três mudanças ao redor da zaga, de uma vez só. Será que treinamos para jogar assim?

Imprudência ou incompetência? Fico com as duas.

Sem bagagem para reorganizar o salseiro que criou, o interino viu atônito a vantagem inicial do Santos se transformar num vareio de bola. Foram três gols sem qualquer reação, com visíveis falhas de posicionamento. E eis que o time vai pro vestiário perdendo por 3 a 1 e volta sem nenhuma alteração.

Como assim? Ele gostou do que viu? Ficou com medo de queimar duas alterações de cara? Francamente.

Medo e insegurança não combinam com o uniforme de técnico do Santos.

O desastre só não foi maior porque o travessão nos salvou e, em seguida, Neymar aproveitou vacilo do meio-campo chileno para descontar. E aí, sou obrigado a apontar mais um erro grotesco do treinador: demorou prá mexer e, quando o fez, mexeu mal. Não vou nem entrar no mérito da substituição do Ganso. Mas é óbvio que, para a entrada de Maikon Leite, jamais o substituído poderia ser Zé Eduardo. Martelotte sabotou a reação e deixou o time inoperante no ataque por longos minutos, sem referência.

Contudo, não estou aqui para responsabilizar somente o treinador pela derrota, não.

Apóio a atual gestão, acho que um ótimo trabalho tem sido feito em muitos setores do clube mas, em se tratando de futebol, devo dizer: ela não pode se dar ao luxo de cair na conversa de que "o grupo prefere Martelotte".

Ok, fui a favor da saída de Dorival Júnior e até agora, confesso, não formei opinião a respeito da saída de Adilson Batista. Mas, em relação à manutenção do interino, tenho plena convicção: é um tremendo tiro no pé. Por mais que o Santos ainda só dependa de si para alcançar a classificação à 2ª fase, a coisa tem que ser acertada fora de campo antes de voltarmos a ele, diante do mesmo Colo-Colo.

Para isso, basta que se restabeleça uma divisão simples de tarefas: a diretoria tem que decidir, o treinador tem que treinar e o jogador, oras, tem é que jogar bola - ao invés de ficar falando por aí que prefere fulano ou beltrano.

Ademais, já passou da hora desse time entrar em campo prá valer e mostrar que de fato quer ir longe nesse torneio.

Pois até agora nos omitimos contra o Táchira, vacilamos contra o Cerro e ontem só demonstramos certa atitude quando o resultado já era adverso. No meio tempo, tenho visto muita conversinha ensaboada, muito pedido de valorização, um certo deslumbramento e muita tuitada sobre assuntos aleatórios e blá blá blá. Camisa e nome não ganham Libertadores. Só talento, também não. Tem que ralar o joelho, suar sangue e comer grama.

Vou repetir: ralar o joelho, suar sangue e comer grama.

Até agora eu não vi nada disso.

Mas torço muito para que aconteça no próximo jogo.

É nossa única chance, aliás.


Grêmio Recreativo Unidos da DIS-Córdia

23/02/2011 15h06

Atenção, atenção! Mudança de última hora no Sambódromo!

Um conceituado jurista conseguiu uma liminar e alterou o estatuto da Liga das Escolas de Samba. Com isso, o Bloco Unidos da DIS-Córdia vai desfilar. E é... Agora!

Olha a Unidos da DIS-Córdia aí gente!!!!

Vem de lá a comissão de frente, se aproximando das cabines.

A fantasia salta aos olhos: chama-se "Testemunha de Defesa", homenagem ao grande patrono que lutou pela Unidos ao longo de sua história, contra tudo e contra todos.

Mas opa... peraí... a coreografia é polêmica. Tá parecendo "dancinha" de jogador de futebol, pô!

Perguntando pelo repórter, em plena concentração, o coreógrafo se defende:

- Temos direito a 25% dos direitos sobre quem inventou a dança. Tá aqui no contrato ó...

O repórter nem tem tempo de conferir. O carro abre-alas já apontou na avenida e pede passagem.

Repleto de mística oriental, a imponente alegoria "Negócio da China" abre caminhos para o desfile. Decorada com pepinos, traz no alto, como destaques, os internacionalíssimos Sebastián, Michael e Mariano. Eles até que se esforçam para cantar o samba-enredo, mas o sotaque paraguaio deixa a harmonia da escola apreensiva:

Gracias, DIS-Cordia - ô ô!
Un grán
negócio se faz así
Deixa eles hablarem, pués
F
ué bueno para mim y para ti

Paciência, paciência. Ainda tem muita escola prá passar. E, ademais, as alas que vem em seguida são embasbacantes.

Esbanjando no dourado, "Balancê Financeiro" fascina pela estética abstrata. E a ala "Contas Bloqueadas", então? Feita com papel reciclado de guias de INSS. Que efeito visual!

Comoção também com a presença da ala mirim, "Samba Fatiado", que traz toda a ginga de  jovens craques do samba, carregando adereços com percentuais coloridos.

Xi, estão dizendo ali na pista que o jurado de enredo vai implicar com isso. Parece que, segundo o regulamento, os figurinos não podem se basear em obras de ficção.

Assim não é possível, caramba! Tá na cara que a DIS-Córdia vai perder ponto nesse quesito também. Ô lástima!

Ainda bem que ainda há quem discorde - sem trocadilhos - e diga que está tudo dentro do contexto.

É o caso comentaristas da TV que transmite o desfile - por coincidência, de propriedade do grande patrono da escola. Eles estão extasiados, não conseguem contar a emoção!

- A DIS-Córdia é da nossa terra. Ninguém vai tirá-la da nossa terra! Precisamos de um patrono que faça o cheque para ter sempre um grande Carnaval como esse. As outras escolas cabem numa kombi, pô.

Enfim, o desfile vai chegando ao fim. O tempo limite é 77 minutos. Faltam sete. E eis que o último setor é dedicado à entidade mais sagrada da cultura DIS-cordense: o ganso branco.

No devaneio final do carnavalesco, as alas representam o grande ganso em toda parte: Milão, Madri, Londres, Marginal Tietê...

Hã? Marginal Tietê?

Pronto. Era o que faltava prá ruir de vez. Lá se foi a evolução...

É melancólico. O público vaia o fim do desfile. O samba da Unidos da DIS-Córdia atravessou.

Pobre do patrono, que gastou os tubos. Está lá, na dispersão inconsolável.

Um passista até tenta consolá-lo:

- Fica assim não, doutor. Investimento de risco é assim mesmo, meu PARCEIRO.

Incrédulo. Atônito. Atordoado.

17/02/2011 07h33

É inacreditável.

Justo hoje, véspera da estreia na Libertadores, justo quando restavam só dez dias para sua volta aos gramados, Paulo Henrique Ganso muda de endereço.

Sim. A sirene está soando no famigerado imóvel s/nº da Marginal Tietê e o ex-Menino da Vila recebe, das mãos do recém-aposentado Ronaldo, uma outra camisa alvinegra de número 10.

A torcida santista, inconformada, sofre como poucas vezes se viu, em 99 anos de história.

Pelo Twitter, enquanto voa do Peru para a Venezuela, Neymar acompanha tudo. Está atordoado. Não tem nem coragem de contar a novidade para Alan Patrick, Alex Sandro e Danilo. Palavras lhe faltam.

O cordão dos atônitos é ainda maior.

Até o pessoal da DIS – vejam só – está constrangido. Uma transferência de Ganso para o exterior, no futuro, seria muito mais vantajosa, inclusive para a imagem do jogador.

Além disso, graças ao testemunho favorável do ex-presidente do Santos na Justiça, o grupo acabou de receber os valores pendentes das transações de André e Wesley. Ou seja, está com o cofre cheio.

O Santos, infelizmente, não pode dizer o mesmo. Na semana passada, o clube teve suas contas bloqueadas por outro processo: o que diz respeito aos polpudos empréstimos feitos pela gestão anterior, junto ao colégio de sua propriedade.

Perdendo Ganso desta maneira, sem poder honrar qualquer compromisso por ordem judicial...

O ano de 2011, que havia começado tão promissor, agora caminha para um desfecho trágico.

Nas padarias da cidade e no Twitter, a habitual boataria já aponta para um rumo certo: a série B em 2012. Tanto é que uma certa rádio e um certo programa de TV regional não param de repetir uma famosa declaração do tal ex-presidente, feita durante sua última campanha:
 
- Se o Santos não for administrado da nossa maneira, não terá forças para voltar da Série B...

- Se o Santos não for administrado da nossa maneira, não terá forças para voltar da Série B...

- Se o Santos não for administrado da nossa maneira, não terá forças para voltar da Série B...
 
- Se o Santos não for administrado da nossa man...

(...)

- Lúciooooooooo! São dez pras seis. Vai perder a hora!

(...)

Hã? O que? Ah... ainda bem.

UFA!

Isso é o que eu posso chamar de pesadelo...

Para outros, porém, é sonho que se sonha acordado.

E não, não me refiro a torcedores da Marginal s/nº.

Lamentavelmente.

Ser oposição não é se opor ao clube

09/02/2011 20h33

Uma breve impressão sobre a adaptação das correntes políticas
do clube, um ano após a inversão de papéis determinada pelas urnas.


Nove anos se passaram até que a Resgate pudesse colocar em prática no Santos as ideias que motivaram sua criação, em 2001.

Ideias que foram maturadas ao longo de cinco campanhas e discutidas não só entre os resgatistas, mas democraticamente por santistas de todo país, por meio do Portal Santista Roxo e, mais recentemente, das redes sociais incorporadas ao nosso conteúdo.

Não à toa, algumas delas foram aproveitadas pela antiga gestão, principalmente no que se refere a patrimônio e marketing. Ou melhor, sub-aproveitadas. Afinal, em meio a tantos desmandos e inoperância, nenhuma delas poderia ter sido executada em sua plenitude.

Há um ano porém, como se sabe, a eleição inverteu os papéis. E o profissionalismo chegou à Rua Princesa Isabel a passos largos.

A posição referencial retomada dentro e fora de campo resultou numa visibilidade ímpar e extremamente positiva para o Santos em 2010. E, por certo, ainda há muito a se avançar neste 2011.

Com a iminente aprovação do novo Estatuto, por exemplo, o clube estará pronto para uma saudável oxigenação política e, ao mesmo tempo, resguardado em relação a sua saúde financeira.

E pensar que o ex-presidente declarou, sem pressões, no conforto da emissora de TV de sua família, que se o Santos fosse administrado de outro modo que não o seu, "não teria forças nem para voltar de uma queda para a série B".

Felizmente, como se vê hoje (mesmo quando não se quer ver), há outro modo de se gerir o Santos, sim. Com a grandeza e a dignidade que ele merece.

Assim como também há boas maneiras de se desempenhar o papel fiscalizador, crítico e propositivo que cabe à oposição.

E estas certamente não incluem o comodismo dos dedos apontados a esmo para lembrar "daquele tempo" (ainda mais em se tratando do "tempo" em questão), nem boataria de quinta categoria, ou muito menos declarações públicas contra o Santos, em favor de "parceiros".

Ser oposição não é se opor ao clube.

E é por isso que a Resgate se orgulha de sua história. Desde 2001.


DE UM LADO, O SANTOS E NEYMAR. DO OUTRO, O CULTO À MEDIOCRIDADE

13/09/2010 09h28

Assim como Neymar, estou cansado.

Já vi muita coisa no futebol e até poderia dizer que o que está acontecendo não é lá tão novidade. Mas as circunstâncias de agora incomodam muito mais.

Oras, Neymar nadou contra a maré. Viu seus parceiros rumarem para a Alemanha, Ucrânia, Itália... E quando todos achavam que sua passagem para a Inglaterra já estava comprada, surpreendeu. Ficou no Brasil.

Como o talento costuma ser premiado em qualquer profissão, Neymar, craque que é, passou a receber o quanto fez por merecer, no bem pago mercado da bola. E está aí, dando a cara prá bater.

Aliás, não só a cara. Mas as canelas, os joelhos e os tornozelos. Se já era caçado antes de confirmar sua permanência, agora, então, virou alvo pré-determinado. E a coisa vai muito além do futebol.

Mesmo assim, vamos começar pela bola rolando.

O fato é que a temporada de caça ao Neymar está aberta.  Tem o aval dos bananas do apito, a dissimulação da CBF e a conivência do STJD - que prefere vistoriar o Twitter para punir desabafos, a assistir aos teipes dos jogos e suspender esse bando de brucutus covardes. Brucutus que, até bem pouco tempo atrás, é bom que se diga,  simbolizavam o “espírito guerreiro” do futebol brasileiro.

Ontem, o técnico do Ceará - Dimas não sei das quantas, que, dizem, um dia jogou futebol - promoveu um verdadeiro revezamento de pancada. Começou com Heleno, depois Anderson, depois Ernandes e, por fim, o tal João Marcos. Mesmo assim, no único lance em que escapou ileso das bordoadas, o moleque esguio desmantelou todos esses cabeças-de-bagre e deixou Keirrison na cara do gol, para nos dar o empate.

Se a violência tivesse sido punida como deveria, os pontapés cessariam e Neymar certamente teria a chance de construir outras jogadas geniais. Mas Heber Roberto Lopes, como tantos outros, preferiu ter seus 15 minutos de fama, às custas de nosso craque.

Ainda bem que a história, ao menos neste ponto, é implacável. E ele ou qualquer outro árbitro, assim como os Chicões e Marcinhos Guerreiros da vida, acabarão a carreira no ostracismo.

Infelizmente, porém, a patifaria vai muito além das quatro linhas, como eu já disse.

Tem ainda o apoio de alguns comunicadores, que com suas opiniões mesquinhas e fofoquinhas oportunistas, contribuem e muito para criar este clima hostil contra quem tenta, de fato, dignificar o esporte. São os mesmos que passaram o primeiro semestre pregando que futebol bonito não ganha jogo... e tiveram que nos engolir.

E isso dói demais para quem inveja o sucesso alheio, sabemos.

Sabemos também que Neymar está sendo resguardado pelo Santos. Seu novo contrato prevê acompanhamento de profissionais de diversas áreas, para contribuir com sua formação. Aos 18 anos, ao contrário de alguns atletas tarimbados e prá lá de 30 - incluindo os habitués das páginas policiais - ele, até agora, foi apenas imaturo. Como muitos. Mas massacrado como poucos.

Que ele tem de dar exemplo, não tenho dúvidas. Mas errar, admitir e se redimir do erro também é uma bela maneira de se dar exemplo, não? Ainda mais quando se é jovem. E Neymar assim o fez.

Mesmo assim, com toda essa carga emocional mesquinha, até ontem ele não havia reagido com hostilidade.

Querem saber? Até que agüentou muito.

Mas ao final de mais uma partida em que sofreu com as botinadas, ao ver que seu desabafo em tom pacífico não tem dado resultado, Neymar perdeu a cabeça. Pela primeira vez, partiu prá cima de um adversário. Sem a bola. Um gesto que significou muito mais do que a irritação de um atacante incomodado com um marcador.

Foi uma demonstração clara de que precisa de ajuda para “driblar” essa bandalheira toda.

A diretoria do Santos já deu sinais que vai tomar para si essa responsabilidade – e é sua obrigação.

Começou timidamente, divulgando estatísticas das faltas sofridas pelo nosso camisa 11. Mas é pouco. É preciso uma campanha ainda mais direta, contundente. Vídeos, camisas, cartas abertas para a CBF. Formalizar protesto no STJD, se preciso for. Hoje temos um marketing e um jurídico capazes de fazer barulho. Então, vamos fazer.

Ao torcedor, cabe pressionar os árbitros como nunca, dentro dos limites do bom senso, nos jogos em casa. A começar pelo Atlético-GO, quarta-feira, na Vila. Se não tomarmos uma atitude, podem anotar: será outra noite de pancadaria impune. E assim iremos até a Libertadores do ano que vem.

É isso que queremos? Certamente não. Afinal, o campeonato está aberto e estamos no páreo, sim.

Para nos mantermos nele, porém, temos que acabar com essa temporada de caça "patrocinada".

Lembram-se da torcida colombiana aplaudindo Robinho efusivamente após o Santos aplicar 5 a 1 no América, em Cali, com direito a chapéus e golaços, na Libertadores de 2003?

Pois é. Será que um dia veremos isso no Brasil? Duvido.

É possível que um dia este país dê um fim na pobreza. Contudo, difícil mesmo será acabar com a pobreza de espírito do brasileiro. E esse tipo de manifestação no esporte, é sim, um termômetro do que se vê com muita freqüência em outros setores da sociedade. Na política, no convívio social, nas artes.

Persegue-se o talento e cultua-se a mediocridade. E isso nunca nos levou a lugar algum.

É por isso que, assim como Neymar, estou cansado.

Mas não vou desistir. E nem ele, tenho certeza. 

Pois somos Santos. E estamos acostumados a vencer.

Contra tudo e contra todos.

O TALENTO SEMPRE VENCERÁ A HIPOCRISIA

04/08/2010 21h50

O Santos conquistou a Copa do Brasil.
 
Isso significa que o talento venceu a hipocrisia.

Afinal, o hipócrita queria resultados - e já os tem.

Significa também que a atitude derrotou o patrulhamento.

O patrulheiro salivou como nunca desde que a Copa acabou. Arrogante como é, queria bradar aos quatro cantos do país que era tudo fogo de palha. Era tudo máscara. Covardemente, não se contentou em exercer sua profissão ou, simplesmente, sua liberdade de expressão.

Preferiu dar a si próprio uma procuração para julgar e condenar alguns fatos do dia a dia, querendo, de qualquer jeito, colocá-los acima do que é a verdadeira essência desses meninos: a atitude, a irreverência e a qualidade dentro de campo. Coisa de quem não suporta o sucesso alheio.

Como se ele, patrulheiro, nunca tivesse errado, por falta de maturidade, discernimento ou informação.

Como se o Santos, fora de campo, não tivesse hoje em seu comando pessoas capazes de orientar, corrigir e contribuir com a formação destes jovens, para que eles possam, a cada dia, crescer profissionalmente e como cidadãos.

Pois é, patrulheiros e hipócritas.

Toda essa nuvem sobre perda de comando, crises internas... vai desaguar agora na cabeça de vocês.

E se depender de mim, chove granizo.

O SANTOS É O CAMPEÃO DO BRASIL.

E isto quer dizer também que a confiança superou o despeito.

Pois despeitado é aquele que diz "não se importar muito" com futebol, mas sempre aparece quando tem chance. Nem precisa o time dele (se é que tem) fazer algo relevante, não. Pode ser mesmo só prá poder falar sobre o que todo mundo está falando. No caso, o Santos.

E falar mal, é claro, repetindo o que ouve como se fosse um mantra.

Mensagens supostamente irônicas, tuitadas com frases feitas de botequim... o despeitado passou semanas achando que estava na crista da onda. E agora levou mais um caldo.

E já que agora ele vai fugir dos que dão a cara prá bater em qualquer circunstância, como nós, deixo aqui alguns novos "mantras", prá que ele possa ter o que falar, a quem quiser lhe der ouvidos:

- O Santos não está pronto para a Libertadores. Paulista e Copa do Brasil são moleza.

- O time do Santos está sem comando. E os jogadores não se suportam.

- A Seleção Brasileira só tem dois jogadores e meio do Santos. André já é do Dínamo e Robinho, não se sabe.

Pode falar, falador. Vem que tem. HOJE TEM.

Eu sei que, no fundo, você está se roendo por dentro. Como o patrulheiro e o hipócrita.

É por isso que bancar este time está valendo a pena como nunca.

Principalmente diante dessa gente, do verbo fácil.

AFINAL, O SANTOS JÁ É DUAS VEZES CAMPEÃO EM 2010.

E vocês vão ter que engolir esse blá-blá-blá por um bom tempo.

Aos meus amigos santistas que cortaram o país para formar o já inesquecível mar alvinegro no Barradão...

Eu poderia dizer que queria ter estado aí com vocês. Mas não direi, porque, acreditem, eu estava.

Obrigado por carregarem em cada um de vocês o meu coração alvinegro, que bateu forte como nunca.

Obrigado por darem voz aos gritos aqui da sala, que certamente engrossaram o coro no estádio e fizeram o nome de nosso alvinegro praiano ecoar na Bahia, que é de todos os Santos, mas que hoje consagrou somente um.

E, acima de tudo, obrigado por me ajudarem a semear, a cada dia, esse amor que nos conduz e que vai inspirar tantas e tantas gerações alvinegras. A festa é de vocês aí e, quando chegarem, será nossa.

SANTOS, CAMPEÃO DO BRASIL 2010.

Parabéns, Dorival Júnior. Parabéns presidente Luís Álvaro e diretoria.

O trabalho árduo, sério e profissional sempre será recompensado.

Obrigado, MENINOS DA VILA.

Por fazer este aqui, que já não é tão menino, feliz como um pivete de dez anos.


LOGO MAIS, ESTAREMOS JUNTOS NOVAMENTE

28/07/2010 00h01

Se você não sabe o quanto eu caminhei prá chegar até aqui, como diz aquela canção, eu vou lhe contar.

Eu mudei.

Mudei muito, na esperança de iniciar uma caminhada mais longa.

Uma caminhada que fiz, pela última vez, nos anos 60. Mas que agora, me sinto pronto e plenamente disposto a repetir.

E pensar que há seis meses, só havia desconfiança e temor.

Um temor leviano, plantado por aí por aqueles que achavam ter uma fórmula mirabolante para me conduzir, acima do bem e do mal. Por isso, fiquei feliz quando, naquela tarde de dezembro, ano passado, 1882 pessoas materializaram o desejo de tantos milhões que me amam e se preocupam comigo.

Finalmente, meu destino passou a ser traçado por outras mãos.

Minha reputação, mundialmente reconhecida, foi construída à base do talento e do amor à camisa branca que envergo. Um talento que insiste em brotar em minhas terras, até na mais severa das estiagens, como uma benção dos céus. E um amor inexplicável, que me faz ser seguido onde e como eu esteja.

Nos últimos sete meses, coincidência ou não (eu duvido que seja coincidência), pude reviver essa reputação e esse amor como nunca.

Quem me deu essa chance foram meninos que, até então, pareciam destinados a sucumbir, como tantos outros, às leis crueis desse mundo em formato de bola. E outros não tão meninos, que chegaram desacreditados, mas não tardaram a mostrar seu valor e a transformar esta combinação em algo muito especial.

Como você já deve ter percebido, eu sou o Santos Futebol Clube.

E preciso de você para uma decisão que vai durar uma semana. Que começa em nossos domínios e termina em terras adversárias. E que pode nos levar a outras terras, mais distantes, no ano que vem. É tudo que queremos.

Preciso de você e de seu comprometimento, como naquele primeiro jogo do ano, quando quase ninguém notou a importância daqueles 4 a 0 no Rio Branco - mas, você, sim.

Preciso de você e de seu carinho, como naquela vitória contra o São Paulo, a primeira - é melhor especificar, porque só esse ano já foram quatro -, quando abraçamos juntos o nosso Robinho, que tirou "de letra" o seu tão aguardado retorno.

Preciso de você e de sua euforia, quando desandamos a lascar 10 no Naviraiense, 9 no Ituano, 8 no Guarani... quando tripudiamos com o deliciosamente irresponsável "chapéu" de Neymar no tal Chicão, o primeiro de uma longa fila de reclamões que se formou.

Preciso de você e de sua fibra, pois, mesmo depois de tantas goleadas, só com muita fibra conquistamos o título paulista. Quando restaram 8 em campo, quando Ganso disse que não saía, você também não arredou pé. E foi das arquibancadas que veio a força para lutar até o fim. Até a vitória.

Preciso de você e de sua confiança, que em meio a um ou outro revés nesta jornada santástica, podia até ter dúvidas sobre a próxima coreografia de André, Madson & cia., mas jamais duvidou da próxima façanha. Fosse ela eliminar o time de Vanderlei "Filé de Borboleta" Luxemburgo... ou dar uma surra de bola naquele tacanho grêmio de futebol portoalegrense.

Já passamos por tanto em tão pouco tempo até aqui, meus amigos. E sempre estivemos muito mais próximos do céu do que do inferno, por mais que aquela velha turma despeitada insista em tentar nos arrastar prá baixo.

Mesmo depois de todo encanto experimentado pelos quatro cantos do país... Mesmo sabendo desde a última segunda-feira que a nova Seleção Brasileira está sendo criada à minha imagem e semelhança, como naqueles inesquecíveis anos 60, eles vão continuar tentando.

Azar deles.

Eles não entendem que, juntos, somos muito mais fortes do que qualquer adversário fora de campo.

E que dentro de campo, seja no solo sagrado da Vila ou qualquer terreno em que as onze camisas brancas apareçam, sempre seremos capazes de escrever mais uma de nossas páginas gloriosas.

O que pode parecer impossível para muitos, para nós, juntos, é mais uma chance de fazer história.

E como é bom saber que, logo mais, estaremos juntos novamente.


E OS MENINOS DERAM UMA SURRA DE BOLA NOS "HOMENS"

20/05/2010 10h22

É imortal? Não faz mal, a gente enterra vivo.

Mas mesmo com a pá de cal devidamente colocada, peço licença aos Meninos da Vila - donos do melhor futebol do Brasil, doa a quem doer - para engrossar o coro e também responder as três perguntas feitas no grotesco vídeo que torcedores gremistas postaram na internet esta semana. E de lambuja, a frase ridícula que encerra o tal filme, digno de figurar nas prateleiras dos grandes clássicos da motivação às avessas.

"O que é futebol de verdade?"

Bem, caros gremistas adeptos do futebol viril, másculo e botineiro, esta pergunta é um tanto complexa. Por isso, ontem demos a vocês três exemplos bastante contundentes: um tirambaço milimétrico que só um jogador com a técnica e o talento de Ganso poderia desferir; uma tabela rápida e insinuante entre Robinho e André, finalizada com uma cavadinha desmoralizante por cima do goleiro; e uma arrancada de quase 50 metros de Wesley, com um drible da vaca, um corte no goleiro e um toque sutil, sem ângulo, para balançar as redes.

Aprenderam? Ou querem que eu mande o DVD com os outros 110 gols do ano?

"É firula? É ballet?"

A julgar pelos treze cartões (11 amarelos e 2 vermelhos) tomados pelos atletas do Grêmio nos dois jogos - Ozeia, Hugo (2x), Victor, Edílson (2x), William Magrão, William, Jonas (2x), Rodrigo, Rafael Marques e Adílson -, parece que não se trata de firula.

E olha que o Neymar nem jogou a primeira partida.

Atordoados com os dribles, deslocamentos e passes envolventes dos meninos da Vila, restou aos brucutus o recurso dos sem talento: faltas, reclamações e violência gratuita. Aliás, quem deveria considerar a ideia do ballet é o próprio Grêmio. Quem sabe aprendendo uns passos mais leves e soltos, o time consegue desentortar a cintura. Isso pode até ajudar nas comemorações, ainda que o gol não seja o momento máximo do futebol prá eles.

"Futebol de verdade é só ataque? É realmente esse o verdadeiro futebol?"

É por isso que eu faço votos que o movimento separatista riograndense consiga ao menos emancipar essa modalidade inferior de futebol do resto do país. Assim o Brasil pode se livrar dos torcedores que culturam essa escola grosseira de bola, que talvez possa ser reconhecida em divisões menores da Argentina e do Uruguai, mas é indigna de ter endereço fixo nos nossos domínios.

Uma torcida ter a pachorra de "defender" isso num território pentacampeão do mundo, que consagrou o maior artilheiro de todos os tempos e o maior ataque do planeta (desnecessário dizer aonde), é absolutamente lamentável. Imagens de carrinhos criminosos, socos e chiliques na edição do vídeo só ilustram a pobreza de espírito que historicamente assola esses "extremistas", seus dirigentes e, infelizmente, alguns jogadores e treinadores que lá desembarcam. Parece lavagem cerebral

Ah, sim, nosso ataque fez mais gols que o do Grêmio. E nos classificou. De verdade.

"Antes de virarem homens, os meninos precisam levar a primeira surra de relho".

Como não fui educado à gaúcha, tive que recorrer ao dicionário para descobrir o significado da palavra "relho".

Constatei que se trata de uma espécie de chicote feito de tiras de couro trançadas, usado para causar dor em cavalos, bois e mulas e, assim, fazê-los correr mais.

Pois bem. Ontem os Meninos da Vila ensinaram aos "homens" gremistas que a bola também pode fazer o mesmo.

-x-

Este texto é dedicado aos ilustres fanfarrões "Paulo" Silas e Duda Kroeff.

Que ontem finalmente descobriram com quem estavam lidando.

Pena que já era tarde demais.

IMORTAL É O SENTIMENTO QUE NOS UNE

14/05/2010 11h23

Rodrigo Mancha, estou com você.

Claro que na hora foi muito difícil. Claro que todos queríamos uma bela vantagem para o jogo de volta.

Mas o futebol é assim mesmo, ora cruel, ora consagrador. Num piscar de olhos, tudo pode mudar. E temos que estar preparados pra tudo, para fazer das adversidades um aprendizado.

E você foi forte, cara. Começou a mudar a história assim que saiu do gramado. Esmurrou o banco com a fúria de quem não admite se conformar com um dia ruim. Como alguém que tem sangue nas veias e não é só mais um "profissional" burocrático, de reações premeditadas e frias. Algo tão comum no futebol de hoje.

Que bom que você não teve vergonha de chorar, Mancha. E chorou sem se importar com as câmeras, tampouco com os comentários depreciativos e cruéis dessa crônica esportiva canibal em sua maioria, que não se contenta em analisar uma partida de futebol. Covarde e frustrada que é, quer ir além. Quer desmoralizar o profissional e, às vezes, o ser humano. E isso é realmente lamentável.

Naturalmente, alguns que estão do nosso lado se deixam levar por isso no calor do revés. Afinal, todos nós carregamos o Santos conosco aonde quer que estejamos - e é difícil não se deixar influenciar pelo clima de decisão, pela vontade de responder prontamente as barbaridades dos ex-rivais, atuais secadores devotados.

Mas teremos que esperar o jogo de volta, assim como você.

Por isso, continue firme aí, cara. Porque por mais que resistam, as reações intempestivas sucumbirão aos primeiros gritos de "Santos, Santos, Santos" que ecoarem em Vila Belmiro na próxima quarta-feira. Os ânimos ainda estarão exaltados, sim, mas com um único propósito: fazer de nosso estádio novamente o caldeirão que nos levará à vitória... E à final da Copa do Brasil.

E se você estiver com a camisa 5, vai sentir isso na hora em que colocar os pés em campo.

Como, tenho certeza, sentiu naqueles dramáticos minutos que vivemos no Pacaembu, há duas semanas. Quando você foi um dos oito que, diante de um adversário com dois jogadores a mais, fez prevalecer a força de nossa camisa, sustentado pelo amor desta imensa torcida. Juntos, conquistamos mais um Campeonato Paulista.

Lembro bem de sua vibração junto à linha de fundo ao cortar um cruzamento naquele jogo, já nos descontos. E é esta cena que, tenho certeza, será repetida ao final do jogo da próxima quarta-feira.

Força, Mancha. Força, Meninos da Vila. Força, Dorival.

Pois imortal mesmo é este sentimento. Que nos une.

E nos faz cada vez mais fortes.

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