Lúcio Nunes
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28/07/2010 
COPA DO BRASIL
LOGO MAIS, ESTAREMOS JUNTOS NOVAMENTE

Se você não sabe o quanto eu caminhei prá chegar até aqui, como diz aquela canção, eu vou lhe contar.

Eu mudei.

Mudei muito, na esperança de iniciar uma caminhada mais longa.

Uma caminhada que fiz, pela última vez, nos anos 60. Mas que agora, me sinto pronto e plenamente disposto a repetir.

E pensar que há seis meses, só havia desconfiança e temor.

Um temor leviano, plantado por aí por aqueles que achavam ter uma fórmula mirabolante para me conduzir, acima do bem e do mal. Por isso, fiquei feliz quando, naquela tarde de dezembro, ano passado, 1882 pessoas materializaram o desejo de tantos milhões que me amam e se preocupam comigo.

Finalmente, meu destino passou a ser traçado por outras mãos.

Minha reputação, mundialmente reconhecida, foi construída à base do talento e do amor à camisa branca que envergo. Um talento que insiste em brotar em minhas terras, até na mais severa das estiagens, como uma benção dos céus. E um amor inexplicável, que me faz ser seguido onde e como eu esteja.

Nos últimos sete meses, coincidência ou não (eu duvido que seja coincidência), pude reviver essa reputação e esse amor como nunca.

Quem me deu essa chance foram meninos que, até então, pareciam destinados a sucumbir, como tantos outros, às leis crueis desse mundo em formato de bola. E outros não tão meninos, que chegaram desacreditados, mas não tardaram a mostrar seu valor e a transformar esta combinação em algo muito especial.

Como você já deve ter percebido, eu sou o Santos Futebol Clube.

E preciso de você para uma decisão que vai durar uma semana. Que começa em nossos domínios e termina em terras adversárias. E que pode nos levar a outras terras, mais distantes, no ano que vem. É tudo que queremos.

Preciso de você e de seu comprometimento, como naquele primeiro jogo do ano, quando quase ninguém notou a importância daqueles 4 a 0 no Rio Branco - mas, você, sim.

Preciso de você e de seu carinho, como naquela vitória contra o São Paulo, a primeira - é melhor especificar, porque só esse ano já foram quatro -, quando abraçamos juntos o nosso Robinho, que tirou "de letra" o seu tão aguardado retorno.

Preciso de você e de sua euforia, quando desandamos a lascar 10 no Naviraiense, 9 no Ituano, 8 no Guarani... quando tripudiamos com o deliciosamente irresponsável "chapéu" de Neymar no tal Chicão, o primeiro de uma longa fila de reclamões que se formou.

Preciso de você e de sua fibra, pois, mesmo depois de tantas goleadas, só com muita fibra conquistamos o título paulista. Quando restaram 8 em campo, quando Ganso disse que não saía, você também não arredou pé. E foi das arquibancadas que veio a força para lutar até o fim. Até a vitória.

Preciso de você e de sua confiança, que em meio a um ou outro revés nesta jornada santástica, podia até ter dúvidas sobre a próxima coreografia de André, Madson & cia., mas jamais duvidou da próxima façanha. Fosse ela eliminar o time de Vanderlei "Filé de Borboleta" Luxemburgo... ou dar uma surra de bola naquele tacanho grêmio de futebol portoalegrense.

Já passamos por tanto em tão pouco tempo até aqui, meus amigos. E sempre estivemos muito mais próximos do céu do que do inferno, por mais que aquela velha turma despeitada insista em tentar nos arrastar prá baixo.

Mesmo depois de todo encanto experimentado pelos quatro cantos do país... Mesmo sabendo desde a última segunda-feira que a nova Seleção Brasileira está sendo criada à minha imagem e semelhança, como naqueles inesquecíveis anos 60, eles vão continuar tentando.

Azar deles.

Eles não entendem que, juntos, somos muito mais fortes do que qualquer adversário fora de campo.

E que dentro de campo, seja no solo sagrado da Vila ou qualquer terreno em que as onze camisas brancas apareçam, sempre seremos capazes de escrever mais uma de nossas páginas gloriosas.

O que pode parecer impossível para muitos, para nós, juntos, é mais uma chance de fazer história.

E como é bom saber que, logo mais, estaremos juntos novamente.



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Escrito por Lúcio Nunes às 00h01.
20/05/2010 
COPA DO BRASIL 2010
E OS MENINOS DERAM UMA SURRA DE BOLA NOS "HOMENS"

É imortal? Não faz mal, a gente enterra vivo.

Mas mesmo com a pá de cal devidamente colocada, peço licença aos Meninos da Vila - donos do melhor futebol do Brasil, doa a quem doer - para engrossar o coro e também responder as três perguntas feitas no grotesco vídeo que torcedores gremistas postaram na internet esta semana. E de lambuja, a frase ridícula que encerra o tal filme, digno de figurar nas prateleiras dos grandes clássicos da motivação às avessas.

"O que é futebol de verdade?"

Bem, caros gremistas adeptos do futebol viril, másculo e botineiro, esta pergunta é um tanto complexa. Por isso, ontem demos a vocês três exemplos bastante contundentes: um tirambaço milimétrico que só um jogador com a técnica e o talento de Ganso poderia desferir; uma tabela rápida e insinuante entre Robinho e André, finalizada com uma cavadinha desmoralizante por cima do goleiro; e uma arrancada de quase 50 metros de Wesley, com um drible da vaca, um corte no goleiro e um toque sutil, sem ângulo, para balançar as redes.

Aprenderam? Ou querem que eu mande o DVD com os outros 110 gols do ano?

"É firula? É ballet?"

A julgar pelos treze cartões (11 amarelos e 2 vermelhos) tomados pelos atletas do Grêmio nos dois jogos - Ozeia, Hugo (2x), Victor, Edílson (2x), William Magrão, William, Jonas (2x), Rodrigo, Rafael Marques e Adílson -, parece que não se trata de firula.

E olha que o Neymar nem jogou a primeira partida.

Atordoados com os dribles, deslocamentos e passes envolventes dos meninos da Vila, restou aos brucutus o recurso dos sem talento: faltas, reclamações e violência gratuita. Aliás, quem deveria considerar a ideia do ballet é o próprio Grêmio. Quem sabe aprendendo uns passos mais leves e soltos, o time consegue desentortar a cintura. Isso pode até ajudar nas comemorações, ainda que o gol não seja o momento máximo do futebol prá eles.

"Futebol de verdade é só ataque? É realmente esse o verdadeiro futebol?"

É por isso que eu faço votos que o movimento separatista riograndense consiga ao menos emancipar essa modalidade inferior de futebol do resto do país. Assim o Brasil pode se livrar dos torcedores que culturam essa escola grosseira de bola, que talvez possa ser reconhecida em divisões menores da Argentina e do Uruguai, mas é indigna de ter endereço fixo nos nossos domínios.

Uma torcida ter a pachorra de "defender" isso num território pentacampeão do mundo, que consagrou o maior artilheiro de todos os tempos e o maior ataque do planeta (desnecessário dizer aonde), é absolutamente lamentável. Imagens de carrinhos criminosos, socos e chiliques na edição do vídeo só ilustram a pobreza de espírito que historicamente assola esses "extremistas", seus dirigentes e, infelizmente, alguns jogadores e treinadores que lá desembarcam. Parece lavagem cerebral

Ah, sim, nosso ataque fez mais gols que o do Grêmio. E nos classificou. De verdade.

"Antes de virarem homens, os meninos precisam levar a primeira surra de relho".

Como não fui educado à gaúcha, tive que recorrer ao dicionário para descobrir o significado da palavra "relho".

Constatei que se trata de uma espécie de chicote feito de tiras de couro trançadas, usado para causar dor em cavalos, bois e mulas e, assim, fazê-los correr mais.

Pois bem. Ontem os Meninos da Vila ensinaram aos "homens" gremistas que a bola também pode fazer o mesmo.

-x-

Este texto é dedicado aos ilustres fanfarrões "Paulo" Silas e Duda Kroeff.

Que ontem finalmente descobriram com quem estavam lidando.

Pena que já era tarde demais.

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Escrito por Lúcio Nunes às 10h22.
14/05/2010 
COPA DO BRASIL 2010
IMORTAL É O SENTIMENTO QUE NOS UNE

Rodrigo Mancha, estou com você.

Claro que na hora foi muito difícil. Claro que todos queríamos uma bela vantagem para o jogo de volta.

Mas o futebol é assim mesmo, ora cruel, ora consagrador. Num piscar de olhos, tudo pode mudar. E temos que estar preparados pra tudo, para fazer das adversidades um aprendizado.

E você foi forte, cara. Começou a mudar a história assim que saiu do gramado. Esmurrou o banco com a fúria de quem não admite se conformar com um dia ruim. Como alguém que tem sangue nas veias e não é só mais um "profissional" burocrático, de reações premeditadas e frias. Algo tão comum no futebol de hoje.

Que bom que você não teve vergonha de chorar, Mancha. E chorou sem se importar com as câmeras, tampouco com os comentários depreciativos e cruéis dessa crônica esportiva canibal em sua maioria, que não se contenta em analisar uma partida de futebol. Covarde e frustrada que é, quer ir além. Quer desmoralizar o profissional e, às vezes, o ser humano. E isso é realmente lamentável.

Naturalmente, alguns que estão do nosso lado se deixam levar por isso no calor do revés. Afinal, todos nós carregamos o Santos conosco aonde quer que estejamos - e é difícil não se deixar influenciar pelo clima de decisão, pela vontade de responder prontamente as barbaridades dos ex-rivais, atuais secadores devotados.

Mas teremos que esperar o jogo de volta, assim como você.

Por isso, continue firme aí, cara. Porque por mais que resistam, as reações intempestivas sucumbirão aos primeiros gritos de "Santos, Santos, Santos" que ecoarem em Vila Belmiro na próxima quarta-feira. Os ânimos ainda estarão exaltados, sim, mas com um único propósito: fazer de nosso estádio novamente o caldeirão que nos levará à vitória... E à final da Copa do Brasil.

E se você estiver com a camisa 5, vai sentir isso na hora em que colocar os pés em campo.

Como, tenho certeza, sentiu naqueles dramáticos minutos que vivemos no Pacaembu, há duas semanas. Quando você foi um dos oito que, diante de um adversário com dois jogadores a mais, fez prevalecer a força de nossa camisa, sustentado pelo amor desta imensa torcida. Juntos, conquistamos mais um Campeonato Paulista.

Lembro bem de sua vibração junto à linha de fundo ao cortar um cruzamento naquele jogo, já nos descontos. E é esta cena que, tenho certeza, será repetida ao final do jogo da próxima quarta-feira.

Força, Mancha. Força, Meninos da Vila. Força, Dorival.

Pois imortal mesmo é este sentimento. Que nos une.

E nos faz cada vez mais fortes.

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Escrito por Lúcio Nunes às 11h23.
04/05/2010 
CAMPEÃO PAULISTA 2010
DE MENINOS A HOMENS, COM TALENTO E ESPONTANEIDADE

"Bonito foi ver de perto o segredo deste time campeão.

 Entre os jogadores, amizade inquestionável.

 E com a bola, um contato de criança.

 Imaginem um bando de moleques querendo jogar pelada...

 É a mesma coisa.

 A diferença é que, pra esses meninos,

 A brincadeira já é profissão também.

 Mas pode ter certeza:

 Eles nem se lembram disso"

                                                                 (Tadeu Schmidt, Fantástico, 02/05/2010).


Tadeu Schmidt tem razão. O fato mais inspirador da trajetória do novo Campeão Paulista é, justamente, sua espontaneidade.

Espontaneidade que, mesmo nos momentos mais agudos, foi capaz de sustentar o talento arrebatador desses moleques.

Espontaneidade que sobreviveu heroicamente, em meio às críticas e ao pragmatismo de uns e outros. Que derrubou rótulos covardes e despeitados.

Assim, os que praguejavam contra a badalação exagerada, viram prevalecer o carisma.

Os que alegavam soberba em campo, receberam 100 gols para rever.

E os que disseram que era algo passageiro... bem, estes mudaram de canal antes da entrega da taça.

Não dá mais prá negar, meus caros. Sopram daquela mesma cidade à beira-mar, onde os raios insistem em cair, os ventos que trouxeram de volta a essência do futebol brasileiro. O estado... o país... o mundo já sabe disso.

Tanto é que todos esperavam este título paulista de uma única forma: à imagem e semelhança das fases anteriores, quando o Santos sobrou. E muito.

Mas com o Santos, tudo pode acontecer. Talvez por isso, ele seja sempre capaz de tudo.

E mais uma vez, diante da dificuldade extrema, não teve o menor pudor em se reinventar ali mesmo, na vestiário do Pacaembu.

Cada jogador subiu o túnel de volta ao campo com um outro olhar. E foi à luta, como ninguém havia visto antes.

Se era assim que deveria ser, que fosse, oras.

E nossos meninos, definitivamente, se tornaram homens.

Pois deram a três homens que agiram como meninos, uma louvável chance de redenção.

Numa finalíssima em que Léo, Roberto Brum e Marquinhos - todos da ala mais experiente do grupo - foram expulsos, Neymar e Paulo Henrique arcaram com a responsabilidade. Bateram no peito e, no momento que todos aguardavam há meses, mostraram que estavam lá.  Honraram o manto alvinegro como poucos. Neymar, com duas pinturas em forma de gol. E Ganso... bem, Ganso foi a nossa alma.

Alguns disseram que os oito bravos guerreiros que terminaram o jogo se desdobraram como se valessem pelos dez que estavam do outro lado. Ledo engano. Quando o jogo acabou, Felipe, Pará, Durval, Dracena, Bruno Aguiar, Rodrigo Mancha, Arouca e PH, estenuados, sabiam que tinham jogado não por dez, mas por vinte e poucos homens.

Eram aqueles que já estavam do lado de fora e sem mais nada fazer, a não ser unir-se às 35 mil vozes que "marcaram" o adversário impiedosamente durante 45 dos mais intermináveis minutos da história do Santos.

E representavam, cada um a sua maneira, vinte e poucas razões para justificar aquela superação dos que restaram.

Foi assim que cada desarme passou a ter o mesmo significado de um gol de André, um toque magistral de Robinho ou um drible desconcertante de Neymar. E vinha seguido de um urro ensurdecedor, tão marcante quanto as coreografias que celebrizaram esse ataque absolutamente irresistível.

Assim como, da mesma forma, cada salto, cada defesa, cada chutão prá lateral passou a simbolizar a atitude de Wesley, a bravura de Madson, o oportunismo de Zé Eduardo, a consolidação do trabalho de Dorival Júnior e o tão sonhado final feliz para Giovanni...

Diziam que o futebol arte não é recompensado. Talvez porque duvidassem, no conforto de suas cabines e estúdios com ar condicionado, que ele pudesse ser praticado, também, com garra, amor à camisa e coração.

Ontem, o Santos provou que isso é possível.

É por isso que hoje o santista, cheio de orgulho, aplaude seus campeões.

O Brasil, sorrindo, agradece.


Twitter: @Lucio_N

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Escrito por Lúcio Nunes às 00h18.
19/04/2010 
PAULISTÃO 2010: SANTOS 3 X 0 BEICINHO FC
VOCÊ QUE TANTO FALOU... CONSIDERE-SE HOJE UM PERDEDOR ASSUMIDO

Foi o chinês Cai Lun quem inventou o papel, há mais de dois mil anos.

Mas nem ele, que devia ser um cara bem intencionado, imaginaria o quanto sua invenção seria maltratada, pelo simples fato de aceitar qualquer coisa.

Esta semana, por exemplo, o papel foi judiado pelos dirigentes e atletas do São Paulo Futebol Clube.

A começar pelo presidente e, dizem, halterofilista etílico, Juvenal Juvêncio, que num surto de despeito resolveu menosprezar a história que do clube que ele mais inveja. Afinal, como bem disse o Luiz Caetano, o Santos é tudo que o São Paulo quer ser quando crescer.

A resposta veio dentro de campo, como sempre. Goleada e um baile digno de ser escondido dos netos, se ele ainda espera que algum herdeiro se torne são-paulino.

Por isso, seu Juvenal, CONSIDERE-SE HOJE UM PERDEDOR ASSUMIDO.

Mas esse papo furado não começou semana passada não. Não podemos esquecer da contribuição brilhante de Rodrigo Souto ao se transferir para o time do Juvenal no início do ano, "em busca de mais visibilidade". A julgar pelo drible desconcertante que tomou de Madson no lance do terceiro gol ontem, não se pode dizer que ele estava errado. Sua imagem atônita, combalida e desmotivada está hoje em todos os canais.

Se ele queria aparecer, o Santos, magnânimo e sem guardar rancor, lhe deu esta oportunidade.

Mesmo assim, não podemos deixar de agraciá-lo. Rodrigo Souto, CONSIDERE-SE HOJE UM PERDEDOR ASSUMIDO.

Houve também quem preferiu esconder o temor da eliminação iminente com um discurso recheado de inexplicável empáfia. Deste grupelho fazem parte Cicinho, Hernanes e Alex Silva. Ao invés de pensar em jogar bola, preferiram violentar o papel às vésperas da decisão.

Vejamos. O primeiro saiu do armário para dar entrevistas com sua faixa de "Melhor Time do Brasil"; o segundo, adornou as manchetes dizendo que "havia verdades a serem confrontadas no clássico"; e o terceiro, com vocação para redator de horóscopo, atribuiu ao destino os três gols sofridos na semana passada.

Estranhamente, após serem bagunçados ontem mais 90 minutos, ninguém falou nada. E os jornais de hoje amanheceram sem frases de efeito. Por esta omissão inaceitável, que cada um de vocês CONSIDERE-SE HOJE UM PERDEDOR ASSUMIDO.

Poderia listar ainda o ex-goleiro Rogério Ceni reprovando em sua terceira prova prática de paradinha (caiu em duas e perdeu uma); ou Ricardo Gomes com o gogó apertado por mais um nó tático; mas prefiro encerrar este texto brindando alguns escribas e comentaristas que insistiram em ocupar páginas e mais páginas com o discurso fácil do falso desdém. Aquela velha tentativa de despistar o rancor clubístico, disfarçando-o de pragmatismo.

Ainda não ganhamos nada, volto a dizer. Mas negar que essa molecada arrebatou o país é atestado de indecência. 

Então, taí prá quem disse que era fogo de palha.

Taí prá quem disse que goleada era só em time pequeno.

Taí prá quem disse que a defesa era frágil. Felipe, Pará, Dracena, Durval e Léo monstruosos ontem.

Taí prá quem disse que Neymar e Ganso não resolviam jogos decisivos.

Taí prá quem quiser. Robinho fazendo fila. Wesley fazendo Richarlyson garoto-propaganda do Benegripe.

Enfim, que cada um deste coreto desafinado CONSIDERE-SE HOJE UM PERDEDOR ASSUMIDO, também.

Ou, se preferirem, usem só a primeira letra de cada palavra da frase. Dá no mesmo.

(Sorry, Cai Lun, onde você estiver. Mas tem horas que não dá pra ser só sarcástico)


Twitter: @lucio_n

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Escrito por Lúcio Nunes às 13h00.
13/04/2010 
PAULISTÃO 2010
PREFIRO ESSA METAMORFOSE AMBULANTE ÀQUELA VELHA OPINIÃO FORMADA SOBRE TUDO

Parafraseando o saudoso Raul Seixas, eu realmente me sinto um privilegiado em presenciar essa nova "metamorfose ambulante" do time do Santos.

Prefiro testemunhar a transformação desses garotos diante dos percalços que surgem, dentro e fora do campo, do que simplesmente rotulá-los, seja de modo positivo ou negativo, como se fossem fadados a agir e pensar da mesma forma sempre. Com o agravante da sempre perigosa generalização.

O fato é que o surgimento arrebatador da nova geração dos Meninos da Vila é tão intenso, balançou tanto as estruturas do nosso futebol, que raramente é tratado com meio termo e ponderação.

Talvez porque a maioria da crônica esportiva é adepta "daquela velha opinião formada sobre tudo". Pois é mais cômoda e menos dolorosa a crítica pela crítica, do que o discernimento para opinar entre acertos e erros.

Basta ver como a maioria trata o que tem acontecido em campo.

Primeiro eram os dribles, imediatamente taxados de menosprezo. Depois, as dancinhas, tratadas como provocação inconsequente. Aí veio a derrota no clássico e pronto: o time era uma farsa, fadado ao fracasso. E olha que vinha de uma longa sequencia invicta...

Agora, a moda é outra. É dizer que o time oscila demais e ainda é muito inexperiente para decidir.

Só que este verdadeiro festival de senões, como não poderia ser de outra forma, estão sendo superados dentro de campo. Afinal, os dribles continuam, as dancinhas viraram moda e até mesmo as temíveis reações dos adversários tem sido estancadas. Foi assim domingo, não?

Pode parecer entusiasmo deste que vos escreve, mas não vejo outro motivo senão o despeito clubístico - travestido de imparcialidade - para justificar tanta gente relutando em admitir o quanto é saudável para o Brasil esta retomada do futebol arte, em pleno século XXI. Em pleno ano de Copa do Mundo. E o melhor, com talentos ao alcance dos olhos do povo, no estádio mais próximo, perto de você.

Se vamos ser campeões, são outros 500. Mas que não há nada mais saboroso do que ver o Santos jogar neste semestre, não tenho dúvidas.

Então, vamos adiante. Falemos agora do que acontece fora do campo.

Por tudo que relatei até aqui, inegavelmente, o time do Santos é visado hoje como há muito tempo não se via no futebol brasileiro. Não houve Menudo (sic), Galático (sic) ou Leiteria que chegasse perto disso nas últimas décadas. Não só pelo encantamento que o alvinegro desperta em campo, mas também pela velocidade com que a informação circula e repercute atualmente.

Assim, um episódio como o do Lar Mensageiros da Luz se torna emblemático. Ninguém aqui seria tolo de tentar mascarar o erro cometido naquele 1º de abril. Seria ótimo se o ocorrido naquela tarde fosse apenas uma grande mentira, aproveitando o dia. Mas não foi. E assim,  toda sorte de comentários foi desferida contra os jogadores que não desceram do ônibus. Em sua maioria justos, é verdade, exceto aqueles ofensivos e preconceituosos - não só contra os atletas, mas até mesmo citando de maneira infeliz os pacientes do Lar.

Mas, como Raulzito já profetizava, não é demérito nenhum "dizer agora o oposto do que já foi dito antes". E eis que Ganso, Neymar, Robinho e Brum foram ontem à instituição, sem alarde, tentar reparar em parte a bobagem que fizeram semanas atrás. Vão apagar o episódio anterior? Não. Mas, inegavelmente, mostraram-se dispostos a rever sua atitude. O que é louvável, de todo modo. Pior seria fingir que nada aconteceu e virar as costas para sempre.

Ninguém é obrigado a se sensibilizar pelo novo fato, é claro. Espero - e imagino - que jogadores e o clube estejam cientes disso. Contudo, não posso deixar de dizer que acho bastante sintomática a postura daqueles que fizeram deste episódio um verdadeiro "cavalo de batalha" para denegrir tudo que envolve os jogadores do Santos a partir de agora. Para alguns, tudo que vem deles é artificial, falso e sem coração.

Sinceramente, acho que errar é tão grave quanto julgar ou rotular. Prefiro o verbo "transformar"

Por isso, espero que os Meninos - e os não tão meninos, hoje contagiados pelo espírito da molecada - continuem vivendo esta tal metamorfose ambulante. E aprendam, com seus erros e acertos, que se hoje são estrelas, amanhã poderão já ter se apagado; assim como aqueles que hoje os odeiam, amanhã poderão lhes ter amor.

Só assim se tornarão verdadeiros campeões.

No futebol e, principalmente, na vida.

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PARABÉNS, SANTOS FUTEBOL CLUBE.

98 ANOS DE UM ORGULHO QUE NEM TODOS PODEM TER
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Twitter: @Lucio_N

 



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Escrito por Lúcio Nunes às 09h11.
24/03/2010 
BALANÇO 2009
UMA GRANDE DECISÃO NESTA QUINTA-FEIRA

Nem o jogo pelo Paulistão, em Ribeirão Preto; nem a Copa do Brasil.

A prioridade nesta quinta-feira, pelo menos para alguns santistas, é outra. Aliás, é mais do que uma prioridade. É uma decisão. Um jogo só de ida, que vale o ano.

Temos a vantagem de jogar em casa. Temos um comandante que tem feito um grande trabalho. E temos um "time" renovado, que sabe da importância de defender as cores do Santos Futebol Clube, que está focado em seus objetivos e vem trabalhando duro, com notória dedicação.

Este grupo de santistas atende pelo nome de Conselho Deliberativo.

E nesta quinta-feira, às 20h, estará reunido no solo sagrado de Vila Belmiro com uma missão prá lá de importante: emitir um parecer sobre o balanço financeiro do Santos no exercício de 2009, o último da gestão anterior.

O último balanço de uma década de mandato de Marcelo Teixeira. Mandato que acumulou aprovações de balanços polêmicas. Algumas com ressalvas, como a que levou o atual presidente do clube, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, a renunciar de seu cargo de conselheiro efetivo, recusando-se a compactuar com quem validava aquele documento.

Balanços "famosos" pelos métodos confusos de cálculo, mas até então nunca questionados pela absoluta maioria dos conselheiros eleitos pela gestão anterior. E por boa parte dos efetivos também, é bom que se diga.

É fato que a reunião de amanhã destina-se somente a analisar o balanço de 2009. O que passou -  infelizmente -, passou. Mas, desta vez, renovado, ativo e independente - graças não só à vitória da Chapa O Santos Pode Mais, mas também devido ao  fim do regime de livre e espontânea pressão vigente até o ano passado -, nosso Conselho tem a chance de exercer seu direito com isenção.

Como manda o nosso estatuto e como ensina, em linhas gerais, a democracia.

Como já se sabe, o jornal A Tribuna antecipou na edição desta quarta-feira que a Comissão Fiscal designada para apurar as contas vai recomendar a não aprovação do balanço.

Pudera. A dívida estaria na casa dos R$ 177 milhões, somando o prejuízo do ano passado, mais empréstimos bancários e - vejam só que beleza - empréstimos bancários feitos pela Associação Educacional Santa Cecília, de propriedade da família Teixeira.

Isso sem contar impostos atrasados e direitos federativos de atletas valiosos, rifados à grupos de investidores que prestaram um "auxílio" muito mais do que duvidoso ao Santos Futebol Clube.

Pela primeira vez, amanhã, este "legado" deixado para a atual gestão será realmente conhecido. Pelo que já se vê, trata-se de uma herança calamitosa, que o Portal Santista Roxo, este e tantos outros blogs cansaram de antecipar, em verso e prosa, nos últimos anos. Mas que só agora vem à tona como deveria. Sem máscaras, manobras ou rodeios.

Não por acaso, após passar uma década fugindo da imprensa local e nacional - excetuando, é claro, o programa de TV da emissora de sua propriedade, onde se enche de brios - o ex-presidente agora resolveu ampliar sua comunicação com os santistas.

Passou a assinar um blog e também um perfil no Twitter. E em dois meses, pasmem, já se manifestou mais do que durante os dez anos de sua gestão. Inclusive, no citado blog, já se apressou em antecipar a pauta da reunião de amanhã, justificando-se como nunca se viu.

Para quem não sabe, caso o balanço não seja aprovado, ele tem cinco dias para apresentar sua defesa. Nova recusa e o caso vai para o Jurídico do clube que, posteriormente, pode levar a questão para a Justiça. Talvez isso explique o repentino ímpeto do ex-presidente em se manifestar publicamente. Antes tarde do que nunca?

Enfim, meus amigos, este é o cenário. E eis que, por uma coincidência ingrata, patrocinada pelos desmandos da Rede Globo, o jogo entre Santos e Botafogo de Ribeirão Preto - inicialmente previsto para quarta - acabou adiado para esta quinta. A reunião do Conselho já estava marcada e, por isso, não pode ter sua data alterada. Assim, jogo e reunião acontecerão simultaneamente.

Sei o quanto é difícil deixar de acompanhar nosso time do coração - principalmente na fase atual -, mas fica aqui meu apelo para que todos os Conselheiros compareçam amanhã ao Santos Futebol Clube e exerçam seu direito.

Direito que é dos Conselheiros, mas anseio que é de outros tantos que confiaram a estes representantes esta responsabilidade, por meio do voto. E de tantos outros que não são associados do Clube mas que, sem dúvida, também querem respostas.

É hora do Santos Futebol Clube conquistar mais uma vitória.

A vitória da transparência.

E contra ela, só se colocam aqueles que temem pelos seus atos.

Avante, Santos!




 



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Escrito por Lúcio Nunes às 23h55.
19/03/2010 
COPA DO BRASIL
OS CÃES LADRAM E A CARAVANA DO FUTEBOL ARTE PASSA

Pediu prá "pará", parou.

Paradinha? Estátua? Alguns dirão nova coreografia, mas pode chamar de personalidade.

O Santos desembarcou em Belém para mostrar que não se abalou com a conversa mole dos críticos e dos adversários magoados. Resolveu sua classificação passeando no Mangueirão, sem economizar em rolinhos, chapéus, pedaladas e comemorações. É assim que tem que ser, doa a quem doer. No final, 4 a 0 sem muito esforço.

Sim, ganhar de um adversário muito inferior tecnicamente é obrigação. Mas ganhar jogando bonito é outro departamento. É prá quem pode, não prá quem quer. Podem espernear e fazer beicinho: alegria, irreverência e espontaneidade não se compram na quitanda. Vide o marasmo que imperou na véspera, nos jogos de nossos rivais.

Aliás, já que eles já se habituaram a encher a boca prá falar da gente, aí vão uns parágrafos "marrons"...

Vejam só o Palmeiras. O auto-proclamado time "viril" e "vingador" não conseguiu convencer diante do modesto Paysandu. Na verdade, só conseguiu manter o nível no quesito confusão. Não é que o tal de Léo, zagueiro, perdeu as estribeiras e se atracou com os pacatos atacantes do Papão? Esse aí já merece um julgamento no TJD pelo conjunto de suas bordoadas. E digo mais: a diretoria alviverde já devia se coçar prá marcar uns amistosos de rugbi, já que pras semifinais do Paulistão o time não vai mesmo...

E a "máquina" do sem-ter-nada conseguiu mais uma antológica vitória. "Sem" brilho, "sem" graça e "sem" repercussão. Esse Grupo 1 da Libertadores parece aquele bar decadente da esquina, cheio de covers: tem o São Caetano Cover do Uruguai, o Mirassol Cover do Paraguai e o Bragantino Cover da Colômbia. E o time marginal, que é cover dele mesmo, com seus veteranos covers deles próprios.

Por fim, meus parabéns ao goleiro Adriano Paredão, do Remo, que não foi aos microfones fazer chororô depois da paradinha do Neymar na cobrança de pênalti. Postura bem diferente de uns e outros mais rodados, que apelam até pra citações ao futebol europeu - mesmo sem nunca ter recebido sequer uma proposta para jogar lá. A menos que papel timbrado duvidoso entre na conta, né?

A verdade, meus amigos, é uma só.

Os cães ladram, mas a caravana do futebol arte passa.

Próxima parada, Pacaembu

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Escrito por Lúcio Nunes às 16h15.
16/03/2010 
PAULISTÃO 2010
A ESSÊNCIA DESSE TIME TEM QUE SER PRESERVADA. E APOIADA.

Torcedor santista, não dê ouvidos à conversa fiada. Tem discurso encomendado batendo a nossa porta.

Assim como existe diferença entre elogio e bajulação, existe um abismo que separa a crítica da perseguição.

Mas bastou um revés em circunstâncias atípicas - e graças também à conivência do árbitro - para que uma minoria botasse as manguinhas de fora, como se não soubesse disso.

E não é que tem santista embarcando nessa? Ninguém me contou. Eu li.

Sim, há quem acredite - pasmem - que nossos garotos se tornaram arrogantes, descomprometidos e fadados ao fracasso.

Não sou adepto de "manual do bom torcedor", mas é imprescindível darmos um basta neste tipo de picuinha. Aliás, já devíamos estar vacinados contra as bobagens proferidas pela mídia e pelos nossos adversários, não?

O fato é que hoje chega a ser comovente a solidariedade entre patrulheiros tricolores, marginais e palestrinos. Agora una, santa e indivisível, esta "Santíssima Trindade" insiste em querer atribuir aos talentosos Meninos da Vila toda a soberba e insolência do universo futebolístico.

Quanta pobreza de espírito, meu Deus.

Estava na cara que esse coro rancoroso, reprimido há semanas, estava só esperando pela chance de se fazer ouvir novamente. Maestros não lhe faltam, por sinal.

Ao contrário de Juca Kfouri, que pôs o dedo na ferida em seu comentário de ontem, algumas figurinhas carimbadas da imprensa marrom ressurgiram, ainda mais mequetrefe, levianas e irresponsáveis.

Desta gente partiu uma ridícula pataquada sobre menosprezo. Com seus microfones e gravadores, foram correndo acionar cúmplices da estirpe de Roberto Carlos, Diego Souza, Léo Lima, Rogério Ceni...

Com a bola nos pés, eles não tem feito muito. Jogam mais com o nome na camisa, como mostram a classificação do campeonato e os resultados em geral. Mas quando não estão de posse da redonda, andam impossíveis: sobram ameaças em campo, gestos acintosos, palavras de ordem e recadinhos à distância. Bobagens.

Coadjuvantes a contra gosto, eles se acham no direito de dizer o que bem querem sobre Robinho, Neymar, Ganso & cia. Lamentável.

Cantei a bola no comentário anterior. A "patrulha" quer bater no peito e dizer que o Santos é fogo de palha. Quer vingar a honra dos valorosos zagueiros e volantes brucutus. Justificar o emprego dos geniais técnicos retranqueiros que andam por aí. Quer tornar atual o que um dia nos ensinaram ícones como Danrlei, Fábio Simplício e Vampeta.

É, minha gente, 2002 é aqui. É agora.

E assim como foi naquela época, está na hora de novamente bancarmos nossos garotos nesta cruzada contra a mesquinharia alheia.

Que podemos melhorar, amadurecer, mudar a postura em campo em algumas ocasiões de jogo, não há dúvida. Dorival Júnior sabe disso e tem o time nas mãos. Trabalha para que estejamos prontos no momento decisivo. E felizmente há tempo prá isso.

E outra: ter paciência não significa deixar de cobrar. Assim como o fim de uma invencibilidade de 12 jogos não é motivo para deixarmos de manifestar a nossa confiança. Muito pelo contrário.

Eu quero mais é ver essa molecada partir prá cima, até as últimas consequências.

Do jeito que sabe.

Driblando, pedalando, buscando o gol sem parar e comemorando os gols com alegria, do jeito que gostam. Pois a essência desse time é a ofensividade. Espontânea e irreverente, sim senhor.

Quem não estiver satisfeito, que vá assistir futebol na Noruega, na Austrália, nos Estados Unidos ou em qualquer praça onde o pragmatismo resida. Que vá torcer pro time do Dunga.

Na Vila Belmiro, solo sagrado onde reside o maior ataque de todos os tempos, é assim que se faz. Está em nosso DNA, mais uma vez manifestado numa nova safra de garotos.

Vai prá cima deles, Santos. Porque determinação se mostra jogando bonito. E joga bonito quem pode.

Tesoura, cara feia e dedo em riste nunca levaram ninguém muito longe.

E quem tanto se vangloria da batalha vencida, deve saber que a guerra quase perdida está.

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Escrito por Lúcio Nunes às 11h43.
08/03/2010 
PAULISTÃO 2010
COBRANÇA, CHORORÔ, TORCIDA CONTRA. É ASSIM QUE A GENTE GOSTA.

A fase de classificação do Paulista chega à reta final e o Santos é líder absoluto, com 82% de aproveitamento, melhor ataque e melhor saldo de gols. Nesta semana, contra Naviraiense (este pela Copa do Brasil) e Palmeiras na Vila Belmiro, pode estender sua série invicta para 13 jogos.

À medida em que a mescla dos meninos com "tios" da estirpe de Robinho, Léo, Marquinhos e Dracena dá liga, cresce o consenso de que somos o adversário a ser batido. E olha que estamos só em março.

Felizmente, o time já percebeu que não dá para dar espetáculo o tempo todo. De vez em quando é preciso deixar a técnica de lado, partir pro abafa, comer grama e ir atrás de resultados adversos.

Foi o que se viu em Jundiaí. E ontem, ao empatarmos na marra um jogo praticamente perdido contra a Portuguesa. Competente como é, Dorival Júnior vai tendo a oportunidade de lapidar o grupo da melhor forma possível: tirando lições das vitórias.

Enquanto isso, serra acima, nossos rivais ainda estão na linha "Holiday on Ice": a propaganda é grande, embora todos saibam que eles patinam toda semana. Dois deles já levaram seus tombos. Rogério Ceni saltou em Barueri e aterrissou desconcertado, quase em Alphaville; e a turma da Marginal s/nº perdeu o chão de tal modo que, até agora, insiste em risíveis juras de vingança.

Experiência é isso aí.

Para completar o cenário, alguns cronistas e veículos de imprensa abraçaram a causa e insistem em factóides, como diria Vanderlei. Não preciso dizer quem, nem onde trabalham. Reparem apenas como o nível de cobrança com o Santos já aparece em outro tom. Sempre com aquela pontinha de desafio, de desaforo, de torcida silenciosa para que logo possam encher a boca e dizer: era fogo de palha.

A onda agora é dizer que nossa defesa é o ponto vulnerável. Discordo. É a terceira menos vazada, com uma dupla de zaga recém-formada e volantes improvisados como laterais na maior parte do campeonato. Claro que, considerando os três setores do time, é a que mais precisa melhorar. Mas daí a chamar de vulnerável são outros 500.

Por tudo isso, meus amigos, não é exagero dizer que estamos diante de uma espécie de revival de 2002. Que aliás, também era ano de Copa do Mundo.

Que seja assim até o fim. E triunfe o futebol que dá gosto de ver.


Twitter: @lucio_n

 



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Escrito por Lúcio Nunes às 16h59.
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