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29/06/2009 |
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Além do jogo
Ainda bem que papai do céu me fez jornalista, e não técnica de futebol. Imagino o quanto deve ser torturante para um profissional tentar pensar, estudar, realizar, com um bando de abutres em volta dizendo "você vai fracassar, você vai cair e estaremos aqui para comer suas vísceras". Ok, não é tanto. Mas é quase. Volto a afirmar: confio no Mancini. Confio no que ele está realizando no Santos, ou no que está tentando realizar, apesar de tudo. Você já escolheu seu chefe? Eu não. Deve ser o melhor emprego do mundo, poder escolher o chefe! Se eu não estou feliz com o meu supervisor, faço corpo mole até que alguém o demita e coloque no lugar alguém por quem eu tenha "apreço" - e a analogia, aqui, é perfeita. Faço intriga, picuinha, feito criança mimada. Mesmo porque não tenho papai nem mamãe para me darem umas palmadas. É isso o que eu vejo no Santos. Uma família sem pai, sem mãe, sem comando.Onde as crianças mandam e desmandam, fazem o que querem, comem fora de hora e dormem só depois do filme. E o Mancini no meio disso, tentando fazer a dele. Em um ambiente em que notícias vazam e jogadores falam mais do que jogam.Onde os tropeços podem significar degola. Onde as sombras andam, ganham em dólar e mandam mensagens pelo Twitter. Planejamento? O que é isso? Planejamento aqui é assim: se o técnico perder três a gente manda embora. E depois contrata outro, e sempre o mesmo, para não ter perigo de errarmos o nome na apresentação. E assim caminha a mediocridade. E lá vou ser eu obrigada, de novo, a dizer "boa sorte" para quem quer que venha. Quando, na verdade, quem precisa de sorte somos nós. Deus nos acuda.
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Escrito por Gisele Berto às 17h17.
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01/06/2009 |
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SANTOS 3 X 1 CORINTHIANS
Bom caminho
Gostei do que vi no jogo de ontem. E não me venham com esse papinho de que era o time B do Corinthians. Poderia ser o A que a vontade seria a mesma. Que gostoso ver nossos meninos deitando no gramado da Vila. Com direito a dribles e jogadas de efeito, com objetividade e leveza. Que delícia ver o Ganso jogando! Não vou dizer as recordações que ele me traz sob pena de me chamarem de "viúva" de novo... =) Até o Kléber Pereira mostrou alguma vontade ao meter aquela bomba que sobrou para o Ganso fazer o segundo gol. Apesar de tê-lo xingado de nomes impronunciáveis em pelo menos dois gols desperdiçados. Confesso que, em alguns momentos, sonhei com o Pedrão do Barueri em seu lugar... Foi bom ver o Corinthians acuado. Descendo a porrada como único recurso de defesa. Jogando como time pequeno. Aliás, se a diretoria santista tiver o mínimo de sangue nas veias deve mandar o "co-irmão" Jean para o STJD para pagar pela agressão estúpida contra o Madson, que deveria ter aberto um B.O. por agressão. Madson parece um fantasma. Está em todos os lugares, ao mesmo tempo. Deve assustar o time adversário! Imagina... você está marcando o baixinho na direita, de repente pisca e ele aparece na esquerda. Se não for teletransporte deve ser bruxaria, mesmo! Está no caminho para virar meu ídolo... O Madson é o Léo que joga no meio. Assim como o Léo é o Madson que joga na lateral. Bom saber que temos "dois Madsons" em campo. Ou "dois Léos", dependendo do ponto de vista... Continuo gostando muito do Mancini, e gostei muito do Santos que empatou no Olímpico e enfiou quatro sem dó no time do pé-de-uva no Maracanã. Fiquei meio decepcionada por ter cedido o empate contra o Goiás, em casa. Mas já voltamos ao bom caminho, ganhando em casa. Estamos na trilha certa - só não podemos nos perder no meio da estrada!
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Escrito por Gisele Berto às 11h12.
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17/05/2009 |
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SANTOS 3 X 3 GOIáS
Post para o Madson
Podia falar da sensação frustrante de empatar com o Goiás na Vila após estarmos ganhando por 3 x1. Podia falar sobre como o time desmanchou após a saída do Brum, nosso cão-de-guarda. Podia falar sobre a atuação desastrosa do Eller. Podia falar da excelente atuação do Kléber Pereira - agora, aperfeiçoado: não satisfeito em perder gols, resolveu não deixar os companheiros fazer. Podia falar do debut do meu filhote na Vila. Dia a se comemorar na família Berto-Cabrera. Podia dissertar longamente sobre um "colega de arquibancada" com uma camisa do Milan escrito "Ronaldo" atrás. Podia falar sobre o remanejamento das torcidas, com os sócios no retão e o curvão se transformando em "curvão do senta". Mas preciso fazer justiça. Por isso esse post é para o Madson. Não sei se ele vai ler ou não. Se o que eu estou escrevendo aqui chegará a ele ou não. Mas eu preciso dizer, do mesmo jeito. Madson, por favor, peço que desculpe os que te xingaram de corintiano no estádio hoje. Eles não sabem o que dizem. Eles não devem ser santistas de verdade. Porque todo santista de verdade que eu conheço reza dia após dia para que tenhamos 11 Madsons em campo. Você é o cara que corre, que dá o sangue, que esbraveja, que sua a camisa. Você é "o" cara! Conheço o histórico corneteiro da torcida santista. Mas estou revoltada com isso! Até cornetagem tem limite! Por isso, por favor, não leve em conta o que te disseram. Posso te garantir que não é a opinião da torcida santista. É só a opinião de um bando de imbecis. E imbecis existem em qualquer lugar, não é mesmo? E, por último: obrigada, Madson, por honrar a camisa que veste. Era tudo o que queríamos de todos os jogadores.
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Escrito por Gisele Berto às 20h46.
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11/05/2009 |
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GRêMIO 1 X 1 SANTOS
Um bom começo
Gostei do que vi ontem. Gostei do Santos motivado, que não chegou tímido ao Olímpico, que não esperou o Grêmio. Terminei achando que poderíamos ganhar um jogo que empatamos... E isso é bom, principalmente em se tratando de jogos no Sul. Nossos pontos fracos são óbvios - claro que precisamos de um lateral direito, claro que precisamos de um centro-avante, claro que precisamos de um volante reserva. Fabão transforma uma zaga sofrível em concisa. Séria. O homem manda e desmanda. Nosso lateral direito é desastroso. Nosso centro-avante me mata de raiva. Às vezes tenho a impressão de que ele perde gols porque quer! O Neymar precisa aprender a brilhar. Lógico que será sempre marcado. Lógico que terá pouco espaço. Mas ele precisa saber se livrar. É aí que se mostra quando o cara vai realmente ser um craque. Continua apagado. O Ganso, indiscutivelmente, é um ótimo jogador. Sempre que a bola passa por ele, chama o véio - que vem coisa boa! O Madson... bom, não vou falar do Madson. Não preciso dizer nada sobre ele. Agora, o Mancini deu uma sorte do cão, também. Foi entrar o Molina e apareceu aquela falta que tinha a "cara" dele. Assim que o árbitro apitou a falta eu ainda comentei: "ah, daí pro Molina é caixa". E não é que foi? Valeu, Mao! O Molina é um estranho caso de "gosto, mas não sei por quê". Tenho simpatia pelo colombiano. Apesar de demorar para entrar efetivamente na partida, vejo um bom futebol nele. Acho que não pode ser dispensado. Mesmo porque tem outros nomes mais urgentes nessa lista. O resumo da ópera é que começamos bem. Tirar pontos do Grêmio no Olímpico não é fácil - ainda mais para o Santos, que costuma ser instável nas partidas fora de cara. E não só tiramos pontos como poderíamos ter ganhado, não fosse a má vontade do Pereira, que jogou melhor como zagueiro do que como atacante. Resta saber se o Santos manterá a regularidade. Se ontem for um espelho do campeonato, vamos brigar nas cabeças. Vai pra cima deles, Santos.
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Escrito por Gisele Berto às 18h04.
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27/04/2009 |
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SANTOS 1 X 3 CORINTHIANS
Considerações sobre o primeiro jogo da final
- O Corinthians se dispôs a jogar fechado, saindo para os contra-ataques. Já tinha sido assim contra o São Paulo, mas o Mancini não viu. Foi o que fizeram, e deu certo. - O Ronaldo “só” fez os dois gols. Nada mais. Mas o que mais deveria fazer, se é pago para fazer gols? - O Corinthians subiu três vezes com perigo. Fez três gols. Aproveitamento de 100%. - O Santos criou mais, o jogo todo. Teve muito mais chances. Chegou com perigo, mas não chutava. Saracoteava em frente à área fechada do Corinthians. Precisa chutar mais. - Excelente reestreia do Maikon Leite. Parado há oito meses, entrou no final do jogo com um rojão no colo. E ainda chegou com perigo à área corinthiana. - O jogo foi definido pela diferença entre ter um cara que marca gols e ter um cara que perde gols. - Foi comovente o empenho do Madson o jogo todo. Não sabia que era possível, mas ele correu ainda mais do que o habitual. Muito obrigada, guerreiro. - Sabia que perderíamos o jogo na volta do intervalo. Os jogadores subiram do túnel mais abatidos do que eu, olhando para a grama. Só faltava eu ter que entrar no gramado para consolar os caras. Faltou sangue nos olhos. Agora, vamos ver o que dá pra fazer no Pacaembu. Não adianta falar em 95 porque dessa vez não temos Giovanni. Além disso, com o Pacaembu cheio, ainda que o Santos consiga os 3 x 0, vai acabar aparecendo um pênalti para os inquilinos... Estou cética. Mas como eu disse no post sobre o aniversário do time, números não costumam dizer muito sobre futebol. E terei o maior prazer de, de novo, vir aqui me desculpar com o Santos caso o melhor aconteça.
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Escrito por Gisele Berto às 11h56.
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15/04/2009 |
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97
Os números e a imortalidade
Em uma conta rasteira, 35.405 dias. Mais de 11.000 gols. Números não costumam dizer muito em futebol. Quantas vezes tínhamos 80% de chances de cair, ou 12% de chances de nos classificarmos em um campeonato? De que valem os números? Somos em três irmãs. Três santistas. Dentre tantos homens na terra, casei com um santista. Minha irmã também. Qual a probabilidade disso acontecer? Matemáticos, me socorram! Dentre tantos times brasileiros, o Santos me escolheu. Por que ele? Por que a mim? Que outros números são importantes? Números, às vezes, viram marcas. Vejam o 10. 10 é 10 de Pelé e ninguém tasca. O que significam os números em detrimento do amor? O que fala mais alto? De que adianta dizer que te amo há mais de vinte anos, se o amor é eterno? O que é um dia a mais ou a menos, se o amor não muda? Não interessam o tempo, os números, os dias... Simplesmente te amo. Hoje, como um senhorzinho de 97 anos, e amarei quando eu for uma senhorinha de 97 anos. Números são relativos. O amor, não. Amor é incondicional. Amor não tem idade. Amor é imortal. Eu morrerei quando alcançar alguma idade. Você, não. Meu filho envelhecerá e morrerá. Você continuará observando minhas gerações passando, e você ficando. Ao contrário de nós, você ficará cada vez mais forte, quanto mais velho ficar. Não sofrerá com osteoporose e, justamente por isso, não correrá o risco de tomar tombos. Não cairá! Não terá glaucoma, nem ficará demente. Você se erguerá a cada ano um pouco mais. Andará sempre de cabeça erguida, sem bengalas. Fortalecendo-se a cada ano que passa, sendo cada vez mais amado e carregando consigo gerações e gerações que te amaram e já não vivem. Esse amor acumulado é o que faz você ainda maior. Imortal. E eterno. Parabéns, meu amor!
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Escrito por Gisele Berto às 12h10.
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13/04/2009 |
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SANTOS 2 X 1 PALMEIRAS
Santos, o time da virada
Não, amigo leitor. Você não está lendo o post do jogo Santos x Ponte, embora o título seja o mesmo. Este é sobre o jogaço de bola do último sábado. Saí de casa tensa. Tentava manter o otimismo, mas estava complicado. Cheguei à Vila quatro horas antes do jogo. Estava em pânico. Não sabia se estava com medo de não conseguir entrar ou se era tensão do jogo mesmo. Acho que era a segunda alternativa. Em frente à Vila, a repórter da rádio Bandeirantes, Kamila Malynowskyj, veio falar comigo. Perguntar minha opinião sobre o jogo. Disse que seria difícil mas que levaríamos por 2 x 1. "E na volta?", perguntou Kamila. "No Parque empata", respondi, sem muita convicção. Eu estava parecendo barata tonta, comendo os dedo, batendo os pés, apertando as mãos. Entrei. Acompanhei o pessoal e fiquei atrás do gol. E foi dali, tão pertinho, que vi Keirrison cabecear pro fundo das redes. Desgraça! Justo ele! Eu não me conformava! Fiquei ainda mais nervosa. Acho que desde aquele jogo fatídico contra o Grêmio na Vila, pela Libertadores, eu não ficava tão nervosa. Teve um momento em que eu achei que fosse ter um troço! Depois disso vi um primeiro tempo impecável, daqueles que a gente sente gosto de assistir! O Santos comia grama, brigava por todas as bolas, neguinho suando sangue! Do lado do Palmeiras, um time que tocava de primeira, vindo para cima, sem cair na tentação de recuar na casa do adversário. Enfim, um jogão! Nossos meninos foram brilhantes! Verdadeiros professores, Paulo Henrique dava lição de moral no Diego Souza; Neymar dava lição de bola; Madson ensinava o significado da palavra "raça". Fim do primeiro tempo, PM tirando foto do Luxemburgo, um gole de água e... começa o segundo tempo. Nem tinha terminado de gritar "é, Fábio Costa" e Neymar já quebrava a coluna do Marcos que, como diria o Renatinho, sentiu o bico de papagaio cantar alto. Não gostei do segundo tempo. O Santos segurou o resultado e o Palmeiras cresceu. Fábio Costa mostrou que continua um gigante. Via-se que sentiu o gol do Keirrison e decidiu: "aqui não passa mais nada". Virou um paredão. Ainda acho que devíamos ter tentado o terceiro. Levar 2 x 1 para a volta é pouco. Kamila, querida, eu menti: não sei, não, se empata no Parque. Resta torcer para que o Santos jogue na volta o que jogou na ida, sem recuar, sem inventar e sem querer empatar. Tem que jogar para ganhar, como foi no jogo de ida. Só assim teremos mais um grande jogo e, de preferência, nosso passaporte para a final garantido.
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Escrito por Gisele Berto às 15h07.
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05/04/2009 |
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PONTE PRETA 2 X 3 SANTOS
Santos, o time da virada
Começo pedindo perdão. Confesso: por uns momentos, eu desacreditei. Aproveitei os raios e trovões para desligar o computador, por onde acompanhava o jogo. Pensei que tudo estaria perdido. Como faríamos em 10 minutos o que não fizemos em 70? E, ainda, tomando sufoco da Ponte. Ouvia os gritos de “eliminado” que ecoavam pelas ondas da internet. Desliguei quando a Ponte e a Portuguesa venciam. Passei a assistir na televisão ao jogo do – desculpe – Corinthians, como uma espécie de penitência. Foi quando ouvi o Luciano do Valle, o perturbado, falar com voz murcha: “tem gol em Campinas”. Pulei do sofá. Kléber Pereira, redimindo-se e marcando quando mais precisávamos. A esperança reacendeu, mas eu nem pensei em ligar o computador. Aguentei o Luciano do Valle, o abestalhado, até que o mesmo falou, com a voz cada vez mais chocha: “e tem pênalti pro Santos em Campinas”. Surtei! Recusei-me a abrir os olhos. Só deu tempo de gritar, junto com a família. Quando eu estava pulando pela casa meu pai gritou “o juiz mandou voltar”. Parei e corri para a TV. Estava lá: 3 x 2, e meu pai morrendo de rir de mim – e de felicidade! Impagável a cara do Luciano do Valle, o gagá. “Coitadinha da Portuguesa. Que azar”. Com todo o respeito, quero mais é que a Portuguesa, o Luciano do Valle, o demente, e toda a corja do contra se lasquem... Já diria Fernando Carvalho: a bola pune. E puniu aquele gol de mão, que eu não esqueci. E puniu o gol mal anulado do Fabiano Eller. Puniu e nos colocou nas semifinais. Agora, tremei baconzitos. Porque temos outro técnico, outros jogadores, outro espírito. Da última vez que entramos na bacia das almas para a semifinal de um campeonato eu lembro bem o que aconteceu. E tenho o DVD em casa ainda para assistir de vez em quando. Vamos devolver, com Keirrison e tudo. Desculpe, fênix, por duvidar, ainda que tenha sido por um momento. E obrigada por me lembrar que NUNCA se pode duvidar do Santos!
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Escrito por Gisele Berto às 22h29.
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23/03/2009 |
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CORINTHIANS 1 X 0 SANTOS
Põe na conta do Mancini...
Mancini, meu querido! Gosto tanto do seu trabalho! Sempre fui uma das que mais te apoiou. Quando disseram que você sacaria o Madson e entraria com três atacantes pensei "é truque. Ele não faria isso". E para quem me perguntava sobre essa possibilidade de escalação eu falava "não sei o que ele está fazendo, mas deve saber o que está fazendo". Mas no fundo, no fundinho mesmo, eu achava que era blefe. Que, na hora do jogo, veríamos Madson no meio, KP e Neymar à frente. E mesmo que você tivesse tentado mesmo esse esquema - pensava eu - iria desistir quando visse que vazara para a mídia. Quando eu vi a escalação para o jogo, gelei. Era de verdade. "O homem tá doido", pensei. Mas imaginei que quando você visse a porcaria em campo, iria mexer no time. Você tem boa visão do jogo. E não é que você deu uma de Cuca ontem? Baixou o professor Pardal e, teimosamente, manteve os dois Moais à frente da nossa linha de ataque, um batendo cabeça com o outro. A área do Corinthians parecia a Ilha de Páscoa... E quando foi mexer, mexeu errado. Não que eu queira saber mais que você. Nem ouso. Mesmo porque sou péssima em tática. Mas estava na cara. Nem precisava entender muito para perceber que o Madson tinha que ter entrado jogando e que você tirou o Neymar quando ele começava a encontrar seu jogo. Era simples: só tirar o Roni ou o Kléber Pereira (pode escolher no palitinho aqui...) e botar o Madson. Simples. Pero no mucho... Vamos fazer assim: a gente põe essa na sua conta e deixa pra lá. Mas vê se para de teimosia e volta com o time que estava ganhando. Com esse aí você mata a gente do coração...
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Escrito por Gisele Berto às 07h55.
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16/03/2009 |
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SANTOS 3 X 0 MOGI
Viúva de Giovanni
Não queria ir ao jogo neste domingo, no Pacaembu. E a razão era simples: não queria ver Giovanni vestindo outra camisa. Não sabia como eu ia me comportar. E, mais do que isso, não queria presenciar um possível insulto de parte da torcida santista. Sim, sou "viúva do Giovanni", como algumas pessoas gostam de dizer. É estranho... antes, apenas adversários me chamavam de viúva. Era do Pelé, depois do Giovanni, depois do Robinho. Agora, alguns santistas também me chamam de "viúva do Giovanni"... Comecei a acompanhar o Santos de verdade na geração Giovanni. Meu pai, santista, nunca influenciou as filhas, nunca insistiu para que gostassem de futebol. Morava no interior, as notícias que chegavam eram poucas...Em uma época em que não existia orkut e ir a estádio era coisa para "iniciados" - impossível para moças sozinhas -, a paixão despertou tardia, eu já com meus 20 anos. Criança, eu já me considerava santista, apesar de não saber nada do time. Sou de 76. Nos anos 80, ouvia meu pai falar - reclamar - das coisas que aconteciam no Santos. Em 90, sim, comecei a andar pelas próprias pernas no mundo do futebol. Quando eu falava sobre futebol na escola, principalmente, me diziam que eu não tinha o que discutir porque meu time era "café com leite". É a expressão de que eu mais me lembro: café com leite! E coincidiu de ser o início da época de Giovanni & cia. Por isso posso dizer que foi Giovanni que me fez recuperar o orgulho de discutir futebol na escola. Ver aquele cara tímido aparecendo em frente às câmeras e dizendo que ia virar aquele jogo contra o Fluminense, quando tudo levava a acreditar na nossa derrota, me fez crescer como torcedora. O final dessa história é mais do que conhecido. E tratei minha ferida, cuidei do meu orgulho machucado, e ele cicatrizou. Nunca esqueci daquele magro, alto e gago, nem quando ele foi para a Espanha, para a Grécia. Passou tão pouco tempo vestindo o manto, mas para mim foi suficiente. Veio a geração Robinho. E, no finalzinho dessa nova golden age, voltou Giovanni. Era como um deja-vù. Meu peito se apertou novamente. Relembrei 95, relembrei o fim do "café com leite", relembrei meu ego inflado. Lembro até de uma coluna que eu fiz na época, dizendo que minha relação com o Maestro não era racional. Não adiantava me dizerem que ele estava velho, acabado. Simplesmente porque, para mim, o Giovanni não tem fim. E nada do que me falem vai fazer eu mudar de idéia. Isso é a tal da idolatria. Agora, voltando ao jogo de domingo. Quando Giovanni entrou em campo, vestindo aquela camisa vermelha, meus olhos encheram de lágrimas. Confesso. Deu um aperto no peito, uma vontade de chorar. Pensei que ele não tinha nada que estar do outro lado, que o Rivaldo que se danasse, que pedir um favor desses não é coisa de amigo, que submeter um jogador do tamanho do Giovanni a jogar naquilo ali não era coisa de amigo, não. Aplaudi calorosamente. Gritei seu nome com força, como se fosse - talvez seja - a última vez que eu faria isso. Que se danasse quem não estivesse gostando de ouvir. Que se danasse a politicalha, os gritos da torcida organizada tentando abafar minha voz, com o argumento estúpido de que "ali era Santos, não Giovanni", como se eu não soubesse que sempre tem alguma coisa regendo as mãos que batem os bumbos, contra ou a favor. Via a faixa estendida: "Giovanni, ídolo para sempre". Não, eu não estava só! Quatro minutos de jogo são suficientes para o Maestro mandar aqueles lançamentos que só ele era capaz de fazer. Ele, o lerdo, o morto, o acabado, botava o pífio atacante de Mogi na cara do gol. Era inócuo, graças a Deus, porque o time do Mogi não se pode chamar de time. Aquilo e um catado do meu bairro dá na mesma. Eu só pensava: "alguém marca esse f... do Giovanni, porque se ele marcar um gol eu não vou conseguir xingar". Passei o jogo todo pedindo para o técnico tirá-lo. Inconscientemente, queria ter uma chance de aplaudi-lo de novo. O Santos comportou-se como time grande e não tomou conhecimento do catado de várzea. Com um time ousado, apostando na base, Mancini aniquilou o adversário. O segundo tempo, então, deu dó. Cabia até mais. Em uma tacada de mestre, Mancini escalou Paulo Henrique. Era simbólico. Eram o passado e o futuro do Santos em campo, de lados opostos. Momento histórico. Quanto ao Giovanni... tirando quatro ou cinco lançamentos, o meia nada mais fez. Andava em campo. Para mim - não se esqueçam da idolatria - para mim ele simplesmente abdicou do jogo. Estava por obrigação. Como eu não queria vê-lo com outra camisa, ele não queria jogar contra a dele. E não jogou. Uma pena que eu não terei a oportunidade de vê-lo fazer sua despedida pelo Santos. Uma pena que não conseguirei gritar seu nome de novo. Mas, Maestro, eu não esquecerei, nunca. A cada momento vou fazer questão de lembrar ao meu filho quem foi o homem cujo nome ele herdou, e o que ele representou para o clube do coração da mamãe dele. Obrigada!
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Escrito por Gisele Berto às 10h30.
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