Lúcio Nunes
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07/08/2008 
BRASILEIRÃO 2008
ESSE É O TIME DA VIRADA... DE MESA


Eu não sou do “time” da virada de mesa.

Do “time” que alterou o estatuto para se agarrar ao poder com unhas e dentes. Pelo poder.

Do “time” que rifou uma geração, que não forjou, a toque de caixa.

Eu não sou do “time” que transformou milhões de dólares em dívidas homéricas e assim falhou em sua principal missão: fazer o Santos prosperar por longos anos, com uma gestão correta.

Do “time” que publica balancetes indecifráveis, autênticas obras de ficção.

Do “time” que contrata e, em menos de um mês, renegocia o salário do contratado para menos. E que, por essas e outras, não tem ascendência verdadeira sobre ninguém, exceto seus próprios bajuladores.

Do “time” que não conhece o termo custo-benefício.

Do "time" que, segundo os jornais desta semana, desfruta de rendimentos dos salários de alguns jogadores.

Do “time” que trata o Santos como propriedade privada.

Eu não sou do “time” que apequena o Santos em pensamento, palavras e ações.

Do "time" que se cala por interesses. Que consente, por comodidade.

Do “time” que afasta o Santos de sua torcida. Que menospreza sua inteligência.

Do “time” que decide os rumos do Santos na calada de uma Reitoria de universidade.

Do “time” que estampa a marca da instituição da família reinante no uniforme do clube em troca de “bolsas de estudo”.

Eu não sou do “time” que permite que o veículo de um treinador seja depredado nas imediações da Vila, mas que se cerca de seguranças  ao menor sinal de protesto nas cativas.

Do “time” que vê qualidades na conduta do dirigente Antonio Carlos Zago.

Do "time" que chama de planejamento toda desculpa esfarrapada prá tentar reparar erros.

Do “time” que diz à torcida que quem paga contas não tem time competitivo.

Do “time” que acha que a torcida está mal-acostumada.

Do “time” que, com incompetência ímpar, hoje coloca em campo inúmeros jogadores sem a mínima condição de vestir a camisa do Santos, simplesmente porque é o que restou do desbunde gastador.

Do "time" do marketing da tragédia.

Eu não sou do “time” da virada de mesa. Eu não sou do “time” do presidente.

Eu sou Santos Futebol Clube. E quem verdadeiramente ama o Santos Futebol Clube, sem interesses, vaidades ou ganância, não desonra a bandeira alvinegra. Não compactua com a bandalheira vigente.

O "time" da virada de mesa é o grande mal do Santos Futebol Clube.

Vamos esperar até dezembro de 2009 para tirá-lo de lá?

Será tarde demais.

Precisamos nos mobilizar desde já. A começar pelo abaixo-assinado pelo retorno da democracia no Santos Futebol Clube, que acaba de ser lançado por este Portal. Assine já:

http://www.santistaroxo.com.br/estatuto/manifesto.php

E vamos à luta.



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Escrito por Lúcio Nunes às 01h02.
30/07/2008 
BRASILEIRÃO 2008
QUE VENHA HOJE UMA VIRADA AUTÊNTICA. NÃO A DO MARKETING DO DESESPERO.

Que o Santos, logo mais, deixe de ser uma presa fácil para os adversários que tem enfrentado fora de casa, neste Brasileirão.

Um basta em nosso pífio desempenho como visitante, aí sim, representará a recuperação efetiva.

Cuca, ora paternalista, ora incitador, está procurando dar uma "cara" a este grupo, que pareceu entender o recado das arquibancadas nos últimos dois jogos em Vila Belmiro. Claro, refiro-me ao recado dado por torcedores comuns, que se comportam com o coração - e não aqueles movidos por interesses escusos, cuja conduta duvidosa lhes tirou a credibilidade e a confiança dos demais.

Esta gente que só tem como bandeira o Santos Futebol Clube está, sim, contribuindo para forjar a identidade de um elenco que andou se mostrando meio "descompromissado".  Parece ter feito os atletas notarem que, se mostrarem disposição, brigarem, honrarem a camisa, terão sempre respaldo. Embora não sejam os principais culpados da jornada ao fundo do poço, são os mais aptos a nos tirarem de lá.

Não é a primeira vez que eu escrevo aqui: o time do Santos tem sua torcida - e vice-versa. Não é pouco, mas comando faz falta. Nossa populosa diretoria é incapaz de transformar tanta quantidade em um mínimo de qualidade. Não ia fazer loucuras, mas de repente saiu-se com 19 contratações, atirando a um técnico recém-chegado um balaio cheio de gatos prá ele tomar conta e formar um conjunto coeso e eficiente, a toque de caixa. Vale lembrar que o antecessor de Cuca foi trazido e proclamado como o "homem ideal" para reger o "planejamento" deste ano.

Agora, em mais um rompante, nosso mandatário levou o desespero dos cofres para o departamento de marketing, lançando uma campanha motivada pelo cheiro de tragédia no ar. Podem me chamar de ranzinza e intransigente... mas tanta época para chamar o Santos de "Time da Virada"... e eis que a coisa surge no rastro de uma campanha bem conhecida, motivada pela situação de um certo clube que... bem, vocês sabem onde é que foi parar....

Ué, em 2002 não fomos o time da Virada? Saímos do oitavo lugar, classificando na bacia das almas - e fomos campeões. Viramos jogos contra São Paulo e Corinthians, inclusive. E em 2004? A épica retomada de liderança na penúltima rodada, "virando" um campeonato perdido em cima do Atlético Paranaense, escapando de suspensões, interdições, seqüestros...

Até mesmo em 2007, no bi-campeonato paulista, viramos um placar adverso contra o São Caetano, para quem havíamos perdido a primeira partida por 2 a 0. Lembram?

Pois bem, não tivemos nem DVD oficial, quanto mais campanha de marketing do "Time da Virada". Agora tenho que achar esta iniciativa louvável? Por quê?

Precisou o dinheiro ser torrado, os balanços irem à bancarrota, o Santos despencar na tabela como nunca se viu... para aí, sim, nossa diretoria reativa - e nem um pouco pró-ativa - encampar esta história?

Sei que há muita gente irritada com as comparações ao tal do "nunca vou te abandonar", mas, desta vez, não podemos reclamar. Estamos sendo conduzidos do mesmo modo que aquele time foi, em 2007. Felizmente, a diferença reside nesta postura adotada pelo santista comum, que encampou a recuperação do time como sua responsabilidade, também.

Uma postura que, com um bom resultado hoje, receberá do time uma resposta à altura.

Teremos, enfim, um pacto entre as duas únicas partes que podem dar um fim a este momento indesejável.

FORÇA, SANTOS!



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Escrito por Lúcio Nunes às 11h25.
25/07/2008 
BRASIILEIRO 2008
NADA MAIS QUE A OBRIGAÇÃO.

Faz duas semanas que não escrevo e, confesso, hoje faço por obrigação.

Em respeito aos santistas que visitam este espaço com certa freqüência.

Só por isso. Porque já estou farto de escrever sobre as mesmas coisas.

Não há evolução. Não há vergonha na cara.

Desde então, levamos uma sova do Figueirense, fizemos nossa obrigação com o Sport - apesar do tom épico, era obrigação - e ontem entregamos de bandeja três pontos para o time misto do Palmeiras.

Diante disso, há pouco a dizer. É uma lástima. Um time desfigurado, desentrosado, com uma penca de jogadores caindo de pára-quedas na base do "entra e resolve"... E o Cuca, bom, o Cuca....

Ele tenta. Não é nenhum Rinus Mitchels, mas tenta.

Duro é enfrentar times que estão no fim de julho, enquanto nós temos um elenco que ainda vive os meados de abril, em termos de formação, entrosamento e preparação.

Mais uma vez, entramos no Brasileiro esfacelados. Ano passado, ainda deu para recuperar. E agora?

ASSUMA A FRENTE DESTA LUTA, TEIXEIRA.

DÊ A CARA PRÁ BATER JUNTO COM O TIME.

VÁ AO VESTIÁRIO. LEVANTE NAS TRIBUNAS.

SEJA AO MENOS UM TORCEDOR MAIS PRESENTE.

Ninguém, exceto seus puxa-sacos, tem mais estômago para as entrevistas falaciosas e truncadas, os argumentos pífios que  menosprezam a inteligência do torcedor e o jogo de cena barato, que faz com que os atores da Malhação pareçam dignos de Oscar.

Já que os filmes do Memorial sempre terminam com sua pose de populista barato, fazendo o "V" da vitória, sugiro que alguém produza o videoclipe deste primeiro turno com a mesma imagem ao final. Para que todos se lembrem do sofrimento, angústia e nervosismo que o "planejamento" deste cidadão está nos causando. 

Incluam no roteiro também um belo gráfico das receitas do clube desde 2005. E nos créditos, esta declaração, dada na penúltima reunião do Conselho: "Antes tínhamos um time competitivo e as contas não estavam em dia. Agora, estamos pagando as contas, mas agora não temos um time competitivo".

Isso chama-se atestado de incompetência.

-x-

Respirem.

Vamos apoiar nossos jogadores domingo contra o Vasco. É preciso suar sangue, mais uma vez. 

Os protestos devem se dirigir para aquele camarote acima das sociais, onde está o verdadeiro vilão. Lá, onde repousa a irresponsabilidade... e o bom senso nunca dá as caras.

Sim, é um apelo. E nada mais que a nossa obrigação.

-x-



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Escrito por Lúcio Nunes às 09h02.
10/07/2008 
BRASILEIRÃO 2008
UM MISTO DE OTIMISMO E PREOCUPAÇÃO. NAO NECESSARIAMENTE NESTA MESMA ORDEM.

Entre otimista e preocupado, o empate de 1 a 1 contra o Grêmio, ontem, me deixou dividido. Antes de tudo, porém, que fiquem claras duas coisas:

Primeiro, esse negócio de que "nada dá certo" é desculpa de quem não se esforça ou se dedica. E pelo menos uma boa meia-dúzia de jogadores ontem rompeu com esta crendice besta e - mesmo com a bola insistindo em não entrar -, arrancou o empate à força. Vale ressaltar que a defesa do Grêmio é a menos vazada do campeonato. Com o de ontem, foram 7 gols sofridos em 10 jogos.

Segundo, acho uma graça ter que ficar avisando por aí que "agora é o momento de apoiar". Por que? Quando não é? Torcedor que só aparece por cima da carne seca, sinceramente, não faz falta.

Estão dados os recados.

Bom, isto posto e sensacionalismos e falsos dramas à parte... minha preocupação reside no fato que atingimos 10 rodadas, ou seja, metade do primeiro turno. Não que o empate tenha sido desastroso isoladamente, mas pela campanha, a vitória faz mais falta do que nunca. Mais uma vez, o "conjunto da obra" da atual diretoria bagunça o coreto e atira ao Brasileirão um time montado sem qualquer critério. Assim como no ano passado, a equipe só se apruma na metade do primeiro turno e tem que partir prá recuperação na base do abafa.

Só fico curioso, presenciando tudo isso, de onde é que apareceu a verba para trazer a última leva de reforços, após meses do famoso discurso do "não vamos fazer loucuras". Oras... não vendemos ninguém por quantia polpuda - pelo contrário, perdemos jogadores de graça - e, de repente, apareceu um dinheirinho, olê, olê, olá. Seria um fundo de reserva? Um cofrinho de porcelana que só é quebrado quando o planejamento do "deixa como está para ver como é que fica" não dá certo?

Mistérios que os balancetes nunca dirão.

Enfim, as caras novas estão aí e, se não sabemos o que elas vão causar nos cofres do clube, pelo menos em campo deixam boas impressões. Michael e Maykon, pelo que vi, são mesmo do ramo. Michael, além do gol, foi eficaz na ala, mostrou bom domínio de bola, tem boa visão de jogo... é o tal "jogador moderno". Com o despinguelado e surpreendente Apodi do outro lado, finalmente deu-se fim à enfadonha e manjada armação pela esquerda, com Kléber tentando 50 lançamentos de 30 metros por jogo - e acertando um.

Aliás, o Kléber, esperneando ou não, rende mais no meio, sim. Mais adiantado e sem a obrigação de marcar um atacante, melhorou a distribuição de jogadas e fez uma partida razoável, principalmente se comparada com suas mais recentes aparições. Se Fabão e Marcelo pararem de "atacar" de laterais e procurarem ele logo para dar o primeiro passe pós saída de bola, seu futebol vai reaparecer ainda mais nas próximas rodadas.

Já Maykon só não teve uma atuação histórica porque a bola cruelmente o traiu. Poderia ter feito três gols e se consagrado, mas, mesmo assim, seu ímpeto e fôlego de juvenil foram quase comoventes. Tem tudo prá dar certo. Adriano e Thiago Luiz também foram bém e isso explica nossa "quase vitória" e a sensação de que dias melhores virão.

Mas não adianta ficar no "quase", na boa intenção e jogar pontos fora. Que venha o Botafogo, combalido depois do "chocolate" que levou ontem do Vitória, para oficializar a melhora.

Para a seqüência do campeonato, desenha-se como formação ideal a base que saiu jogando ontem, mas com Domingos e Eller no lugar da zaga atual e variações entre Molina e Thiago Luís compondo como meia avançado. O malemolente Kléber Pereira não merece, mas por absoluta falta de opção vai ter que continuar no time titular. Pelo menos atrai os marcadores e tende a melhor agora com a presença de meias mais capacitados para servi-lo. Ninguém desaprende a fazer gols, penso.

Domingo tem mais. E que nossas preocupações comecem a diminuir, na prática.


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Escrito por Lúcio Nunes às 10h36.
26/06/2008 
BRASILEIRÃO 2008
SITE OFICIAL ATESTA CONFUSÃO NOS BASTIDORES


A nota acima, publicada no site oficial do Santos, é sintomática. Desafio os leitores mais afiados a encontrarem algum comunicado parecido no site oficial de qualquer clube profissional de futebol no mundo.

Conclusão óbvia: se o clube precisa esclarecer oficial e publicamente que fulano ou siclano não está autorizado a negociar em seu nome, é porque já não tem o controle da situação nos bastidores, onde, aliás, este tipo de assunto deveria permanecer. Resta saber o que é que o popular Chiquinho Jovem Pan aprontou desta vez, para motivar esta "nota de esclarecimento".

Embora administrado pelo celebrado "Homem do Ano", o Santos dá a entender, com este tipo de nota, que não é lá um parceiro muito confiável atualmente. Exceto para parceiros históricos, como o sorumbático Wagner Ribeiro, com quem o clube está prestes a "casar" novamente. Uma união de más recordações e desaprovada pela absoluta maioria dos santistas, mas que nos é imposta goela abaixo como única alternativa viável, diante da incompetência reinante.

Enfim, fica o serviço de utilidade pública. Se o performático Chico Lopes se apresentar a você em nome do Santos, fuja dele! É um impostor, "não faz parte da diretoria do Santos", como você viu no site.

Mas se o Wagner Ribeiro bater a sua porta, aí sim: estenda o tapete vermelho, sirva um bom vinho e prepare-se para bons negócios. Este sim, é de "confiança".

Credibilidade no mercado é tudo.



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Escrito por Lúcio Nunes às 11h59.
23/06/2008 
BRASILEIRÃO 2008
MAIS UM DOMINGO A SER ESQUECIDO. E LEMBRADO.


A vexatória derrota de 4 a 0 para o Goiás pode ter sido o fundo do poço? Se juntarmos o que foi visto em campo com a matéria publicada ontem em A Tribuna, o principal jornal da Baixada Santista, poderemos chegar à temida conclusão de que, provavelmente, não.

Com um texto corajoso e investigativo - modalidade pouco praticada pela média e pequena imprensa de Santos, que em sua grande maioria costuma fazer vistas grossas à gestão atual -, o jornal esvaziou as declarações do presidente, que diz ter "tudo sob controle" para sanar a alegada dívida de R$ 24 milhões. Em mais um claro menosprezo à inteligência do torcedor, o gestor diz que apenas as cotas de TV que o clube receberá serão suficientes para cobrir o rombo, como se não existissem juros, outras despesas vencendo e um caixa absolutamente despedaçado.

Se a matéria já deixou a manhã dominical do santista um tanto nebulosa, o show de horror visto em Vila Belmiro horas depois acionou de vez o estado de emergência. Depois de dez dias de inter-temporada sob o comando do esforçado Cuca, o time continua sem padrão de jogo e amarrado a titulares absolutos em péssima fase que, graças ao caos administrativo, não têm substitutos no elenco.

Para completar, a incompetência reinante em Vila Belmiro impediu que o lateral-direito Apodi estreasse. O jogador foi apresentado na quarta-feira, treinou entre os titulares desde então e, vejam só, não foi inscrito a tempo na CBF.

Lá se vai o menino Hudson para a lateral... mais um garoto da base lançado ao fogo, sem qualquer critério. O resultado: dois gols do Goiás pelo seu setor, no primeiro tempo. Aí não há técnico que dê jeito.

Outros sinais também corroboram para temermos dias ainda mais tenebrosos. Além dos irrisórios 3,8 mil pagantes - reflexo da lastimável fase do time e de mais uma pífia promoção idealizada pelo marketing santista -testemunhamos ontem, novamente, mais uma omissão organizada nas arquibancadas. 

Seria cômico, não fosse trágico, o tom "distraído" dos protestos, que passam pelo elenco, juiz, vendedor de amendoim, flanelinha... mas nunca pelo imaculado presidente e "Homem do Ano". Ontem, com 3 a 0 contra, os gritos de "Santos" ecoavam como se estivese tudo bem, obrigado. Postura bem diferente da época em que Leão e Betão eram "bois de piranha" dos mais suculentos, mesmo quando o Santos estava em vantagem no placar...

Nas cativas, então, o cenário está ainda mais previsível. Figuras que se tornaram carimbadas por seus brados de ordem contra quem ousasse questionar a diretoria, hoje andam mais caladas. A questão agora está com seus "superiores". Com a goleada sacramentada, bastaram alguns incautos lançarem olhares e apupos às tribunas para que, rapidamente, elas fossem adornadas com seguranças intimidadores. Uma ode à coação, à hipocrisia e ao cultivo do poder pelo poder.

A verdade é que tudo isso já passou dos limites. Passados seis meses do quinto mandato de Marcelo Teixeira, está claro que estamos fadados a nos segurar pelas tabelas, financeira e futebolisticamente até o fim de 2009, salvo algum milagre atemporal e dos mais generosos.

A bola está com aqueles que - cedo ou tarde - já notaram que o futuro do Santos não pode mais passar, de jeito maneira, pelas mãos deste grupo que sitiou o clube. "Opositores", "traidores", "dissidentes"... enfim, todos os santistas rotulados por questionar o golpe no estatuto, a irresponsabilidade administrativa e a falta de consideração com o torcedor comum, devem se unir.

No dia 07 de julho, segunda-feira, estaremos reunidos em São Paulo para discutir como transformar a teoria em prática. Com atitude, organização, manifestações públicas e responsabilidade. Mas sem esquecer que, em campo, há um grupo que ainda tem a obrigação moral de, no mínimo, mostrar vontade e honrar a camisa que veste, para nos tirar desta situação deplorável.

Limitações técnicas existem, mas a falta de comprometimento de alguns "medalhões" é inadmissível. E já deveria ter sido tirada a limpo, se alguém de pulso estivesse à frente do Departamento de Futebol.

Se você também está preocupado com tudo isso que está aí, não deixe de marcar presença no dia 07.

Caso contrário, o cenário em 2010 poderá ser ainda mais devastador.

E aí, meus caros, a conta será ainda mais difícil de pagar.

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Escrito por Lúcio Nunes às 10h11.
19/06/2008 
BRASILEIRÃO 2008
E CUCA TENTA NOS TIRAR DO BURACO CAVADO POR TEIXEIRA...

Terminada a Copa do Brasil, chego à conclusão de que ainda existem algumas coisas que só acontecem com o Santos - e para o seu bem. Mesmo sem disputar o tal campeonato, nosso alvinegro foi um dos mais beneficiados com o certame.

Isto porque, não fosse a zebraça que eliminou o Botafogo da competição - perder para time de série B é sempre zebra e, não à toa, o Sport foi campeão - provavelmente hoje não teríamos Cuca para botar ordem nas quatro linhas cercadas pela Vila Belmiro.

E aí, na fila do banco ou da padaria, algum gaiato vai entrar na conversa sem convite e dizer: "vocês têm que dar os méritos para o Marcelo Teixeira, foi ele quem trouxe o Cuca. E no momento certo".

Discordem e não permitam esse discurso panfletário de quintal. A situação é clara: o presidente não fez mais do que sua mais absoluta obrigação. Com Cuca disponível no mercado, a pressão e a urgência para sua contratação era evidente. Dívidas à parte, Marcelo não poderia errar pela milésima vez. A menos que ele quisesse se auto-homenagear com uma placa nas arquibancadas dos sócios, ao lado de onde está a de Nicolas Leóz...

Aliás, reparem que, quando a gravata aperta além da conta, nosso gestor costuma ter curiosos lampejos de coerência. Típico de quem faz qualquer coisa - até "acertar" - para se manter na cadeira e evitar uma revolta generalizada.

-x-

Não custa lembrar: Emerson Leão, trazido como o "homem ideal para gerir este novo momento de investimento na base", mostrou-se um grande equívoco. Não era o culpado, mas um instrumento da incompetência de quem o trouxe. Cuca, com sua simplicidade, não tem nada de bobo. Viu a quantidade de bobagens feitas e começou a desfazê-las sutilmente, como se fosse apenas um cumpridor de tarefas. Mas há algo mais. Há um profissional correto, dedicado e que respeita a hierarquia, por mais frágil que ela seja.

Assim, foram dispensados esta semana o zagueiro Evaldo, o meia Vítor Júnior e o atacante argentino Trípodi. Salles, Paulo Henrique e Alemão voltaram para a base. Betão deve ser anunciado hoje no Dínamo de Kyev e Michael deve chegar como contrapeso. E Carlinhos foi para o Cruzeiro, em troca de Apodi. Sejamos francos: nenhum dos oito que saem vai fazer despencar a qualidade do elenco, pois são substituíveis com o que já temos.

E assim, escancaram-se, mais uma vez, as atrocidades cometidas aos cofres e a ausência total de planejamento. Vejamos:

Evaldo não ganhava pouco e foi trazido sabe-se lá com o aval de quem; Trípodi veio no "pacote do supermercado", mostrou-se uma farsa e agora sai sem render nada pro clube; Salles, Paulo Henrique e Alemão foram "queimados" e voltam à estaca zero. E olha... tem jogador que vai ficar somente porque não dá pra fazer coletivo com menos de 22.

Sim, as negociações com Carlinhos e Betão serão interessantes. Mas justamente porque diferem do habitual modus operandi da cúpula alvinegra. Por isso, não há porque cortejar a mediocridade. Afinal, só faltava o clube se desfazer de oito atletas, alguns salários de gosto duvidoso, e ainda não ter a capacidade de trazer alguém para a lateral e para a meia, setores devastados pela notória incompetência do departamento de futebol até então.

Aí poderíamos fechar as portas de vez, certo?

Talvez. A julgar pelo que Marcelo Teixeira disse na reunião do Conselho de segunda-feira...

"Nós não temos um time competitivo, mas estamos colocando as contas em dia. Não é isso o que vocês querem? Antes nós tínhamos um time que ganhava títulos e um clube endividado"

É triste, muito triste constatar a pequenez, o despreparo e a arrogância deste discurso. Mas isto não é motivo de supresa. Tampouco os elogios rasgados que o presidente fez, na mesma ocasião, ao "trabalho" de Antonio Carlos como dirigente de futebol. Um horrendo chute de bico na ética, para fora do estádio - e muito além dos limites do Boqueirão e da Vila Belmiro.

Sinceramente, não consigo acreditar que ninguém que estava na Sala neste momento foi capaz de questionar esta declaração. Ou ao menos retirar-se do recinto, em protesto.

Lamentável.

-x-

No fim das contas, uma coisa não se pode negar.

Diretoria e torcida estão do mesmo lado: torcendo desesperadamente para Cuca dar certo. 

É o que resta para ambas as partes.



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Escrito por Lúcio Nunes às 09h24.
09/06/2008 
BRASILEIRÃO 2008
NA HORA DO JOGO DO SANTOS? TALVEZ.

Existe uma comunidade no Orkut com o sugestivo nome "Na hora do jogo do Santos, não".

Considero um achado este nome. Traduz com absoluta perfeição o que sentimos no momento sagrado de ver nosso time do coração em campo. Sem telefonemas, sem idas à padaria, sem assuntos paralelos na sala... enfim: na hora do jogo do Santos, não.

Ontem, porém, descumpri este mandamento pela primeira vez em larga memória. Antecipei um pedido de uma tia e fui dar uma olhada na TV a cabo de sua casa, que estava sem sinal. Eram 10 minutos do segundo tempo.

Saí, porque estava nítido que nada aconteceria ali. Dito e feito. Voltei aos 35 - consegui arrumar a TV da minha tia - e o Santos, ao contrário, não conseguiu se arrumar em campo.

Aliás, TV por TV, pelo que se viu ontem no Barradão, teria sido melhor se a minha tivesse saído do ar.

A verdade é cruel e límpida: o Santos está sitiado. Uma diretoria inoperante de um lado, um elenco malemonte e melindroso do outro. No meio do fogo cruzado, uma comissão técnica recém-chegada que terá de suar a camisa para tentar unir as duas partes, que não falam a mesma língua faz tempo.

Aliás, a diretoria segue calada. Entrevista ao portal do Clube e ao canal da família Teixeira não valem.

E o elenco... ah, o elenco é ousado nas palavras, mas mansinho quando a bola rola. E digo mais: o comportamento dos "líderes" do time após a saída do problemático Leão, foi lamentável. Uma coisa é não gostar dos métodos do treinador - o que compactuo -, outra é escancarar que, digamos, houve uma certa falta de boa vontade em campo, como se viu na derrota para o Cruzeiro.

Todos ganham em dia - até onde eu sei - e têm a obrigação de honrar a camisa que vestem.

Leão já saiu há duas rodadas. E nossos rebeldes sem causa "marcaram" um ponto e nenhum gol, desde então.

-x-

Este será, talvez, o ponto-chave para que a contratação de Cuca seja bem-sucedida. Mais do que liberar bobinhos, TV no almoço e rachão no fim-de-semana, ele terá de ter a perspicácia de ir podando algumas asinhas, com o passar dos dias. E adquirir a ascendência necessária para cobrar de quem anda devendo.

A lista é grande. A começar por Kléber, nem sombra do jogador que foi no ano passado. Erra passes, cruzamentos, deixa buracos na defesa e insiste em lançamentos longos sem qualquer critério. Sua queda vertiginosa de rendimento coincide com a péssima fase do time, aliás.

Kléber Pereira é outro que abusa cada dia mais da paciência do torcedor. Ontem até pé de dividida ele tirou. Recua demais para dar passes de primeira para trás e, quando a jogada sai, não tem velocidade o bastante para estar na área e concluí-la.

Lentidão aliás, é a principal característica deste time - uma herança do "trabalho" do dublê de preparador físico Fernando Leão, cujos métodos são contestados desde sua primeira passagem pelo clube. O resultado é um Molina caindo pelas tabelas, um Rodrigo Souto que habitualmente se cansa no segundo tempo e alguns reservas claramente sem ritmo.

Leão não era a causa dos problemas, obviamente. Era somente um deles.

Cuca tem talento para ser uma das soluções, mas vai precisar de um lateral-direito, um meia e um atacante, pelo menos.

Para isso, a diretoria vai precisar de dinheiro. Só que o já famoso desbunde gastador não permite nada. Restaram migalhas e "traidores" ao hábil administrador santista. Por isso, deve vir por aí mais um atestado de incompetência: a terceirização nefasta do departamento de futebol. O chamado traffic de influência.

Já considero uma boa pizzaria como opção alternativa a Fluminense e Santos.

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Escrito por Lúcio Nunes às 11h29.
28/05/2008 
NAU SEM RUMO
FILOSOFIAS, PROJETOS E... PASMEM... TRAIÇÃO!

"Trazer Emerson Leão é novamente assinar o atestado de omissão. Muda-se o nome, mas o clube continua "arrendado" para o tal do técnico "gerenciador", que vem para dar ordens do roupeiro ao Diretor de Futebol. E ai de quem contariar seus melindres, não é mesmo?

Já que Marcelo Teixeira e sua trupe gostam de usar a palavra "planejamento" a esmo, que tenham a coragem de trazer um técnico menos vaidoso, menos previsível e com mais vontade de vencer. E dêem a ele o apoio e as condições necessárias de trabalho para que técnico e elenco possam crescer juntos."

Fiz este comentário aqui no blog em dezembro do ano passado, quando Emerson Leão já era o mais cotado para assumir a plantação devastada pelos gafanhotos de Vanderlei Luxemburgo - com a anuência de Marcelo Teixeira e a omissão do Conselho.

Mas Leão chegou, de fato, com o status de "nome mais indicado para reimplantar a filosofia de revelar atletas da base ou recém-formados". Desculpa esfarrapada de uma diretoria que torrou R$ 145 milhões em três anos, cometendo a façanha de transformar este montante num déficit de R$ 67 milhões. Pois bem, entenda-se por "filosofia" a única alternativa que restava.

Desta vez, porém, não havia Robinho, nem Diego.

Havia Paulo Henrique, Tiago Luís e Carleto, três boas promessas que foram queimadas pelo técnico no começo do ano. Havia também o esforçado Anderson Salles e o improdutivo Wesley, que tiveram mais oportunidades que o trio mais talentoso - e se "queimaram" por mérito próprio. E ainda Alemão e Renatinho, que mal-orientados e sem qualquer respaldo do treinador, optaram por resolver sua situação com o Santos nos Tribunais.

Este foi o legado do técnico escolhido pela diretoria como "ideal" para 2008. Cinco meses de "guerra fria", com críticas descabidas, frituras na calada da noite e egocentrismo agudo de ambas as partes. Com a lamentável participação especial de um grupo de torcedores que faz questão de não enxergar além do banco de reservas em seus protestos.

Como se não bastasse tudo isso, num  triste epílogo, Leão ainda teve tempo de opinar sobre a possível contratação de Cafú, 38 anos. Um indício de que a "filosofia" e o "planejamento" continuarão sendo seguidos à risca.

- x -

Dizem que Paulo Autuori, agora, é a bola da vez. E que bastaria ele se interessar pelo "projeto".

É uma piada pronta. Imagino já o diálogo na Reitoria da Unisanta, sede oficial das reuniões de cúpula do Santos FC:

- Então, Paulo. O projeto é o seguinte: vai lá e resolve com o que temos. Pagamos o que der.

Neste caso, imagino que Autuori não vá aceitar estas condições. E, aliás, acho melhor mesmo que ele não venha. Sua personalidade não é devastadora para o grupo como a de Leão, mas é outro treinador previamente estabelecido, que já não tem lá aquele ímpeto de vencer e sem grandes objetivos para a continuidade da carreira. O Santos precisa de novas idéias e de atitude, dentro e fora de campo.

Aliás, precisa de agilidade também. Dênis deve se apresentar ao Corinthians hoje, mas sua foto permanece na abertura do site oficial do Santos, com seu sorriso pimpão. Vão esperar a assinatura do contrato para tirar ele de lá? Ou há um contrato de gaveta exclusivo para o direito de imagem no site do clube?

Pensando bem, para quem tem a "visão" de manter no ar o site da Chapa Rumo Certo, com todas as promessas de botequim que hoje ilustram a capa deste Portal... isso é café pequeno.

- x -

Para encerrar, vale notar que Marcelo Teixeira continua se omitindo, mas já começou a acionar o house-organ da família para tentar moldar a imagem que gostaria de vender à torcida do Santos neste momento. Conforme relatou o Alex Frutuoso em seu blog, o repórter Sylvio Ruiz andou dizendo que Marcelo está se sentindo triste, abandonado... e "traído". Logo ele, que tanto se esforçou para manobrar o estatuto para se perpetuar no cargo... e ser eternizado pelos tapinhas nas costas de seus "aliados".

É realmente comovente. Mal posso segurar as lágrimas, está até difícil de escrever.

Agora que todo mundo já sabe que o dinheiro acabou, os  bajuladores começam a pular do barco. Típico. Ainda mais quando na cidade já se comenta sobre a possibilidade do imbroglio administrativo do Santos ir parar na Justiça, com base na Lei de Responsabilidade Social - aquela que recorre aos bens do gestor para cobrir os prejuízos da instituição. Salve-se quem puder.

Pelo sim, pelo não, o outro porta-voz de Teixeira, Armando Gomes, já andou dizendo ontem no ar que as "dívidas estão sendo equacionadas". Não explicou como, nem quando, nem por que. 

Eu acreditava mais quando ele respondia aos faxes do "telespectador" Kurt Cobain. Em 2001.

- x -

Essa é a gestão do Santos. Uma usina de piadas prontas. E todas sem graça.



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Escrito por Lúcio Nunes às 09h56.
25/05/2008 
BRASILEIRÃO 2008
UMA ENTREVISTA COLETIVA, PRESIDENTE

Está tudo sob controle, presidente?

Por que o senhor não vem a público esta semana e expõe ao torcedor santista seu exemplar planejamento para o 2º semestre?

Esclareça sobre contratos de gaveta, atestados médicos falsificados, a perda de contratações para clubes de menor expressão, a falta de representatividade junto à Conmebol... Por que não protestamos contra as arbitragens, presidente? Tem clube aí que "veta" e "sugere" árbitros a cada jogo importante. Temos o rabo preso? Não podemos desagradar Nicolas "Arquibancada" Leóz? Ricardo "Aliado na FIFA" Teixeira? O que se esconde por trás desta omissão, presidente?

E as perspectivas de reforçar este limitado elenco sem o dinheiro que sua gestão torrou, esbanjou e mal administrou, a torto e a direito?

Imagino que o senhor saiba que, ao contrário da Libertadores - onde com um pouco de sorte, até dá prá ir longe com meia-dúzia de bons jogadores (ainda que estes estejam em má fase) - o Brasileirão não tolera times montados e administrados na base da molecagem, presidente. Já levamos três do Flamengo e agora mais quatro do Cruzeiro, presidente.

Cartões, contusões, suspensões, janela européia de contratações e inúmeros fatores vão esvaziar ainda mais as opções que temos. Devemos rezar, presidente? Trocar de técnico? Ou tentar fritá-lo como o senhor tentou no começo do ano, ao se omitir enquanto o caos se instalava no CT e na Vila Belmiro? Pagar multa rescisória de treinador é caro, presidente? Temos uma multa? Temos algum técnico capaz de dar um jeito nesta lambança que o senhor "planejou"?

Perguntas, perguntas, perguntas que não querem calar.

O Sr. Marcelo Teixeira precisa vir a público para nos mostrar que tudo isso é bobagem de torcedor "mal-acostumado".

Uma coletiva, já, presidente. Ou o senhor vai continuar se escondendo?

Aparecer prá sorrir ao lado do Baleinha, assinar parceria com a Unisanta e pra dar plaquinha de gosto duvidoso prá dirigente, é moleza.

Queremos respostas. Já que o Conselho não exige, nós exigimos.


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Escrito por Lúcio Nunes às 19h00.
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